terça-feira, 4 de julho de 2017

A qualidade do vaso e do tesouro

Dia desses, uma irmã me ligou assustada. Havia descoberto um deslize de um irmão da igreja e confessou já não crer em nada do que ele dizia desde então. Nem na sua ...pregação.

Bem, sei bem que uma das maiores crises do nosso tempo é a da desconfiança. É tanto escândalo que parece que já resistimos a ter o mínimo de confiança em quem quer que seja. E parece que hoje, por estarmos todos ligados pelas redes sociais, pela midiatização da nossa vida, é que a intimidade já não está guardada nos limites do “privado”.
É assim com os artistas, com os astros da TV, do cinema...

Natural, né?

Mas e se, ...isso acontece com alguém do nosso círculo de amizades, na ...igreja, por exemplo? Como neste caso? Como é que lidamos quando sabemos de algum deslize, alguma fraqueza, daqueles a quem julgávamos em alta conta?

Como foi com a pessoa em questão, respondi de pronto que ela só teve essa decepção, porque o tal irmão, se acha na categoria dos ...humanos. Que o sujeito, não tendo asas, não é, portanto, anjo, nem tampouco, fora canonizado, tido como santo, desses que julga-se infalível,..

Analisando-se a Palavra de Deus, vemos que o Senhor, por toda a história da humanidade, valeu-se de gente comum, normal, suscetível a erros e fraquezas, gente errada mesmo, para revelar-nos Sua vontade e lei. Pode ler: Tem de tudo: assassinos, prostituta, enganadores, adúlteros... Tudo isso apontando para o caráter de um homem perfeito e modelo pra todos nós: Jesus, o Cristo!

Mas isso não quer dizer que Deus relega a um plano sem importância os nossos erros. Pode ver como eles todos sofreram com a consciência da lei perfeita do Altíssimo em contraste com a sua pequenez e a correção do Altíssimo! Basta lermos os lamentos de Davi ao ser confrontado pelo seu pecado e a de tantos outros...

E sabem por quê?

Porque a Palavra nos chama a nos vermos para além das fragilidades humanas, o que de Deus pode ser revelado ...nelas, nessa gente imperfeita. Todos, temos os nossos pés de barro, as nossas fragilidades...

Paulo nessa ideia, lá em 2 Coríntios 4:7 afirma que: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.”

Ele se referia, à nossa fragilidade física, primeiramente (sobre termos um corpo que se corrompe, enfraquece à cada dia, e que sofre nas perseguições, nas afrontas,...) mas também podemos aplicá-la à nossa fragilidade moral, para um vasilhame frágil, corrompido mas que, APESAR DISSO, contém um Tesouro, o Senhor, mas para que ninguém se ensoberbeça, ou chame para si uma glória que não é sua, usa essa metáfora, a do barro, a nossa condição de gente sujeita a erros.

Só por isso. A glória é sempre de Deus. A virtude, a honra, ...e os elogios, e os créditos a tudo aquilo que é bom que pode ser atribuído a nós, o vaso de barro, é devido à Ele.

Então, se a glória é sempre do Tesouro, então não temos de ficar escandalizados pelo erro dos outros. Todo homem é pecador e passível de deslizes. Mas como vencermos essa nossa incredulidade, cada vez maior que nos faz desconfiar de tudo e de todos?

E como posso eu separar a verdade da pessoa que a comunica?

A verdade, é sempre verdade. Venha da boca de onde vier! A Palavra de Deus, escrita na parede de um bordel, pode bem trazer pessoas à Jesus. A verdade, na boca de um mentiroso não se transforma em mentira.

E fica cá uma lição: Cuidado em esperar de homens o que eles nunca poderão lhe dar! Cuidado para não pôr em pedestal, homem algum, para além da medida, da honra com que devemos tratar a todos.

Nada de arvorarmo-nos em juízes do nosso irmão, ou agirmos feito fariseus, sem misericórdia ou graça, como se nós todos não fossemos também os tais “vasos de barro”.

Que tenhamos, por um lado, graça para com quem errou, e por outro, zelo em auxiliar o que tropeçou – para a sua cura, a sua reabilitação.

Alguém já me disse que pior que os elefantes são os crentes, cuja memória, especialmente para com os que erram, nunca desaparece.

Não vamos nos esquecer que somos todos feitos do mesmo material – barro. Então cuidemos para que não venhamos a cair, só porque hoje, até agora, estamos de pé.

Nesse assunto, quanto mais crédulo - não no homem - mas no tesouro que carrega, a despeito de quem é - melhor.

Vamos falar com Ele?

Senhor Amado! Assim como por graça me tratas sempre, especialmente quando erro, que eu trate aos meus irmãos também. Que tenha o mesmo coração compassivo e misericordioso para com todos e que os meus olhos estejam sempre abertos para enxergar a qualidade do bom tesouro que nos confiaste e não a fragilidade, a vergonha do barro que o acondiciona, como quem olha sempre para o quadro e não para a moldura! Por Cristo Jesus é que Te peço, amém!

Se quiser ouvir o áudio, acesse: https://www.transmundial.com.br/qualidade-vaso-tesouro/

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Evangelho é para doidos



Há algum tempo atrás, recebi um telefonema na nossa rádio em Lisboa, Portugal. Era uma ouvinte do norte do país, e ela estava aflita.

É que lhe fora diagnosticado algum distúrbio mental, uma esquizofrenia, manifestada quando fora abandonada pelo marido (até a data, um cristão-normal, segundo as suas próprias palavras) e, como se não bastasse a humilhação, trocada por outra.

Já não fosse muito a dor da enfermidade, contou-me ainda a jovem senhora, sobre a condenação, direta ou nas entrelinhas, por parte da sua comunidade pelo seu falhanço em "conseguir pela fé a sua cura". Se ela estava doente, por certo, havia algo errado na sua relação com Deus, vaticinavam os evangélicos-kardecistas, na sua melhor teologia - anti-bíblica - da "causa-e-efeito".

Pois bem, ao ouvir por meses o nosso ensino bíblico (bom mesmo, diga-se de passagem), na FM da sua região, encheu-se de coragem e ligou para saber, de alguém em quem aprendeu a confiar, algo mais do que importante: Como poderia ela saber se as visões e vozes que recebia, vinham ou não de Deus, se eram ou não fruto de uma mente necessitada de ajustes, químicos, mecânicos, sei-lá-o-quê.

Abrindo-lhe o meu coração, confessei-lhe o mesmo grande problema, aliás, que tenho há anos (desde que me entendo por gente): Eu precisamente sempre tive problemas em saber se o que os meus olhos vêm são ou não reais.

Acaba que vez por outra, padeço do mesmo mal, o de tomar por verdade as circunstâncias e coisas que vejo, toco, experimento com os meus sentidos todos, e que no fim mostraram-se só serem impressões e miragens.

Confidenciei-lhe, quase em tom de confessionário, das vezes em que amedrontei-me por só ver barreiras irreais, tornadas intransponíveis pelos meus olhos (que apesar de míopes, enxergam quase bem), e que mais tarde, caíram com um simples sopro de Deus.

Ou dos inimigos minúsculos que, aos meus olhos, tornaram-se em gigantes ou em número assustadores inflacionados – tais como os espias que foram até Canaã e só viram os inimigos e “tantos como os grãos de areia do mar”, a fazer-lhes com que os seus joelhos tocassem castanholas.

Ou das vezes em que ouvi vozes que, afinal, não eram do alto, como eu julgara, mas do acusador, ou da minha mente ansiosa e aflita. Ou dos dias em que passei a meditar se o significado dos sonhos que tive, eram ou não revelação de Deus e que mais tarde, provaram vir de uma feijoada mau digerida...

Pouco a pouco, compartilhei com ela que, sem medo de estar a contradizer Jesus, quando corrigiu a Tomé na sua falta de fé, que também são bem-aventurados os que "duvidam do que vêm".

De como todos nós cristãos, temos de ter mais cuidado com aquilo que tudo que se pode ver, ouvir (até o que se ouve nos púlpitos), tocar, sentir...

E tomarmos sempre a cautela de checar, de conferir, examinar e passar as situações, sentimentos, coisas que se ouvem, que se nos dizem, que nos afirmam, pelo crivo de uma baliza mais segura e incapaz de mudar a toda hora como o nosso coração - enganoso, corrupto e corruptível - um corruptor irrecuperável e que deve ser mantido no cabresto curto e firme.

Logo pela manhã, com aquele telefonema, pude abençoar a irmãzinha: Amada amiga, você é normal, sadia, sábia e bem-aventurada! Continue com a sua medicação que o médico lhe prescreveu, e meditando, lendo com zelo e diligência a Palavra de Deus, todo dia, sem pular uma dose sequer!

Com aquele diagnóstico, afinal, de esquizofrenia, ou o que seja, ela estava bem melhor do que muito cristão! Enquanto ela estiver preocupada em saber, com firmeza, em que mato está lenhando, em discernir se algo é real ou imaginário apenas, estará melhor do que muuuuuuita gente.

Disse-lhe com toda a firmeza àquela senhora: “Enquanto houver em você essa sua preocupação em saber se o que vê é real ou não, você é totalmente sadia!”

E acrescentei ainda: “Doidos, querida, somos nós. Doidos somos nós”.

Em 1 Samuel 16:7, lemos...Porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos," Por isso, "Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.", completa-nos Paulo em 2 Coríntios 4:18

Para ouvir o áudio, acesse: https://www.transmundial.com.br/o-evangelho-e-para-doidos/