segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Irã estará livre da web. E o povo do Irã, ficará livre do Irã?

Deu na mídia ontem: O Irã criará internet própria, desligada da world wide web.

Pergunto-me e agora?

Essa notícia suscitou imensas discussões sobre o tema. A maioria, pelo que vi nos comentários de leitores nos principais canais de notícias do nosso país, comemorava o fato, inclusive afirmando-se invejosa da decisão do governo iraniano de "verem-se livres da influência cultural e de informações dos EUA e de Israel".

Então vamos imaginar o mesmo por cá. Que tal?

Um país totalmente mergulhado em si mesmo - e desligado da rede mundial de computadores.

Que tal os Católicos no poder? Ou os Evangélicos? Ou o PT ou qualquer outro grupo político com a sua "verdade única"?
E mais: Polícia da religião (como há na Pérsia)?
A "informação oficial de governo" que aqui não existem gays? Ou pecadores?
Ou o contrário, que aqui todo mundo é gay?
Ou a proibição de qualquer reunião sem a autorização do estado?
Ou a proibição de que nenhuma mulher pudesse sair desacompanhada sob risco de ser chicoteada ou presa?

Cá entre nós, continuo a apoiar um pilar da Reforma Protestante - a do livre-exame das escrituras ao invés da tutela oficial, qualquer que seja o oficial, e do seu mote "Reformar sempre" e ainda assino a declaração de Millôr Fernandes de saudosa memória: "Prefiro um mau presidente a um bom ditador".

E tenho dito: Coitado do povo iraniano. 

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