sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A glória das cicatrizes

"...pois tu me levantaste e me abateste". Salmos 102:10


Ninguém gosta de portar cicatrizes. 
Elas são o atestado das nossas lutas e, inevitavelmente, atribuídas ao fracasso, ao erro, ao infortúnio.


Elas chamam para quem gosta de apontar dedos, aos escarnecedores, aos religiosos, aos cheios de justiça própria, a atenção para o que saiu errado, para os seus possíveis motivos punitivos.


Já ouvi certa vez, que devia-se desconfiar de todo homem de Deus que não as possui. E simplesmente pelo fato de que elas mostram uma certa experiência, nunca sem dor ou sem desassossego. E com Deus.


Nesse salmo, David não deixa dúvidas - Deus o levantou. E Ele também - não o diabo, não os inimigos, não a criatura, não as circunstâncias. E, como tudo o que Ele faz, com um propósito.
Ninguém gosta de exibir as suas mazelas. Os pés de barro. Alguns, não conseguem escondê-las. Preferem as máscaras e as próteses e essas, quanto mais perfeitas e imperceptíveis, melhores.


Hoje valorizo as minhas cicatrizes que continuam a vir sobre mim. Tenho descoberto que elas não me diminuem, mas, ao contrário, me levam mais perto de Deus e acabam como marcas desses "encontros".


São lembretes. Da nossa condição de fragilidade e pequenez, e no fim, quando fechadas, atestam sempre que passamos por Deus e saímos crescidos e mais conhecedores da Sua graça e bondade. O Caio Fábio disse certa vez: "Não há um homem de Deus, que não tenha sido elevado e depois abatido por Ele". Lembremo-nos de Jacó, de Elias, de David, de Daniel, de Paulo e de tantos outros. Não saíram mais os mesmos depois disso.


E, como me ensinou Alan Brizotti, um amigo querido: "Elas acabam sendo úteis para curar a outros". Não são os êxitos que curam. Mas o que ficou em nós depois da provações e lutas com Deus. 


Como foi com Jesus (Homem de dores e que sabe o que é padecer!) que, mesmo depois de voltar dos mortos e com um corpo bem diferente do que tinha (que até podia ultrapassar portas e paredes), manteve uma coisa especial do corpo anterior - os sinais dos cravos. E com eles, curou o incrédulo Tomé.


A minha oração é que eu valorize cada minuto nesse processo de "marcação". E em silêncio, sem queixume ou apontamento de possíveis promotores desse momento para além de Deus, acertando-me com Ele. E valorize, o que quase ninguém quer. Que talvez até os anjos desejassem se lhes fosse permitido, mas que hoje, aos humanos, não trazem sucesso algum.

7 comentários:

Juliano Fabricio Ferreira disse...

e isso ai Rubinho....mais não some não...abraços

Sarah Catarino disse...

Já tinha saudades de lê-lo...Muito bom. Não lambe as feridas, não. Deixa Ele curar. Às vezes as cicatrizes até tornam interessante o lugar onde estão...e como dizes tão bem, servem para lembrar-nos da Sua abundante graça e daque nós também temos que dar aos outros.

Viviane Zion disse...

rapaz! que texto profundo...

obrigada pela visita e comentário no meu blog e pelos elogios à minha cidade (Brasília)!

"recebemos um tesouro em vasos de barro para que a excelência do poder não seja nossa mas de Deus"

um abraço!

Alice disse...

...isso é muito mais que um texto, é a expressão da verdade marcada na alma !
Vale a pena vc escrever mais...seus seguidores agradecem !!

abraçosss

Lamarque disse...

muito bom, ja estou seguindo. abraços. prossigamos. lamarque

Diego Lopes disse...

Muito bom o texto! Já estou seguindo o seu blog! Com sua permissão, gostaria de divulgar esse post no blog, com seu link lá, ok?
Gostaria que outros lesses isso que acabei de ler.
Abç, passarei mais vezes pelo seu espaço!
Paixão e Compaixão.

Railda M disse...

Sim, eu digo: Diabo dos infernos, devolva-me o que roubou (Jo 10. 10)... Finanças, sonhos, alegria, paz, sossego... e muito mais.