quarta-feira, 11 de maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ó tentação dos atalhos...

Como é difícil esperar. Pelos outros, pelos processos, pelos frutos, pelos resultados... Esperar pela resposta do organismo a um medicamento, pelo resultado de um trabalho feito,... Não é, definitivamente fácil, esperar pelo que não está nas nossas mãos.

Isso exige de nós paciência, confiança e perseverança.

Essa, aliás, parece a coisa mais difícil ainda, quando se pensa no caminhar do crente, esse que, como o nome diz: "Olha com os olhos da fé, para o que está além das circunstâncias", mesmo que não seja ele um religioso. Um cientista ateu, tem igualmente que saber esperar pelas respostas de um experimento, ou de uma pesquisa.

Nesse campo, percebo o quanto o perseverar foi e é uma matéria cara, ao olhar aos relatos bíblicos.

Neles, há histórias que bastem de situações que exigiram muita firmeza entre o primeiro passo - as ações e feitos - e o resultado esperado. Sempre que teimaram em encurtar a coisa, deram com os burros n'água. Alguns chegaram a fazer a coisa certa, mas na hora errada e do modo errado. E comprometam tudo.

Às vezes, assusto-me com a quantidade de pessoas - as mesmas, sempre - a atenderem apelos por oração, a frequentarem reuniões, campanhas e outros eventos do desespero à cata de bênçãos, livramentos e milagres. E não faltam os que se aproveitam dessa fraqueza, a explorar-lhes a deficiente disposição em aguardarem que dos céus, lhes chegue a resposta. E dispõem-se mesmo a pagar uma fortuna pela fantasia de poderem chegar lá, andando menos e esperando pouco.

Custa-nos discernir que "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Ec 3:1).

Hoje, mais uma vez, fui lembrado disso, do quanto custa-me esperar pelo que não posso controlar. E dessa tentação terrível para apanharmos os atalhos, quaisquer que sejam eles, que nos tragam a ilusão de podermos avançar, ou darmos um jeitinho que agilize tudo, que encurte o caminho longo - e um tempo que desconhecemos - a percorrer.

Como bem recomenda-nos São Paulo: "e, depois de haver feito tudo, ficar firmes" (Ef 6:13).

Ao invés de tentar apanhar um caminho improvisado sob o risco de desviar-me do propósito, do alvo, preciso mesmo é de me firmar. E saber esperar!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A justiça que se propôs e a que se promove

Fiquei surpreso e surpreendemente frio com a notícia do abatimento de Bin Laden.

Para dizer a verdade, não fiquei feliz ou triste. Só surpreso - como aliás meio planeta (talvez o outro nem saiba que o sujeito existia).

Réu confesso de atrocidades por esse mundão, das torres gêmeas do World Trade Center à ataques bombistas no Afeganistão, no Iraque, e em tantos lugares, o criminoso teve o que mereceu, podemos pensar.

Sim. Era questão de tempo a mais poderosa nação do planeta colocar-lhe as mãos e, fazer justiça.

E o que é mesmo isso que chamamos justiça? Equidade? Equilíbrio? Será mesmo que conseguimos estabelecer justiça equilibrando a balança pondo-se peso nas pontas? E assim, voltarmos a nos relacionar em igualdade de condições?

Um ato contra o direito pendendo o braço do aparelho, um outro, em nome desse direito desrespeitado e punitivo no outro.

Matou-se o matador e já está. Vingamos a morte de milhares de inocentes das atrocidades de um grupo que usa o nome de Deus, ou de uma divindade que nos assusta e, zerou-se a conta. Será?

Sem querer ser, mas assumindo o perigo, desde já arrisco um raciocínio inocentemente simples e, por isso mesmo, passível de parecer simplista, me pergunto: O que teria acontecido se os Estados Unidos da America tivessem após o 11 de Setembro, gritado em alto e bom som: "Muito bem. Doeu muito. Ainda doerá. Mas diante de todos e, de Deus, esse, a quem não conseguimos atribuir barbáries, nós os perdoamos!"?

Se é na base das comparações, essas que nos atormentam e nos fazem perguntar: Porque matam em nome de Deus? Como é que se atrevem a dizimar crianças, mulheres - muitas grávidas - profissionais do socorro, médicos, funcionários que nem sabem onde é que fica a Palestina ou Kabul? Como podemos nós, dizendo-nos seguidores de outra filosofia, de outro Deus, esse, civilizado, ocidentalizado respeitador dos direitos humanos e da vida humana, pudemos atacar países inteiros, trucidar pessoas (muitas, igualmente inocentes), promovermos prisões, torturarmos e matarmos em nome da justiça?

Perdoem-me os que acham que estou defendendo o terrorista mais famoso do planeta. Só estou perguntando o que o Deus (esse, do ocidente!) faria, uma vez que Ele nos ensinou a perdoar?

Quando olho para o que estamos construindo, só posso lamentar o que parece ser uma tremenda confusão, com base no que Cristo nos ensinou. Por Ele, a justiça faz-se pelo meio, não pelas pontas.

Uma justiça onde abre-se mão do direito ao invés de reivindicá-lo. Ou não foi isso que Cristo ensinou, quando o Justo deu-se pelo criminoso? O que era santo, morreu pelo pecador? Ou como Paulo nos lembrou quando afirmou, que sob essa nova ordem a que chamamos Reino de Deus, "o que colheu muito, não colheu para que sobrasse e o que de menos, não colheu para que faltasse", porque no Reino, um oferta ao outro, repartindo o mantimento, como também oferece a face ferida, ao invés do revide e da cobrança, abrindo mão do merecido ato reagente e, ao invés de pagar com a mesma moeda, oferece-se a oportunidade do perdão e da graça. É assim que consegue-se equidade, equilíbrio e a concórdia, restabelece-se, propôs-nos Jesus. E olhem que já vi isso muitas vezes. E o poder que isso tem no estabelecer-se a paz.

O mais duro dos corações, não fica frio diante de tal ato contra a lógica e a "justiça" humana. Já vi os mais durões despencarem com maior rapidez diante do perdão oferecido, do que fariam
se recebecem o pagamento na mesma moeda. E, mesmo que isso não acontecesse, o que perdoa sai maior, melhor, mais em paz consigo mesmo do que antes, com a amargura armazenada, que envenena e mata o ofendido, não o ofensor.

Nem imagino o que teria acontecido quando, surpreendido, o mundo todo naquele 11 de Setembro, o povo que fora ferido, oferecesse perdão. Teria sido uma loucura. Creio que teria parecido para a maioria, a mais completa idiotice. Aliás, foi isso mesmo que devem ter pensado, quando o Senhor propôs tudo isso.

Me desculpem o atrevimento. Só estava pensando cá com os meus botões... o que realmente teria acontecido.