quinta-feira, 17 de março de 2011

Pequenos delitos, grandes prejuízos

Fiz essa foto ontem, 16 de Março, em frente a um supermercado onde costumo ir (DeVille, do Ubershopping).

Era o de sempre: Mais um carro estacionado numa vaga para um portador de limitações motoras, embora o cidadão em questão, portasse excelente saúde motora e não um cartão identificador que legitimasse a sua conduta.
Nada mais sintomático de um país que naufraga no mar da falta de ética, embora tente ocupar um lugar de destaque entre as grandes potências.

Também é uma mostra cínica da cidade onde vivo, retrato também da "justiça" que teimamos em pleitear - aquele que nos prejudica, que causa sensação na mídia, mas que negamos aos nossos iguais, quando o benefício pende para o nosso lado e nos julgamos mais digno de recebê-la, por alguma circunstância.

O carro ai da foto, protesta o Fim da Impunidade - talvez para os assassinos das nossas ruas, os traficantes, os estupradores, ou talvez para essa hipócrita condescendência para com os "menores de idade", mas não em tamanho e perversidade, a quem os crimes, bárbaros, lhes são inimputados por serem "imaturos" e "cidadãos em formação", ou então, exige a punição severa para os nossos administradores públicos e políticos que tanto nos envergonham e cujas leis (feitas por eles próprios!), nunca os "enquadram".

O problema que se pode ver, é que o cidadão ai, reclama no atacado e peca no varejo.

Mostra-se consciente com o exercício da sua cidadania, mas passa por cima de uma regra ridiculamente inferior, deve pensar ele - o respeito a quem tem lutado pela vida como qualquer um, só que em desigualdade de condições - um deficiente físico, ou como queiramos designá-los, segundo o dicionário do politicamente correto.

Um absurdo. Mas é o retrato da sociedade que construímos: cinismo e desrespeito ao próximo.

Pode parecer algo pequeno, uma infração que sequer merece uma nota dessas. Mas é justamente essa raíz que tem reproduzido os problemas e construído essa nação injusta e perversa.

Ali, está o DNA do narcotráfico, do crime do colarinho branco, e tantos outros. É só uma questão de preço e oportunidade, como diria a piada de Juca Chaves sobre a pessoa que se vende por 10 ou por um milhão de reais. A isso chama-se prostituição, por pouco ou por muito.

Quem tem ouvidos para enxergar, que tome nota! Esse país nunca vai chegar a lugar algum!

"Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como um rio perene." Amós 5:24

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vale a carne! Dos foliões ...e a dos crentes!

Nesses dias de carnaval, participei da alegria do povo, das baterias, das bandas, da folia como nunca: no meu quarto!

Não que tenha sido preciso eu descer do apartamento onde vivo atualmente para participar da maior festa popular do mundo, mas fi-lo ao ouvir com a força de uma caixa de som postada à cabeceira da minha cama, com toda a potência da farra, vinda de uma praça a poucos metros de casa.

Quanto mais se aproximavam os dias, mais via crescer a minha preocupação com a algazarra que atravessaria madrugada adentro - previsão essa que se mostrou acertada.

Comecei a torcer pela chuva, por um temporal na realidade, tudo que pudesse atrapalhar a coisa toda da qual nunca vi a menor graça.

Ao passar pelo local do evento, na tarde do primeiro dia, reparei nas barraquinhas de lanches, de comida, bebida, presentes sempre em qualquer que seja a aglomeração humana e refleti para além das minhas comodidades.

Sempre achei o carnaval uma festa vibrante e da manifestação legítima da alegria (pouca, diga-se de passagem) do povo, das suas artes, mas também pelo lado terrível - a dos excessos - da bebida, da sensualidade exacerbada, dos exageros, que comumente podem trazer arrependimentos para toda uma vida, para muito além dos quatro dias de folia.

Uma festa enfim, que deixa de lado as virtudes e acaba por incentivar os instintos e nos expõe a perigos. Nada menos cristão.

Reparei também, nos comentários irados postados nas redes sociais, vindas dos cristãos. E, particularmente, dos religiosos. E ai, me vi em cada duma delas...

Acabei por me lembrar do episódio da aldeia samaritana que proibiu Jesus de entrar pelas suas portas em Lucas 9, negando (como fazem muitos hoje) que Ele se achegasse até eles, provocando nos discípulos - em alguns, é verdade - uma ira não justificada, ao desejarem que fogo lhes caísse dos céus contra aquele povo rebelde. Com esse desejo, eles igualmente, estavam dando vazão à sua carne e não aos princípios que lhes propunha o Senhor.

Voltei-me das minhas intenções egoístas que só pensava no meu bem-estar. E pedi, envergonhado, algo diferente a Deus.

Que Ele abençoasse aqueles comerciantes que comem o pão honestamente e, ao povo, para que tivessem uma diversão o mais saudável possível. Com barulho ou sem.

Que me perdoem os religiosos, mas diante de um povo que não dá ouvidos - nem espaço a Deus - prefiro pedir que os céus lhes seja propício e que os abençoe livrando-os deles próprios e das suas paixões tresloucadas.

Ao ver os comentários de muitos desses vaidosos "crentes" que manifestaram vontade de alguma chuva - até de fogo - celeste, como eu próprio o desejei, fecho com Cristo que, diante de uma Jerusalém hostil e a ele igualmente fechada, chorou pela sua dureza de coração e resistência, desejando aninhá-la debaixo de suas asas protetoras.

"Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens,..." Lc 9:56