sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sobre a fé e as crendices...

Sou um cara de fé. Mas não de crer em qualquer coisa (sou cartunista, não? E todo cartunista é cético e crítico).

Talvez por isso tenha demorado tanto pra virar um cristão (lá pelos meus 15 anos, quando já distribuia jornais de esquerda, subia em caminhão pra falar contra a ditadura, por descrer do regime e das "fotos e versões oficiais").

Mas faço distinção entre fé e superstição.

Superstição é aquilo recomendado por alguém, o que não provei, o que não experimentei, ou vi evidências, nem físicas, sensoriais ou racionais.

Sem fé é impossível andar com Deus. Ele não vai caber nas minhas limitadas capacidades. Vai ser loucura. Mesmo as Suas coisas mais sábias, vão-me parecer idiotas e sem sentido.

Ele não vai ser medido, nem compreendido, nem percebido pelas minhas faculdades.

No livro de Hebreus, leio que é preciso que aquele que Dele se aproxima, tem de saber quem Ele é, muito mais do que simplesmente existir - a maioria, nem que seja por exclusão, tem um dia de que crer que Ele existe. Mas conhecê-Lo, isso sim, faz toda a diferença. Dai que a fé vem sempre pelo ouvir e o ouvir pela Sua Palavra.

De resto, o que há são crenças, superstições e achismos. E teologias de boteco (tasca em Portugal!).

Sem fé - essa fé - Deus não é Deus. É uma divindadezinha imbecil.

Sem fé, Deus é o inimigo, não Ele mesmo. Sem fé, Deus é religião.

Sem fé, Ele vai ser o Juíz. Implacável, com os nosso atos todos à mão, sem graça nem misericórdia. Sem saber o que é sofrer, o que é estar-se à mercê de uma carne fraca.

Sem fé, vai ser o amigo interesseiro, pronto a nos danar porque não demos, não ofertamos, sonegamos o dízimo, ou faltamos aos domingos santos. Aquele que abençoa ou ajuda, só se fizermos o que ele deseja. Que é fiel, quando muito, se formos-lhe fieis.

Sem fé, Ele nunca vai ser o pai. Vai ser só a criatura-monstro, que abandona os filhos que gerou à mercê de si mesmos, só porque não fizeram o "Curso de Batalha Espiritual - nível 8, avançado e profissional". Ou porque não investiram em investigar onde, na sua hereditariedade, no passado familiar, está o sapo enterrado que os amaldiçoa no presente. Que não aprenderam o seu nome em hebraico, ou fantasiam-se de judeus, mesmo que tenham nascidos orientais ou em algum lugar lá na Bahia. Elas se danam pelas Suas mãos perversas.

Sem fé, nunca vai ser o pastor - o que dá a Sua vida pelas ovelhas, mas o que as entrega ao lobo para tirar algum lucro, vendendo-as por algum benefício, comendo a sua gordura e vestindo-se da sua lã.

Sem fé, é impossível agradar a Deus pois Ele ama o que Dele se aproxima, sabendo que Ele é quem é, e com o coração desejoso por prová-Lo. E saber que Ele é bom.

Como disse o meu amigo Caio, "o galardão da fé é o próprio Deus".

(Hebreus 11:6) - Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele é quem é, e que é galardoador dos que o buscam.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Meu São Felipe do Karaíba


Para quem não ouviu ainda sobre esse santo, vou apresentar: São Felipe é o meu neto mais novo. E vive no Jardim Karaíba, em Uberlândia, Minas Gerais.

Sim, pelo entendimento bíblico neo-testamentário, o figurinha de apenas 3 anos, é santo. Não que seja infalível, lógico, mas é alguém que pode descansar na graça divina e na sua inocente (única) possibilidade de vida que é o estar num lar cristão, vivendo já debaixo da fé e prática de uma família que crê em Cristo.

Pois bem, ironias à parte, o meu rapazote, é um ás em conjugar quase todo dia, diante de uma vontade expressa, manifesta - e não satisfeita - com um "Mas eu quero!". Não adianta explicar, não adianta dialogar, o sujeitinho bate o pé e afirma: "...Mas eu quero!"

Fosse ele esses santinhos de devoção e andor, seria com certeza, o padroeiro de uma classe de gente que dizendo-se cristã, tem de tudo, menos uma alma confiante na sabedoria, na providência e cuidado do Senhor supremo e regulador das nossas vidas.

Esses, que confundem fé com obsessão - aquele desejo que, de tão ardente, não permite outra possibilidade para além da sua satisfação. E imediata. Sem esperas.

E dá-lhe ofertas, oferendas, promessas, jejuns sacrificiais, dando mesmo pra se ouvir o bordão: "Mas eu quero!". E pronto. Ai se nós - ou Deus, ou os céus, ou a vida, não os satisfizerem.

Gente que confessa uma fé por fora e ergue um altar pra sua alma não tratada por dentro.

Diante das lutas (coisa comum a qualquer mortal), grita logo - "Não aceito", ou "Rejeito isso, rejeito aquilo", ou pior ainda, grita mandingas e outras esquisitices tornadas moda em certos círculos cristãos, dando ordens, imagine - a Deus, o Todo Poderoso, o Supremo regulador do Universo. Já até há teologias pra justificar a sandice. Nelas, o homem é nada mais que uma criança mimada a quem Deus tem de Se dobrar e a vida é um mero script feito, pronto e acabado onde tudo gira à volta e tem-se de amoldar. O plano está feito e acabado.

Cresci, como o Felipinho, até que aprendi com os meus pais, a sempre terminar as minhas orações com um "Seja feita a Tua vontade". Mais tarde, achando progredir, pensei ser possível manipular e fazer o Senhor, virar um mero serviçal das minhas idéias e desejos. Ser cristão era ser arrojado, ter fé era ser obstinado... ser cabeça e não cauda, estar-se por cima e não sujeito à vida.

Idiotices. Depois de muitos tombos, lutas e de conhecer mais desse Senhor o das Escrituras, "que tira do seu bom tesouro somente coisas boas (ainda que algumas difíceis de engulir!), acabei por render-me e, acatando a sugestão paulina de "dar graças em tudo", buscar descansar no fato de Deus saber, não apenas mais que eu, mas saber tudo e me amar de verdade, e embalar as minhas orações com o... "Faça-se a Tua vontade". Não é fácil, mas é o recomendável. E Deus tem-me provado isso.

Nada se compara à Sua sabedoria (que os homens, na sua lógica e coerência, chamam loucura). Nada é mais seguro, ainda que, em algum momento, signifique desconforto e transtorno, que os Seus caminhos.

O meu São Felipinho continua na sua inocência e teimosia própria de menino, guardado, além de Deus, por todos nós que o amamos e o protegemos.

Os que, apesar de grandinhos, ainda continuam na sua obstinada auto-proteção egoísta, podem acabar como o tal povo no deserto (Salmos 106:12-15) que bateu o pé e recebeu, mas ganhou no final, só o amargor de alma, próprio de uma criança castigada, não por sua inocência, mas pela rebeldia.

Quem estribado no seu próprio entendimento, não abre mão da sua vontade diante da possibilidade de Deus o contrariar, pode acabar recebendo o que pediu. E pagar caro por isso.

"Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." (Tg 4:6)

Para quem quer se aventurar a fazer ao "santo" uma imagem, tá ai em cima (lindinho tal como o avô!).

domingo, 2 de janeiro de 2011

A segurança do chamado!

Não nascemos para nós, mas para cumprirmos um propósito. E esse, desenhado antes de nós mesmos.

Quanto mais nos alinhamos com ele, tanto mais nos sentimos seguros na vida, posto que não estamos à mercê dos ventos e das circunstâncias.

Sabemos a que viemos e para onde caminhamos, o alvo para o que o apóstolo Paulo fala que dirigia a sua vida.

Não há então a ansiedade, mas a determinação.

Mas viver esse projeto, tem o seu preço. Sabemos que Deus mesmo se encarrega de nos acompanhar e, de perto, nos segurar.

Protegidos, ninguém está. Nunca. Fiquemos certos. Mas seguros.

Talvez, como os seguros de automóvel, que nos garantem o apoio em caso de acidentes, mas nunca nos isenta que eles nos aconteçam.

Assim, com a segurança em Cristo, prossigo nessa jornada em 2011. Como foi sempre até hoje.

Com frio na barriga às vezes, solitário em outras, com ou sem fundo musical, sigo. Em desassossego em várias situações. Mas elas sempre serão só isso - situações. Passageiras, como são tudo o que se pode ver. E o que não se pode ver, nos acompanhará - o eterno amor e cuidado de Deus. Com ou sem acidentes.

Boa jornada!

"Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 8:38,39

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano novo, disposição nova!

Todo dia devia ser como a passagem de ano.

Tudo é o mesmo - a vida, a duração das horas, as circunstâncias todas... o que é novo, para além da sensação (e desejo) de encontramos diante de nós uma folha em branco à espera de um novo script?

Vamos para as celebrações com aquela alegria, a de comemos com os amigos, de desejamos a todos a nossa melhor expectativa e desejos, mas a rigor, logo todos nos damos conta que a coisa afinal, não era lá essa coisa. O que houve, foi só a empolgação de recomeçarmos!

Ainda me lembro dos meus inícios de ano na escola - cadernos novos, livros novos, uniforme novo, canetas, lápis... que contavam sempre com a minha determinação de ser-lhes mais atencioso e cuidar para que não se acabassem em rasgos, sujeiras... Mas com o passar dos dias, esse coração disposto e animado ia dando lugar à monótona experiência do caminhar sem atenção, empurrado pelas circunstâncias e o velho ia-se fazendo presente mais e mais, até a próxima "viragem de folhinha dos calendários".

Hoje me apercebo que o que era novo mesmo, era só a minha disposição de, em alguma maneira, ser um melhor mordomo do tempo, numa visão mais ampla do que simplesmente olhar e cuidar das coisas concretas, tangíveis, como os lápis e cadernos.

Tudo o que desejei nessa virada de ano, é olhar mais atentamente para as coisas pequenas, pros detalhes e cuidar para viver com intensidade o dia que vou passar, não importa se ele estará no início, no meio ou no fim do calendário da minha mesa.

Cuidar para amar mais intensamente, abraçar mais fortemente, guardar as amizades, expandir zeloso a minha afetividade, curtir mais cuidadoso o que me virá às mãos...

Hoje tenho a ideia que a eternidade, do que tanto nos fala as Escrituras, é muito mais que apenas um número incontável de dias, intermináveis, mas tem a ver com um único dia intenso, vivo e que nunca se acaba.

Como pode bem ser a nossa disposição. E essa, todos os dias! Aquela de não sermos movidos pelo "empurrar-com-a-barriga", o cumprir a tabela, o fazer só o mínimo, só o básico, olhar só para a superfície, para a casca e não para os interiores, pra moldura e não para o quadro. Olhar pro alto, ainda que obrigado, pelas demandas da vida pratica a olhar sempre pro chão.

E curtir a presença do Deus presente, que vive dentro e não fora de cada um de nós e que nos livrou do medo e do que é pequeno e do que nos limitava a visão.

É o que desejo aos amigos e irmãos. A você que sempre está próximo, mesmo que longe.

Feliz dia novo. Sempre!

"Mas agora temos sido libertados da lei, das regras e imposições, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra." Rm 7:6