sábado, 13 de agosto de 2011

Restitui-me, Senhor!

Ouvi uma música cristã hoje de um CD que comprei.

Fala de restituição. Bonita melodia. Mas fiquei pensando: restituir o quê? O que posso pedir que me é de direito? O que posso ter perdido e que não era para ser?

Pensei bem - eu fui servo de mim mesmo, das minhas paixões, de uma consciência sujeita aos apetites meramente animais... e agora fui feito servo de Cristo. 

E, uma vez servo, escravo,... pergunto: um escravo tem direito? Então... restituir o quê?
Mas não parei ai.

Lendo as Escrituras, acabo por descobrir que Deus, por Ele mesmo e Sua graça nos leva sempre, de graça em graça ao crescimento. Com a ajuda de cada membro, de cada junta e ligadura, com o exercício dos dons e das experiências... cresço até que um dia, alcance a estatura do Varão Perfeito. 

Ora, nesse processo, perdemos coisas, vemos coisas abaláveis sendo abaladas e caírem ao chão. E a pergunta vem: O que vou pedir pra que Deus me restitua?

Será que o assombrado Jó, pediria em sã consciência, depois de, passar o que passou e, segundo ele próprio ver com os olhos, Aquele de quem só ouvira falar? Acho que nem os bens e possessões que perdera - com a permissão de Deus e para um propósito que é sempre bom, perfeito e agradável - fariam-no desejar voltar a um patamar abaixo, a uma condição anterior à tal revelação. 

Se Deus nos faz andar em novidade de vida, a experimentar o novo - o novo que não vem de fora, mas de dentro, uma nova visão Dele, da Sua graça, da vida, das circunstâncias, do que é eterno, uma nova mente, uma nova consciência formada segundo o Evangelho, pergunto: Restituir-nos o quê?

Ora, de capa a capa, do Antigo ao Novo Testamento, lemos o apelo "Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas, porque estou fazendo coisa nova", ou coisas do tipo: "Quem lança mão do arado e olha pra trás não é digno de Mim", ou como Paulo afirmava: "Uma coisa faço - esquecendo-me das coisas que para trás ficam prossigo pra frente", o que pode ser esse pedido "Restitui-me"?

Francamente, tudo o que mais tenho pedido é que Deus me faça acontecer o novo e não reviver o que é velho. Custe o que custar, doa o que doer, quero o novo de Deus.

E, se é pra pedir restituição, pergunto: "Será que podem restituir-me o dinheiro que gastei no CD?" 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A glória das cicatrizes

"...pois tu me levantaste e me abateste". Salmos 102:10


Ninguém gosta de portar cicatrizes. 
Elas são o atestado das nossas lutas e, inevitavelmente, atribuídas ao fracasso, ao erro, ao infortúnio.


Elas chamam para quem gosta de apontar dedos, aos escarnecedores, aos religiosos, aos cheios de justiça própria, a atenção para o que saiu errado, para os seus possíveis motivos punitivos.


Já ouvi certa vez, que devia-se desconfiar de todo homem de Deus que não as possui. E simplesmente pelo fato de que elas mostram uma certa experiência, nunca sem dor ou sem desassossego. E com Deus.


Nesse salmo, David não deixa dúvidas - Deus o levantou. E Ele também - não o diabo, não os inimigos, não a criatura, não as circunstâncias. E, como tudo o que Ele faz, com um propósito.
Ninguém gosta de exibir as suas mazelas. Os pés de barro. Alguns, não conseguem escondê-las. Preferem as máscaras e as próteses e essas, quanto mais perfeitas e imperceptíveis, melhores.


Hoje valorizo as minhas cicatrizes que continuam a vir sobre mim. Tenho descoberto que elas não me diminuem, mas, ao contrário, me levam mais perto de Deus e acabam como marcas desses "encontros".


São lembretes. Da nossa condição de fragilidade e pequenez, e no fim, quando fechadas, atestam sempre que passamos por Deus e saímos crescidos e mais conhecedores da Sua graça e bondade. O Caio Fábio disse certa vez: "Não há um homem de Deus, que não tenha sido elevado e depois abatido por Ele". Lembremo-nos de Jacó, de Elias, de David, de Daniel, de Paulo e de tantos outros. Não saíram mais os mesmos depois disso.


E, como me ensinou Alan Brizotti, um amigo querido: "Elas acabam sendo úteis para curar a outros". Não são os êxitos que curam. Mas o que ficou em nós depois da provações e lutas com Deus. 


Como foi com Jesus (Homem de dores e que sabe o que é padecer!) que, mesmo depois de voltar dos mortos e com um corpo bem diferente do que tinha (que até podia ultrapassar portas e paredes), manteve uma coisa especial do corpo anterior - os sinais dos cravos. E com eles, curou o incrédulo Tomé.


A minha oração é que eu valorize cada minuto nesse processo de "marcação". E em silêncio, sem queixume ou apontamento de possíveis promotores desse momento para além de Deus, acertando-me com Ele. E valorize, o que quase ninguém quer. Que talvez até os anjos desejassem se lhes fosse permitido, mas que hoje, aos humanos, não trazem sucesso algum.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ó tentação dos atalhos...

Como é difícil esperar. Pelos outros, pelos processos, pelos frutos, pelos resultados... Esperar pela resposta do organismo a um medicamento, pelo resultado de um trabalho feito,... Não é, definitivamente fácil, esperar pelo que não está nas nossas mãos.

Isso exige de nós paciência, confiança e perseverança.

Essa, aliás, parece a coisa mais difícil ainda, quando se pensa no caminhar do crente, esse que, como o nome diz: "Olha com os olhos da fé, para o que está além das circunstâncias", mesmo que não seja ele um religioso. Um cientista ateu, tem igualmente que saber esperar pelas respostas de um experimento, ou de uma pesquisa.

Nesse campo, percebo o quanto o perseverar foi e é uma matéria cara, ao olhar aos relatos bíblicos.

Neles, há histórias que bastem de situações que exigiram muita firmeza entre o primeiro passo - as ações e feitos - e o resultado esperado. Sempre que teimaram em encurtar a coisa, deram com os burros n'água. Alguns chegaram a fazer a coisa certa, mas na hora errada e do modo errado. E comprometam tudo.

Às vezes, assusto-me com a quantidade de pessoas - as mesmas, sempre - a atenderem apelos por oração, a frequentarem reuniões, campanhas e outros eventos do desespero à cata de bênçãos, livramentos e milagres. E não faltam os que se aproveitam dessa fraqueza, a explorar-lhes a deficiente disposição em aguardarem que dos céus, lhes chegue a resposta. E dispõem-se mesmo a pagar uma fortuna pela fantasia de poderem chegar lá, andando menos e esperando pouco.

Custa-nos discernir que "TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" (Ec 3:1).

Hoje, mais uma vez, fui lembrado disso, do quanto custa-me esperar pelo que não posso controlar. E dessa tentação terrível para apanharmos os atalhos, quaisquer que sejam eles, que nos tragam a ilusão de podermos avançar, ou darmos um jeitinho que agilize tudo, que encurte o caminho longo - e um tempo que desconhecemos - a percorrer.

Como bem recomenda-nos São Paulo: "e, depois de haver feito tudo, ficar firmes" (Ef 6:13).

Ao invés de tentar apanhar um caminho improvisado sob o risco de desviar-me do propósito, do alvo, preciso mesmo é de me firmar. E saber esperar!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A justiça que se propôs e a que se promove

Fiquei surpreso e surpreendemente frio com a notícia do abatimento de Bin Laden.

Para dizer a verdade, não fiquei feliz ou triste. Só surpreso - como aliás meio planeta (talvez o outro nem saiba que o sujeito existia).

Réu confesso de atrocidades por esse mundão, das torres gêmeas do World Trade Center à ataques bombistas no Afeganistão, no Iraque, e em tantos lugares, o criminoso teve o que mereceu, podemos pensar.

Sim. Era questão de tempo a mais poderosa nação do planeta colocar-lhe as mãos e, fazer justiça.

E o que é mesmo isso que chamamos justiça? Equidade? Equilíbrio? Será mesmo que conseguimos estabelecer justiça equilibrando a balança pondo-se peso nas pontas? E assim, voltarmos a nos relacionar em igualdade de condições?

Um ato contra o direito pendendo o braço do aparelho, um outro, em nome desse direito desrespeitado e punitivo no outro.

Matou-se o matador e já está. Vingamos a morte de milhares de inocentes das atrocidades de um grupo que usa o nome de Deus, ou de uma divindade que nos assusta e, zerou-se a conta. Será?

Sem querer ser, mas assumindo o perigo, desde já arrisco um raciocínio inocentemente simples e, por isso mesmo, passível de parecer simplista, me pergunto: O que teria acontecido se os Estados Unidos da America tivessem após o 11 de Setembro, gritado em alto e bom som: "Muito bem. Doeu muito. Ainda doerá. Mas diante de todos e, de Deus, esse, a quem não conseguimos atribuir barbáries, nós os perdoamos!"?

Se é na base das comparações, essas que nos atormentam e nos fazem perguntar: Porque matam em nome de Deus? Como é que se atrevem a dizimar crianças, mulheres - muitas grávidas - profissionais do socorro, médicos, funcionários que nem sabem onde é que fica a Palestina ou Kabul? Como podemos nós, dizendo-nos seguidores de outra filosofia, de outro Deus, esse, civilizado, ocidentalizado respeitador dos direitos humanos e da vida humana, pudemos atacar países inteiros, trucidar pessoas (muitas, igualmente inocentes), promovermos prisões, torturarmos e matarmos em nome da justiça?

Perdoem-me os que acham que estou defendendo o terrorista mais famoso do planeta. Só estou perguntando o que o Deus (esse, do ocidente!) faria, uma vez que Ele nos ensinou a perdoar?

Quando olho para o que estamos construindo, só posso lamentar o que parece ser uma tremenda confusão, com base no que Cristo nos ensinou. Por Ele, a justiça faz-se pelo meio, não pelas pontas.

Uma justiça onde abre-se mão do direito ao invés de reivindicá-lo. Ou não foi isso que Cristo ensinou, quando o Justo deu-se pelo criminoso? O que era santo, morreu pelo pecador? Ou como Paulo nos lembrou quando afirmou, que sob essa nova ordem a que chamamos Reino de Deus, "o que colheu muito, não colheu para que sobrasse e o que de menos, não colheu para que faltasse", porque no Reino, um oferta ao outro, repartindo o mantimento, como também oferece a face ferida, ao invés do revide e da cobrança, abrindo mão do merecido ato reagente e, ao invés de pagar com a mesma moeda, oferece-se a oportunidade do perdão e da graça. É assim que consegue-se equidade, equilíbrio e a concórdia, restabelece-se, propôs-nos Jesus. E olhem que já vi isso muitas vezes. E o poder que isso tem no estabelecer-se a paz.

O mais duro dos corações, não fica frio diante de tal ato contra a lógica e a "justiça" humana. Já vi os mais durões despencarem com maior rapidez diante do perdão oferecido, do que fariam
se recebecem o pagamento na mesma moeda. E, mesmo que isso não acontecesse, o que perdoa sai maior, melhor, mais em paz consigo mesmo do que antes, com a amargura armazenada, que envenena e mata o ofendido, não o ofensor.

Nem imagino o que teria acontecido quando, surpreendido, o mundo todo naquele 11 de Setembro, o povo que fora ferido, oferecesse perdão. Teria sido uma loucura. Creio que teria parecido para a maioria, a mais completa idiotice. Aliás, foi isso mesmo que devem ter pensado, quando o Senhor propôs tudo isso.

Me desculpem o atrevimento. Só estava pensando cá com os meus botões... o que realmente teria acontecido.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Há coisa pior que a morte!


Lição que ouvi agora mesmo, do Gilbertinho, um amigo muito querido que há poucos dias perdeu juntos, a esposa e o seu único filho, a quem pretendi consolar:

"Entender, aceitar sem revolta, não é o problema. A dor continua. Só a graça de Deus e a comunhão dos amigos é que nos ajuda a continuar. Através desse episódio, tive acesso ao coração de gente como nunca consegui. Morte é estarmos vivos e não sermos próximos".

Parece mesmo que o estarmos perto sem que sejamos próximos é essa coisa pior ainda...

Temos muito ainda o que aprender sobre a vida...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Pequenos delitos, grandes prejuízos

Fiz essa foto ontem, 16 de Março, em frente a um supermercado onde costumo ir (DeVille, do Ubershopping).

Era o de sempre: Mais um carro estacionado numa vaga para um portador de limitações motoras, embora o cidadão em questão, portasse excelente saúde motora e não um cartão identificador que legitimasse a sua conduta.
Nada mais sintomático de um país que naufraga no mar da falta de ética, embora tente ocupar um lugar de destaque entre as grandes potências.

Também é uma mostra cínica da cidade onde vivo, retrato também da "justiça" que teimamos em pleitear - aquele que nos prejudica, que causa sensação na mídia, mas que negamos aos nossos iguais, quando o benefício pende para o nosso lado e nos julgamos mais digno de recebê-la, por alguma circunstância.

O carro ai da foto, protesta o Fim da Impunidade - talvez para os assassinos das nossas ruas, os traficantes, os estupradores, ou talvez para essa hipócrita condescendência para com os "menores de idade", mas não em tamanho e perversidade, a quem os crimes, bárbaros, lhes são inimputados por serem "imaturos" e "cidadãos em formação", ou então, exige a punição severa para os nossos administradores públicos e políticos que tanto nos envergonham e cujas leis (feitas por eles próprios!), nunca os "enquadram".

O problema que se pode ver, é que o cidadão ai, reclama no atacado e peca no varejo.

Mostra-se consciente com o exercício da sua cidadania, mas passa por cima de uma regra ridiculamente inferior, deve pensar ele - o respeito a quem tem lutado pela vida como qualquer um, só que em desigualdade de condições - um deficiente físico, ou como queiramos designá-los, segundo o dicionário do politicamente correto.

Um absurdo. Mas é o retrato da sociedade que construímos: cinismo e desrespeito ao próximo.

Pode parecer algo pequeno, uma infração que sequer merece uma nota dessas. Mas é justamente essa raíz que tem reproduzido os problemas e construído essa nação injusta e perversa.

Ali, está o DNA do narcotráfico, do crime do colarinho branco, e tantos outros. É só uma questão de preço e oportunidade, como diria a piada de Juca Chaves sobre a pessoa que se vende por 10 ou por um milhão de reais. A isso chama-se prostituição, por pouco ou por muito.

Quem tem ouvidos para enxergar, que tome nota! Esse país nunca vai chegar a lugar algum!

"Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como um rio perene." Amós 5:24

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vale a carne! Dos foliões ...e a dos crentes!

Nesses dias de carnaval, participei da alegria do povo, das baterias, das bandas, da folia como nunca: no meu quarto!

Não que tenha sido preciso eu descer do apartamento onde vivo atualmente para participar da maior festa popular do mundo, mas fi-lo ao ouvir com a força de uma caixa de som postada à cabeceira da minha cama, com toda a potência da farra, vinda de uma praça a poucos metros de casa.

Quanto mais se aproximavam os dias, mais via crescer a minha preocupação com a algazarra que atravessaria madrugada adentro - previsão essa que se mostrou acertada.

Comecei a torcer pela chuva, por um temporal na realidade, tudo que pudesse atrapalhar a coisa toda da qual nunca vi a menor graça.

Ao passar pelo local do evento, na tarde do primeiro dia, reparei nas barraquinhas de lanches, de comida, bebida, presentes sempre em qualquer que seja a aglomeração humana e refleti para além das minhas comodidades.

Sempre achei o carnaval uma festa vibrante e da manifestação legítima da alegria (pouca, diga-se de passagem) do povo, das suas artes, mas também pelo lado terrível - a dos excessos - da bebida, da sensualidade exacerbada, dos exageros, que comumente podem trazer arrependimentos para toda uma vida, para muito além dos quatro dias de folia.

Uma festa enfim, que deixa de lado as virtudes e acaba por incentivar os instintos e nos expõe a perigos. Nada menos cristão.

Reparei também, nos comentários irados postados nas redes sociais, vindas dos cristãos. E, particularmente, dos religiosos. E ai, me vi em cada duma delas...

Acabei por me lembrar do episódio da aldeia samaritana que proibiu Jesus de entrar pelas suas portas em Lucas 9, negando (como fazem muitos hoje) que Ele se achegasse até eles, provocando nos discípulos - em alguns, é verdade - uma ira não justificada, ao desejarem que fogo lhes caísse dos céus contra aquele povo rebelde. Com esse desejo, eles igualmente, estavam dando vazão à sua carne e não aos princípios que lhes propunha o Senhor.

Voltei-me das minhas intenções egoístas que só pensava no meu bem-estar. E pedi, envergonhado, algo diferente a Deus.

Que Ele abençoasse aqueles comerciantes que comem o pão honestamente e, ao povo, para que tivessem uma diversão o mais saudável possível. Com barulho ou sem.

Que me perdoem os religiosos, mas diante de um povo que não dá ouvidos - nem espaço a Deus - prefiro pedir que os céus lhes seja propício e que os abençoe livrando-os deles próprios e das suas paixões tresloucadas.

Ao ver os comentários de muitos desses vaidosos "crentes" que manifestaram vontade de alguma chuva - até de fogo - celeste, como eu próprio o desejei, fecho com Cristo que, diante de uma Jerusalém hostil e a ele igualmente fechada, chorou pela sua dureza de coração e resistência, desejando aninhá-la debaixo de suas asas protetoras.

"Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens,..." Lc 9:56

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Príncipe das Trevas dançou! Já era o coisa-ruim!

Boa notícia: Finalmente, alguém destruiu o capiroto, o coisa-ruim, o pé-redondo. E o vídeo ai abaixo prova tudo.

Milênios depois da queda de um terço dos anjos celestes em desgraça e com direito a ficha suja no cartório de Deus (e como diriam os vendedores das Organizações Tabajaras), OS NOSSOS PROBLEMAS SE ACABARAM!

Podem noticiar - e esperar: O Beira-mar vai bancar sozinho as campanhas da fraternidade, o Sarney vai dançar no grupo de bailado da Ana Paula Valadão (e finalmente dar alforria à pobre população do Maranhão), o congresso nacional vai virar centro de Encontros do G12, os Judeus e os Árabes finalmente vão jogar no mesmo time, fundando o Grêmio Palestino e à partir de hoje, todo morro carioca vai virar filial da Disneylandia - e com entrada livre porque o capitalismo selvagem (e até o civilizado), a-ca-bou!

Fora as prestações extorsivas das Casas Bahia, abaixo o Leão do Imposto de Renda! O chefe deles todos, o Tinhoso, o Acusador, o Pai-da-mentira foi pro beleléu.

Acabou o mal. O chifrudo levou umas azeitonas bem-merecidas nos cornos (e será que foi pro inferno?).

Viva o apóstolo-franco-atirador do vídeo. A humanidade toda fica lhe devendo! Cara, como é que não pensamos nisso?

video

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sobre a fé e as crendices...

Sou um cara de fé. Mas não de crer em qualquer coisa (sou cartunista, não? E todo cartunista é cético e crítico).

Talvez por isso tenha demorado tanto pra virar um cristão (lá pelos meus 15 anos, quando já distribuia jornais de esquerda, subia em caminhão pra falar contra a ditadura, por descrer do regime e das "fotos e versões oficiais").

Mas faço distinção entre fé e superstição.

Superstição é aquilo recomendado por alguém, o que não provei, o que não experimentei, ou vi evidências, nem físicas, sensoriais ou racionais.

Sem fé é impossível andar com Deus. Ele não vai caber nas minhas limitadas capacidades. Vai ser loucura. Mesmo as Suas coisas mais sábias, vão-me parecer idiotas e sem sentido.

Ele não vai ser medido, nem compreendido, nem percebido pelas minhas faculdades.

No livro de Hebreus, leio que é preciso que aquele que Dele se aproxima, tem de saber quem Ele é, muito mais do que simplesmente existir - a maioria, nem que seja por exclusão, tem um dia de que crer que Ele existe. Mas conhecê-Lo, isso sim, faz toda a diferença. Dai que a fé vem sempre pelo ouvir e o ouvir pela Sua Palavra.

De resto, o que há são crenças, superstições e achismos. E teologias de boteco (tasca em Portugal!).

Sem fé - essa fé - Deus não é Deus. É uma divindadezinha imbecil.

Sem fé, Deus é o inimigo, não Ele mesmo. Sem fé, Deus é religião.

Sem fé, Ele vai ser o Juíz. Implacável, com os nosso atos todos à mão, sem graça nem misericórdia. Sem saber o que é sofrer, o que é estar-se à mercê de uma carne fraca.

Sem fé, vai ser o amigo interesseiro, pronto a nos danar porque não demos, não ofertamos, sonegamos o dízimo, ou faltamos aos domingos santos. Aquele que abençoa ou ajuda, só se fizermos o que ele deseja. Que é fiel, quando muito, se formos-lhe fieis.

Sem fé, Ele nunca vai ser o pai. Vai ser só a criatura-monstro, que abandona os filhos que gerou à mercê de si mesmos, só porque não fizeram o "Curso de Batalha Espiritual - nível 8, avançado e profissional". Ou porque não investiram em investigar onde, na sua hereditariedade, no passado familiar, está o sapo enterrado que os amaldiçoa no presente. Que não aprenderam o seu nome em hebraico, ou fantasiam-se de judeus, mesmo que tenham nascidos orientais ou em algum lugar lá na Bahia. Elas se danam pelas Suas mãos perversas.

Sem fé, nunca vai ser o pastor - o que dá a Sua vida pelas ovelhas, mas o que as entrega ao lobo para tirar algum lucro, vendendo-as por algum benefício, comendo a sua gordura e vestindo-se da sua lã.

Sem fé, é impossível agradar a Deus pois Ele ama o que Dele se aproxima, sabendo que Ele é quem é, e com o coração desejoso por prová-Lo. E saber que Ele é bom.

Como disse o meu amigo Caio, "o galardão da fé é o próprio Deus".

(Hebreus 11:6) - Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele é quem é, e que é galardoador dos que o buscam.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Meu São Felipe do Karaíba


Para quem não ouviu ainda sobre esse santo, vou apresentar: São Felipe é o meu neto mais novo. E vive no Jardim Karaíba, em Uberlândia, Minas Gerais.

Sim, pelo entendimento bíblico neo-testamentário, o figurinha de apenas 3 anos, é santo. Não que seja infalível, lógico, mas é alguém que pode descansar na graça divina e na sua inocente (única) possibilidade de vida que é o estar num lar cristão, vivendo já debaixo da fé e prática de uma família que crê em Cristo.

Pois bem, ironias à parte, o meu rapazote, é um ás em conjugar quase todo dia, diante de uma vontade expressa, manifesta - e não satisfeita - com um "Mas eu quero!". Não adianta explicar, não adianta dialogar, o sujeitinho bate o pé e afirma: "...Mas eu quero!"

Fosse ele esses santinhos de devoção e andor, seria com certeza, o padroeiro de uma classe de gente que dizendo-se cristã, tem de tudo, menos uma alma confiante na sabedoria, na providência e cuidado do Senhor supremo e regulador das nossas vidas.

Esses, que confundem fé com obsessão - aquele desejo que, de tão ardente, não permite outra possibilidade para além da sua satisfação. E imediata. Sem esperas.

E dá-lhe ofertas, oferendas, promessas, jejuns sacrificiais, dando mesmo pra se ouvir o bordão: "Mas eu quero!". E pronto. Ai se nós - ou Deus, ou os céus, ou a vida, não os satisfizerem.

Gente que confessa uma fé por fora e ergue um altar pra sua alma não tratada por dentro.

Diante das lutas (coisa comum a qualquer mortal), grita logo - "Não aceito", ou "Rejeito isso, rejeito aquilo", ou pior ainda, grita mandingas e outras esquisitices tornadas moda em certos círculos cristãos, dando ordens, imagine - a Deus, o Todo Poderoso, o Supremo regulador do Universo. Já até há teologias pra justificar a sandice. Nelas, o homem é nada mais que uma criança mimada a quem Deus tem de Se dobrar e a vida é um mero script feito, pronto e acabado onde tudo gira à volta e tem-se de amoldar. O plano está feito e acabado.

Cresci, como o Felipinho, até que aprendi com os meus pais, a sempre terminar as minhas orações com um "Seja feita a Tua vontade". Mais tarde, achando progredir, pensei ser possível manipular e fazer o Senhor, virar um mero serviçal das minhas idéias e desejos. Ser cristão era ser arrojado, ter fé era ser obstinado... ser cabeça e não cauda, estar-se por cima e não sujeito à vida.

Idiotices. Depois de muitos tombos, lutas e de conhecer mais desse Senhor o das Escrituras, "que tira do seu bom tesouro somente coisas boas (ainda que algumas difíceis de engulir!), acabei por render-me e, acatando a sugestão paulina de "dar graças em tudo", buscar descansar no fato de Deus saber, não apenas mais que eu, mas saber tudo e me amar de verdade, e embalar as minhas orações com o... "Faça-se a Tua vontade". Não é fácil, mas é o recomendável. E Deus tem-me provado isso.

Nada se compara à Sua sabedoria (que os homens, na sua lógica e coerência, chamam loucura). Nada é mais seguro, ainda que, em algum momento, signifique desconforto e transtorno, que os Seus caminhos.

O meu São Felipinho continua na sua inocência e teimosia própria de menino, guardado, além de Deus, por todos nós que o amamos e o protegemos.

Os que, apesar de grandinhos, ainda continuam na sua obstinada auto-proteção egoísta, podem acabar como o tal povo no deserto (Salmos 106:12-15) que bateu o pé e recebeu, mas ganhou no final, só o amargor de alma, próprio de uma criança castigada, não por sua inocência, mas pela rebeldia.

Quem estribado no seu próprio entendimento, não abre mão da sua vontade diante da possibilidade de Deus o contrariar, pode acabar recebendo o que pediu. E pagar caro por isso.

"Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes." (Tg 4:6)

Para quem quer se aventurar a fazer ao "santo" uma imagem, tá ai em cima (lindinho tal como o avô!).

domingo, 2 de janeiro de 2011

A segurança do chamado!

Não nascemos para nós, mas para cumprirmos um propósito. E esse, desenhado antes de nós mesmos.

Quanto mais nos alinhamos com ele, tanto mais nos sentimos seguros na vida, posto que não estamos à mercê dos ventos e das circunstâncias.

Sabemos a que viemos e para onde caminhamos, o alvo para o que o apóstolo Paulo fala que dirigia a sua vida.

Não há então a ansiedade, mas a determinação.

Mas viver esse projeto, tem o seu preço. Sabemos que Deus mesmo se encarrega de nos acompanhar e, de perto, nos segurar.

Protegidos, ninguém está. Nunca. Fiquemos certos. Mas seguros.

Talvez, como os seguros de automóvel, que nos garantem o apoio em caso de acidentes, mas nunca nos isenta que eles nos aconteçam.

Assim, com a segurança em Cristo, prossigo nessa jornada em 2011. Como foi sempre até hoje.

Com frio na barriga às vezes, solitário em outras, com ou sem fundo musical, sigo. Em desassossego em várias situações. Mas elas sempre serão só isso - situações. Passageiras, como são tudo o que se pode ver. E o que não se pode ver, nos acompanhará - o eterno amor e cuidado de Deus. Com ou sem acidentes.

Boa jornada!

"Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 8:38,39

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano novo, disposição nova!

Todo dia devia ser como a passagem de ano.

Tudo é o mesmo - a vida, a duração das horas, as circunstâncias todas... o que é novo, para além da sensação (e desejo) de encontramos diante de nós uma folha em branco à espera de um novo script?

Vamos para as celebrações com aquela alegria, a de comemos com os amigos, de desejamos a todos a nossa melhor expectativa e desejos, mas a rigor, logo todos nos damos conta que a coisa afinal, não era lá essa coisa. O que houve, foi só a empolgação de recomeçarmos!

Ainda me lembro dos meus inícios de ano na escola - cadernos novos, livros novos, uniforme novo, canetas, lápis... que contavam sempre com a minha determinação de ser-lhes mais atencioso e cuidar para que não se acabassem em rasgos, sujeiras... Mas com o passar dos dias, esse coração disposto e animado ia dando lugar à monótona experiência do caminhar sem atenção, empurrado pelas circunstâncias e o velho ia-se fazendo presente mais e mais, até a próxima "viragem de folhinha dos calendários".

Hoje me apercebo que o que era novo mesmo, era só a minha disposição de, em alguma maneira, ser um melhor mordomo do tempo, numa visão mais ampla do que simplesmente olhar e cuidar das coisas concretas, tangíveis, como os lápis e cadernos.

Tudo o que desejei nessa virada de ano, é olhar mais atentamente para as coisas pequenas, pros detalhes e cuidar para viver com intensidade o dia que vou passar, não importa se ele estará no início, no meio ou no fim do calendário da minha mesa.

Cuidar para amar mais intensamente, abraçar mais fortemente, guardar as amizades, expandir zeloso a minha afetividade, curtir mais cuidadoso o que me virá às mãos...

Hoje tenho a ideia que a eternidade, do que tanto nos fala as Escrituras, é muito mais que apenas um número incontável de dias, intermináveis, mas tem a ver com um único dia intenso, vivo e que nunca se acaba.

Como pode bem ser a nossa disposição. E essa, todos os dias! Aquela de não sermos movidos pelo "empurrar-com-a-barriga", o cumprir a tabela, o fazer só o mínimo, só o básico, olhar só para a superfície, para a casca e não para os interiores, pra moldura e não para o quadro. Olhar pro alto, ainda que obrigado, pelas demandas da vida pratica a olhar sempre pro chão.

E curtir a presença do Deus presente, que vive dentro e não fora de cada um de nós e que nos livrou do medo e do que é pequeno e do que nos limitava a visão.

É o que desejo aos amigos e irmãos. A você que sempre está próximo, mesmo que longe.

Feliz dia novo. Sempre!

"Mas agora temos sido libertados da lei, das regras e imposições, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra." Rm 7:6