quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A mesa (e o prato) que mais amo...


Dias atrás, fiz esse cartoon acima - uma humilde visão revisitada à obra de Leonardo Da Vinci - sobre uma mesa muito especial, do que nos conta os Evangelhos: a última ceia de Cristo.

Sendo eu um conhecedor e apreciador da boa mesa (não há como negar as minhas raízes ítalo-luso-brasileiras!), essa última, a ceia do Senhor particularmente me apaixona. E muito. Ela não fala só do prazer de provarmos o pão, o vinho, mas junta-os à comunhão. à presença de amigos com quem repartir.

Ela é mais especial ainda pois à sua volta, não estão somente os que pensam de forma parecida, concorde (igual mesmo, só um caminhão cheio de japoneses, que é pra não falhar com as minhas piadas de origens quase nipônicas do interior do Oeste Paulista), mas também os "desviados" e ...inimigos (afinal sem comer com eles, como trazê-los ao nosso coração?).

A mesa que Deus nos preparou é pra todos. E está acessível a todos, embora a nossa religião, pequena, carnal, míope, faça dela uma propriedade e exclusivo privilégio.

Dou sempre graças porque na nossa tradição cristã católica apostólico reformada, celebramo-la todos os meses (Calvino o fazia em todo serviço ou culto, mas deixou-o depois por medo de, ao repetirmos com tanta frequência, corrermos todos o erro de banalisá-la como memorial e ensino à comunhão, ou pior, fazer como os cristãos de Corinto, que vinham a ela pra encherem o pandú, tirarem o seu próprio bocado, sem considerar que o melhor dessa mesa (e de qualquer outra) é justamente o tempero do "com quem" e não o "o que" comer.

Meditando nessa verdade, lá em casa, as minhas filhas já aprenderam uma lição que cremos, seja essencialmente bíblica: "melhor é comer um hamburger acompanhado dos amigos que uma picanha sozinhos". O melhor tempero da mesa de Cristo é com quem repartir o que temos.

Nesse cartoon do auditório da nossa comunidade em Uberlândia-MG, a mesa está fracionada, partida, à espera do esforço de todos para trazê-la uma só, sem separações. E não deixar ninguém, quem quer seja, distante da mesa que Jesus já nos preparou.

5 comentários:

Samuel disse...

Maravilha, Rubinho. Quero estar sempre à mesa com o meu salvador e meus irmãos.

Abraços, Samuel Costa

Arlete Castro disse...

Simplesmente fantástico. Repito a tua afirmação de uns tempos atrás:
Que honra ser amiga de um artista como você. Amamos-te amigo! Deus te abençoe

Amelinha disse...

Muito bom! Foi um prazer conhecê-lo!

disse...

Seu texto me fez lembrar de um texto de Paulo Brabo que diz assim:

Sentar-se à mesa com alguém, em praticamente todas as culturas, é ato que pertence ao domínio do sagrado; em algumas tradições “comer juntos” envolve mais tabus, trâmites e privilégios do que dividir o ato sexual. Não é à toa que “companheiro”, que se origina no latim companis/cum panis, signifique “aquele com que se divide o pão”: comer com alguém é repartir uma plena horizontalidade, é reconhecer sem reservas uma identidade compartilhada. Dividir o pão é fundir a alma.


Adorei seu texto. paz querido!

Vanessa Figueiredo disse...

Olá, sou da comunidade de Uberlândia e quando vi essa arte fiquei encantada com a mensagem que ela trás, foi lindo ver ali o que realmente a Bíblia diz. Quando vi o quadro fiz a seguinte leitura:ninguém estará de fora,todos são convidados a compartilhar o mesmo pão e o mesmo vinho, independente de raça,cultura e até porque não, rede social (hehehe)!Meu marido e eu somos admiradores do seu trabalho.