sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Novos tempos...


"E PEDRO e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona. E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam. O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós. E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa. E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram. E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus. E todo o povo o viu andar e louvar a Deus;..." (Atos dos Apóstolos 1:3-9)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A mesa (e o prato) que mais amo...


Dias atrás, fiz esse cartoon acima - uma humilde visão revisitada à obra de Leonardo Da Vinci - sobre uma mesa muito especial, do que nos conta os Evangelhos: a última ceia de Cristo.

Sendo eu um conhecedor e apreciador da boa mesa (não há como negar as minhas raízes ítalo-luso-brasileiras!), essa última, a ceia do Senhor particularmente me apaixona. E muito. Ela não fala só do prazer de provarmos o pão, o vinho, mas junta-os à comunhão. à presença de amigos com quem repartir.

Ela é mais especial ainda pois à sua volta, não estão somente os que pensam de forma parecida, concorde (igual mesmo, só um caminhão cheio de japoneses, que é pra não falhar com as minhas piadas de origens quase nipônicas do interior do Oeste Paulista), mas também os "desviados" e ...inimigos (afinal sem comer com eles, como trazê-los ao nosso coração?).

A mesa que Deus nos preparou é pra todos. E está acessível a todos, embora a nossa religião, pequena, carnal, míope, faça dela uma propriedade e exclusivo privilégio.

Dou sempre graças porque na nossa tradição cristã católica apostólico reformada, celebramo-la todos os meses (Calvino o fazia em todo serviço ou culto, mas deixou-o depois por medo de, ao repetirmos com tanta frequência, corrermos todos o erro de banalisá-la como memorial e ensino à comunhão, ou pior, fazer como os cristãos de Corinto, que vinham a ela pra encherem o pandú, tirarem o seu próprio bocado, sem considerar que o melhor dessa mesa (e de qualquer outra) é justamente o tempero do "com quem" e não o "o que" comer.

Meditando nessa verdade, lá em casa, as minhas filhas já aprenderam uma lição que cremos, seja essencialmente bíblica: "melhor é comer um hamburger acompanhado dos amigos que uma picanha sozinhos". O melhor tempero da mesa de Cristo é com quem repartir o que temos.

Nesse cartoon do auditório da nossa comunidade em Uberlândia-MG, a mesa está fracionada, partida, à espera do esforço de todos para trazê-la uma só, sem separações. E não deixar ninguém, quem quer seja, distante da mesa que Jesus já nos preparou.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Saudosa maloca que não volta mais...


"Si o senhor não está lembrado, dá licença de contá..."

Com essas palavras, começava o samba, um dos mais famosos, do não tão menos especial Adoniram Barbosa.

Tão simples quanto os seus versos, mas com cheiro, gosto e o sotaque carregado de italianidade de São Paulo, me lembro da sua frágil figura, de chapéu e guarda-chuva pendurado no braço, vez ou outra, encostado ao balcão de um café que existia na esquina colada à Escola Superior de Propaganda e Marketing, onde estudei por quatro anos.

Estávamos ainda - eu, estudante - e a faculdade, posteriormente transportada para a Vila Mariana, na Rua Rui Barbosa, no encantador bairro do Bixiga, bem ao lado do Frango da Concheta (ainda hoje aberta, mas na rua de trás, a Treze de Maio).

Era uma festa para mim, caipira do interior, encontrar-me com a ilustre figura, a quem pelo menos uma vez, pude oferecer uma xícara de café.

Hoje, faz cem anos que nasceu o poeta, desaparecido em 1982, pouco tempo antes de eu me formar.

Muita água já rolou e nada é como antes.

Aprendi também, e na pele, em todos os desafios que enfrentei, que o poeta estava correto ao afirmar que "Deus dá o frio conforme o cobertor" (não seria essa, uma versão sambística do verso bíblico que afirma que Deus não permitirá que sejamos tentados para além das nossas forças de 1 Coríntios 10:13?).

Já não vivo em São Paulo, já não é comum a garoa que tanto fez famosa essa metrópole, já não existem os prédios e referências de muito da minha vida passada ali, como aliás, bem o disse Adoniram, em Saudosa Maloca*, sobre a demolição de sua habitação comunitária. Mas ainda me é viva na memória a sua simpatia para conosco, estudantes orgulhosos do personagem bem ali à nossa frente (embora tivéssemos o cuidado de não o demonstrar).

Nessa dia em que se comemora o seu centenário de nascimento, a minha homenagem humilde à memória do meu vizinho ocasional e a gratidão de um tempo de sacrifícios, da vida de estudante, dos busões que tomei, das madrugadas a trabalhar e a estudar, dos primeiros anos de casamento... tão importantes na minha história.

Aproveitei nessa noite de nostalgia e usando a letra de Adoniram, para traduzir o meu tempo em Sampa:

...Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossa vida.

Salve São Paulo, viva Adoniram!


*maloca, substantivo feminino 1- conjunto de habitações de indígenas; aldeia, habitação de várias famílias