terça-feira, 16 de março de 2010

Sobre os tremores e temores

Falando em tremor de terra, abalos sismos (parece que está na moda)... É impressionante notar como, do nada, somos visitados e abalados com os tremores de chão existenciais.

São situações adversas, desafios atrevidos que nos chegam sem anunciar, notícias, dissabores, tantas coisas que fazem com que nos faltem o chão debaixo dos pés...

Até aquela advertência: "Aquele que está de pé, cuide para que não caia", ganha ares de vaticínio ameaçador à nossa alma, declarando a nossa fragilidade diante dos abalos a que estão sujeitos todos os mortais.

Mas tenho descoberto algo (a duras penas!): Tão infrutífero quanto tentar salvar o que prezamos, é tentar lutar contra Deus. Isso. Ele próprio.

Acontece, que vez por outra, Deus mesmo, aparece em cena com todo o interesse em nos abalar as estruturas e, principalmente aquilo tudo que pode ser abalado em nós, como que, num estremo ato de cuidado e amor, encarrega-Se o Soberano em derrubar ao chão, tudo o que, em nós, não tem firmeza alguma. Como que demolindo com antecedência. E por misericórdia, antes que nós próprios, num dia precisando nos apoiar, descubramos aterrados que essas estacas da existência não tinham a consistência que julgávamos e o tombo de machucar pra valer, esse sim nos sobrevenha.

Ontem, aconselhei e orei com uma jovem, bem nova ainda, aos prantos, ao constatar que o seu namoro depois de anos, afinal acabara. Como uma estaca que se partiu num leve sopro (leve para nós que estamos de fora, claro!), refleti sobre essa possibilidade, até já declarada na Palavra como certeza e propósito, vinda dos céus. A pobre moça, no mínimo, pode pensar e repensar melhor sobre o que tinha já por garantido.

Lendo o texto de Hebreus, me pergunto se, ao invés de nos lamentarmos pelos dissabores de vermos no chão as nossas bases, não nos perguntamos o quanto delas tinha a ver com o projeto eterno de Deus para nós, para o Reino (que não pode nunca ser abalado), e com o que de melhor pode nos acontecer?

Na hora dos abalos e terremotos, que eu não me esqueça disso e não me pegue a tentar segurar o que tem mais é que ser derrubado.

"Aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu. Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor;" Hb 12:26-28