sábado, 27 de março de 2010

Não basta ser avô...

A minha filha foi com o marido, cuidar do acampamento dos adolescentes da igreja.

E eu? Eu? Fiquei com os netos. Depois de consultada toda a lista telefônica dos amigos do casal à procura de solução melhor.

Supremo privilégio, inédito pela distância das nossas vidas.
Foi boa a experiência? Podem perguntar... posto que a avó, animada por um curso de fotografia, está a duas semanas em São Paulo, a 700km longe daqui.

Apanhei-os à porta da escola. Dei-lhes banho, enquanto fazia o jantar, parando uma ou outra vez pra salvar o sabonete no vaso sanitário, pescar a toalha, nessa altura, já ensopada no box - a única que tinha disponível, uma vez que a filha, lembrara dos ursinhos, dos brinquedos, mas nada dessa peça imprescindível.

Corro, alimento-os enquanto me preparo eu mesmo, para o culto onde, faltaria sem dúvida, não fosse eu o pregador da noite. Para que se deliciem com os nuggets de frango - comprados, também às pressas no supermercado das proximidades - ensino, do alto da minha irresponsabilidade própria de quem não tem a menor obrigação de educar (avós servem para essas coisas!), introduzo na alimentação dos garotos, o kechup, aditivo para usar com os petiscos (adoraram a novidade, para o desespero e protesto dos pais).

Vou ao culto. Quando chego à igreja, o menor já dormiu. Acomodo-o num canto do salão, enquanto o outro já está no púlpito demonstrando seus dons precoces na bateria.
Seguro esse o quanto pude, dou o recado, orando mais que o costume para que os anjos todos de plantão numa Sexta à noite protejam a criança, nessa altura solta sabe-se-lá-onde e o pequenino, que ainda dormindo, não acorde nem a pau.

O culto termina, apanho o mais velho e o caçula, ainda abatido pelo sono e vamos pra casa onde, mal entramos, minha esperança de só ter de lidar com metade da tarefa desaparece tão logo o que jazia nos meus braços (ou de Morfeu) levanta-se e só volta ao sono, lá pelas duas da manhã.
Troco-os de roupa, asso uma fornada de pão de queijo, mais suado que tampa de marmita (eu, não o quitute), ajeito suco nos copinhos e tento ir para a cama terminando o dia, mais exausto que soldado em porta de estádio em final de campeonato.

Passo a noite num verdadeiro ring de Vale-tudo entre um e outro ponta-pé, cotovelada... dividindo a cama que um dia julguei ser king size.

Tento remediar, mas mal levo na ponta dos pés os meninos nos braços para o colchão providencialmente deixado ao meu lado, já o outro, sem que eu veja, se reinstala, acomodando-se na minha cama - e travesseiro.

Se por um lado agradeci a Deus pelo privilégio de os ter comigo, por outro, pensei profundamente no quanto a esposa me faz falta. E também a filha. E o genro. Enfim, qualquer um que pudesse me ajudar nessa noite.

O resultado? Deixo aqui as primeiras palavras da criança mais velha ao acordar hoje pela manhã: "Vô Rubinho, a lua hoje passou rápida, né?".

Quem não é avô não sabe o que é bom.

Pra tosse.

10 comentários:

Zé Luís disse...

Como é bom poder ser feliz com as coisas ordinárias que a vida oferecesse, sem "depender de".

Só em Cristo isso é possível.

Só conheci seu blog esta madrugada. Muito bom.

Fica na paz

Rubinho Pirola disse...

Caro amigo Cristão Confuso, ou Zé Luis... és ti?
Obrigado pelo seu coment. E pelo seu blog. Já o conhecia dos posts no Genizah. Você faz um bom trabalho. Fique firme, camarada que os tempos são maus...

Abração.

PC@maral disse...

Não basta ser avô.... TEM QUE PARTICIPAR!

Eu ainda não sou avô, mas tenho um sobrinho que é movido por energia nuclear. Tomar conta dele é o equivalente a um mês de caminhada. [minha esposa vive me cobrando isso].

Eu sei que no final, mesmo após toda a correria, quando eles pegam no sono, fica a sensação de quero mais.

Como disse o Zé Luis: "Como é bom ser feliz com as coisas [mudo apenas] simples da vida, que nossos sobrinhos e, no seu caso, netos, nos oferecem. basta um sorriso, uma palavra, para revigorar as nossas forças.

Que Deus te abençoe sempre!

Anônimo disse...

Querido pastor Rubinho! Parabéns pelo seu belíssimo trabalho com os netinhos!!!! Agora você tem que ensinar a nova geração de pais a serem assim, "se virar e dar conta do recado"!!!!! Beijos e saudadesssss

Anônimo disse...

Esqueci se assinar meu comentário!!! É a Dani direto da Inglaterra, esposa do Rodrigo Veiga e mãe do João Vitor amigo do Davi e Felipe, e irmã do Tunico!!!! Lembrou de mim????? Beijosssssss

Lara Gisela disse...

Oi Rubinho!
Saudades!!!!!!
Ri tanto ao ler esta mensagem! No comments. Mas valeu a pena, né? Só que da próxima vez convêm que a Bê esteja um pouquinho mais perto! Hehehe!
Bjs

Cristo, consolo para o cansado disse...

kkkkk, muito engraçado! Parece ser uma missão tão simples!!!

Lembrei de uma situação no fim do ano que tive de dar banho em um priminho! Aff,, tarefa dificil!!! Mas foi engraçado, ri de mim mesma! Tão simples e tão complicado ao mesmo tempo!! rsrs

Crianças são bençãos de Deus, e como somos abençoados em passar tempo com elas!!!

Fica no amor do Eterno!

Tete disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, Rubinho rachei de rir , sua saga com os meninos... Mas ta valendo quando chegamos no apartamento você tava vivo!! rs
Boa semana pra vc e pra Betania.
Beijos

Santidade disse...

Rubinho, tive o privilégio de te conhecer na convenção de acampamentos da AEA em Londrina ou Maringá...que bom poder reecontrar os textos , alias maravilhosos...parabens e tudo de bom. Darci Junior,pastor igreja crista evangélica

Moacir Viana disse...

só faltou a musica do "missão impossivel" de fundo musical...
muito bom o texto rsrsrsrsrss....