sábado, 13 de março de 2010

A melhor parte

Acabo de voltar do jantar (quase surpresa!) do meu aniversário dos 51.

Para além dos amigos, do cordeirinho assado e da boa carne da minha região, muita alegria e gratidão a Deus.

Mas,... sim, confesso uma quase sempre companhia em momentos especiais como esses - faltou mais o quê?

Acho que todos nós, vez ou outra, se vê a pensar - e em alguns, exteriorizar - aquele sentimentozinho menor, de atentarmos para o que faltou, o que passou (sal, açúcar, bebidas, um ou outro atropelo...), ou coisa que saiu pro torto.

Somos assim mesmo.

O erro tem luz e brilho próprios e quase sempre, o que está à nossa mão, passa pra segundo plano.

Pergunte a alguém que teve um dissabor qualquer numa festa, como isso lhe vem à mente mais rapidamente do que todo o acerto do momento. Ou melhor ainda - quem tínhamos ao alcance das mãos ou do abraço...

Hoje, por exemplo, podia ter-me lamentado por não ter a minha filhinha (a mais nova) que vive em Londres e o Felipe, meu quase-genro, ou os amados todos que deixei em Portugal, ou na Europa...

Somos assim mesmo - ao invés do quadro, teimamos em olhar para a moldura ou, pior, pra mosca assentada inadvertidamente num canto da obra.

Quantas festas foram estragadas por detalhes sem importância? Quantos encontros foram desperdiçados por coisas sem valor em si mesmas?

Você se lembra de alguma festa que foi estragada pelo peru, ou frango estar com mais ou menos sal, e nos deixamos levar pelo queixume e pelo desprezar do momento e das pessoas que estavam conosco à mesa?

Quando Jesus visitou Maria e Marta, esta última, preocupou-se tanto com o honrado visitante que se ocupou mais de organizar aquilo que, por tudo que conhecemos do Deus encarnado, nunca o preocupou - as coisas.

Naquela visita, Jesus quis mostrar à ansiosa Marta que o que vale são as pessoas, mais do que os detalhes, que as molduras, que essas firulas, alegorias e adereços.

Se continuássemos nós a narrativa, podíamos acrescentar - "Marta, Martinha-de-Deus, o pó e a poeira, sempre as teremos, mas não o amigo".

E essa foi a lição. Tão simples quanto isso: o que temos ao alcance das mãos hoje, nesse exato momento? Valorizemo-lo então. É isso, e não o que não temos, é que deve nos encher o coração atento para discernir entre um e outro.

Vamos viver esse, não o momento que não dá para ser agora.

Hoje, vou dormir feliz. E grato. Aquilo que Deus, o meu Pai me deu, foi muito bom. O que faltou, ora essa, não era mesmo para estar hoje. E pertence ao depois, a "outra festa".

"E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." Lc 10:41,42

6 comentários:

Elias Aguiar disse...

Feliz Aniversário, Rubinho!

Obrigado por abrir o coração.

Que os anos graciosamente
acrescentados
continuem a moldar
um coração sábio.

Deus te abençoe!

Um abraço fraterno,
Elias Aguiar

Rubinho disse...

Obrigado, mano Elias!
Desejo o mesmo para você - um coração sábio, o que, aliás, já vi os traços, no seu blog.
Retribuo o abraço fraterno, amigão!

Danilo Fernandes disse...

Querido!

Mais uma vez vai por virtual o meu abraço. Pena náo poder falar contigo.

Danilo

Alice disse...

Rubinho !! Um Feliz Aniversário pra vc !! e que Deus te abençoe sempre e muito !

e antes de ir embora, preciso te agradecer por estar palavras que li aqui...tu nem imaginas o quanto me ajudaram.

bjkas pra ti e pra BeTãnia ( saudades dela)

Miriam disse...

É verdade, somos mesmo assim! Que insatisfeitos!... Obrigada por ter compartilhado, foi de benção para mim. Eu também sou Marta (Marta Miriam) e às vezes comporto-me como essa!... Mas quero mudar :) Deus o abençoe

José Humberto N. Júnior disse...

Oi Rubinho,
Deus o abençoe com revelação e sabedoria!!

Coincidência, publiquei um texto exatamente sobre Jesus na casa de Marta. Com um ponto de vista diferente, Deus falou ao meu coração também!!

Abraço,
Júnior