quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Campanha do Abaixo Mamon!

Fui supreendido pela Campanha da Fraternidade de 2010 (assinada pela CNBB e mais um grupo de igrejas cristãs), mais especificamente pelo seu lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro", baseado em Mateus 6:24.

Creio mesmo que essa campanha tem destinatário identificado e conhecido, partindo de onde chegamos nós ditos "evangélicos": o fundo do poço.

Nunca antes na história deste país pregou-se tanto sobre dinheiro, riquezas, incentivando o que de pior todos temos como a ganância, o egoísmo e a cobiça, travestida de "verdades bíblicas".

A história mostra onde leva o amor do homem ao dinheiro. Os modelos econômicos idem, quando o motor da existência humana não é mais o amor à vida, a convivência solidária, mas a ganância e a sede do poder - o temporal, o passageiro e transitório, posto que tem aqui - na terra - o supremo alvo de todos nós.

Enquanto os judeus foram abençoados com promessas de fixação nessa terra, nesse chão, de prosperidade material, sem revelação alguma sobre o além, sobre o que teremos todos além da morte, no Antigo Testamento, a igreja, os fiéis da "segunda casa", receberam a revelação de uma pátria superior e um apelo insistente a que marchemos fiéis rumo à nossa cidade, onde Deus está entronizado, onde a riqueza, não tem outra serventia a não ser existir como pavimento da cidade celestial, para que a pisemos, sem outra importância alguma. Essa é a verdade. Basta que leiamos todos as Escrituras com olhar bem atento.

Mas, se Cristo mesmo advertiu-nos que o nosso reino não é daqui, vemos hoje outro evangelho ser pregado que enoja, ultraja e tenta roubar da cruz o seu real significado, que põe as riquezas e os poderes deste mundo no seu devido lugar. As riquezas são mais importantes que a vida humana e os governos (e os falsos apóstolos) todos estão ai, à mercê de Mamom.

Não nos iludamos - a crise que se instalou nesses dias recentes em todo o planeta foi e é motivada pela ganância. As guerras recentes do Iraque e do Afeganistão idem. A fome em toda a parte miserável do planeta também. E não acabará jamais porque cumpre ao homem, servir ao deus deste mundo - o ouro e a prata.

O comunismo faliu dentre outros motivos, porque ignorou que não há motivo maior para que o homem trabalhe a não ser a perspectiva do seu ganho pessoal e, dane-se o estado, dane-se o seu semelhante. E o capitalismo, na sua vertente mais cruel o liberalismo está posto como a religião que mais cresce no mundo, a que privilegia e serve o nosso ventre, privilegiando os bens e não a vida e a justiça.

(Muito se tem falado sobre o crescimento islâmico na Europa, mas pouco do poder que a divindade deste mundo que se esconde atrás dos seus santos e ídolos Nike, Audi, Rolex... podem fazer para amenizar o ardor religioso dos seguidores de Maomé - como também os de Cristo. Essa força terrena pode muito em seus efeitos...).

Batemos todos no fundo do poço da vergonha, por isso, essa Campanha vem em boa hora. Como bem sugeriu há anos, o suíço Francis Shaffer no que ficou conhecido como "co-beligerância" (o juntarmos-nos a outras forças da sociedade naquilo que nos une, mesmo que estes não compartilhem de todos os nossos ideais - sem abrirmos mão do que cremos), essa Campanha bem que pode ser assinada por todos os homens e mulheres de bem deste país, dos que amam o verdadeiro evangelho. Não nos esqueçamos: ou servimos a Deus, ou às riquezas. A teologia que privilegia a prosperidade material, também acaba por privilegiar a pobreza ética...

Eu, da minha parte, já estou nessa.

"Ninguém poderá servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom." Mt 6:24

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Perguntar não ofende!

Vou dar asas à imaginação e repartir umas indagações:

O papa, o de Roma, (que fique bem entendido), lidera a vida de um bilhão de fiéis, mais coisa, menos coisa, anda pelo planeta todo, é recebido com honras de chefes de estado em tudo que é país e anda em avião de carreira, da Alitália (cheques para a redação, por favor!);

O secretário geral da Organização das Nações Unidas, cujo nome nem me atrevo a soletrar (acho que é da Coreia, o japonês) que é respeitado em toda a parte (ou em quase toda), faz um trabalho mais que meritório, envolve-se em ziquiziras e escaramuças para defender o direito e a vida e, mesmo tendo aviões à disposição, emprestados por países (que até usam o logotipo da organização, ou por gentileza ou para safar-se dos tiros, sei lá) anda em aviões comerciais;

Até o Presidente, o baixinho, de Garanhuns (que veio para o sudeste em pau-de-arara!), que agora é tido e havido como o grande líder dos emergentes e cada dia mais na boca dos altos dignatários das nações, anda num avião que não lhe pertence, mas ao governo do seu país....

Minha pergunta: Porque esses dito "pastores" teimam agora em fazer uma verdadeira "corrida ao avião" para ter o seu? Gastaram uma fortuna para os ter, vão gastar outra fortuna para os manter e... já que pergunto, emendo mais essa: "Vão tirar essa fortuna de onde?"

Ah... Já me disseram que isso só os põe na boca do povo, serve para mostrar que os "evangélicos" já não são cauda... Mas, desculpem-me mais uma vez: querem dizer que são agora a "cabeça dos notíciários" que os coloca como parte da vergonha nacional?

É que cheguei agora. E francamente, ainda não entendi.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O seis pelo meia-dúzia!

Estou no Brasil. E já faz um tempo. E assustado.

Encontrei a minha comunidade, bem, crescendo e sadia. Graças a Deus podia dizer eu, mas confesso que ainda não o fiz totalmente.

A preocupação é com o país. Depois de 14 anos, desde que sai para a aventura missionária, estou vendo - e sentindo - com mais propriedade um país mais "evangélico".

Mas não dá para evitar as óbvias percepções de quem carregou no bolso a expectativa meio orgulhosa do crescimento da fé que traz no nome, a ligação à Boa Notícia - a da graça feito carne.

Minhas percepções sobre o que era e o que é hoje:

Houve um tempo em que a "igreja da nação", não evangelizou, mas cristianizou, acostumou, amoldou a cultura, com algo que tinha alguns traços de cristianismo, mas era só isso, traços.

Paganismo, animismo e crendices, misturadas à cruz.

O tempo da essência pagã, com cosméticos cristãos que divulgava a ideia de um deus menor - idiota (aceitava a penitência do carnavalesco, "ungido" de cinzas pelos erros e excessos cometidos na festa popular da carne, que já vinha à igreja cheio de planos pro carnaval seguinte) e serviçal das ganâncias e demandas humanas, na pele das procissões, das novenas, das peregrinações para se conseguir comprar um carro, curar um filho doente...

Ah! Tinha também a aceitação de tudo, contanto que a figura do "cappo di tutti cappo", o papa, o supremo apóstolo, fosse preservada e o culto, à sua imagem - intocável, inatacável, blindado às criticas e pior, infalível, cultivado.

Cristianizado e não evangelizado, não discipulado, posto que o rótulo remetia a Cristo, mas não o carácter, a virtude, a essência. Só uma corzinha do que o Evangelho é e prega como notícia e modo de vida.

Foi também o tempo em que batia-se, espancava-se, perseguia-se os contrários. Nada com o "oferecer a outra face" ou ao amor ao inimigo, como pregava Jesus. E dá-lhe perseguições, puxadas de tapete... Até me lembro do que me contavam os parentes de como o meu avô fora impedido de ser enterrado no cemitério da sua cidade, no interior paulista, porque os padres não queriam que o "imundo protestante" fosse contaminar o campo santo. E os padres estavam por trás disso, certos de defenderem a "sã doutrina".

Ah! E o casamento com o estado? Foi o tempo do Brasil dos cabrestos, do voto mandado pelos poderosos de batina, de braços dados com os ladrões da época os políticos (que a rigor, eram até modestos na canalhice e perversidade, comparados aos de hoje). Os sacerdotes mandavam, dirigiam e o povo seguia dizendo amém.

Hoje somos mais "evangélicos". Há uma igreja evangélica em cada esquina - atesto isso da minha janela.

Mas o nome de Cristo continua - talvez com mais força - vilipendiado, ultrajado e igualmente usurpado e esvaziado do seu santo significado.

Estamos sujeitos aos apóstolos, só que agora em maior número. Democratizou-se o crime de "lesa liberdade". E estão igualmente inatacáveis e infalíveis, nas pregações que não estão na bìblia, nem nos gibis.

Como antigamente, na velha fé (fora da igreja - leia-se "a minha denominação" - não há salvação), as igrejas que ao invés de nomes inspirados, versículos ou frases bíblicos, carregam o do líder (onde agora, não bastasse o nome do impostor que toma o lugar do Senhor, têm já eles até a foto na fachada!!!) reivindicam um poder de salvar e de controlar a vida dos fiéis.

Viver a fé cristã parece só a troca de Iemanjá, Aparecida ou outro santinho qualquer por esse "jesusinho" que aceita uma linguiça para dar de volta um porco. Acendíamos a vela pra uns e agora para esse "outro" ídolo da moda.

Segue-se e vota-se no político, conforme o "santo-padre-pastor-apóstolo" indica e manda.

Trocamos o outrora popular "nossa-senhora", pelo "misericórdia", "amém-irmãos?" e outras palavras mágicas... sem significado algum, a não ser rechear mais um português cada dia mais mal falado.

Em nome da fé, como qualquer católico romano ignorante de antigamente (como estamos próximos!!!) ou muçulmano radical de hoje, damos porrada em umbandista, espírita ou até em outro "evangélico" que discorde da minha "igreja". E assim, quebramos centros espíritas, terreiros, boicotamos algum trabalho de outra facção,... Matamos, mas agora, em nome do Evangelho.

Carregamos a bíblia no sovaco, o peixinho colado na lataria do carro e mandamos "pra aquele lugar" o infeliz que não sinalizou para ultrapassar o meu automóvel (fora os CDs piratas, o sonegar de impostos, o louvar a Deus pela verba da corrupção que me chegou às mãos e por ai afora)... Cristianizados ainda estamos nós, mas e Cristo? O que existe dele na alma dessa nação? E pergunto: será o islã a próxima moda?

O Brasil mudou, viva o Brasil! Viva o Evangelho! Mas... onde estaria ele?

Desculpem-me os que ouviram - assustados - esses dias, de mim mesmo, que não sou evangélico, apesar de já ter sido por anos, batido, perseguido por chamar-me por esse nome.

Pode ser só da viagem e ser somente engano meu...

"...por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão." Is 59:9