sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sobre o pão, o vinho e os relacionamentos

Acordei hoje pensando na dificuldade que temos nas nossas relações.

Como se já não fosse fácil administrarmos a nós mesmos, as nossas ligações com essa alma indomesticável, difícil de controlar ou gerir, ainda temos os desafios com os outros (e esses, consigo mesmos).

Hoje me lembrei também e sequencialmente da mesa da ceia, da comunhão, da eucaristia, ou seja lá que nome demos ao que Cristo nos ensinou a fazer, anunciando a Sua morte até que Ele venha novamente - o partir do pão e o beber o vinho.

Ali há muito que se diga. Uma das mais misteriosas ordens que Ele nos deixou, fica mais clara, quando logo no início da instrução do como Paulo orienta-nos a fazer, vemos que isso está relacionado ao comer coletivo, fazendo da mesa não uma fonte de satisfação, de prazer particulares ou pessoais, mas de modo plural, com outros, com os meus iguais.

Pensando hoje no pão, me lembrei que ele é o símbolo do serviço por excelência, muito mais quando referido ao corpo de Cristo - o seu serviço às minhas necessidades e carência, ao fato dele ter sido moído para resolver o meu problema...

Lembrei-me também do vinho, símbolo da justiça de Deus que agradou em, ao "moer" Jesus (usando o termo bíblico) fez cair sobre a terra, a vida que foi oferecida por paga à ira do Divino contra toda a perversidade de nós homens que trocamos a verdade pela injustiça.

Assim, hoje cedo, meditei no quão mais fácil fica deixar de lado as ofensas, ou tudo aquilo que julgo não terem feito por mim, por todo o serviço que julguei merecer dos outros, dos atos, dos benefícios que não me dirigiram, ao me lembrar que Cristo cumpriu-os todos, oferecendo-se qual pão, de trigo moído, sovado, representativamente naquela cruz maldita. A surra que mereciam, isso levou Cristo em seu lugar.

E como também me ajuda a perdoar às injustiças cometidas contra mim, e não só, ao me lembrar do sangue, aquele do inocente, do "Cordeiro de Deus", feito castigo por mim - e no que toca às minhas relações - pelos outros todos (que particularmente julgo merecerem punição!).

Quando sair daqui para o meu dia, vou com a alma mais leve e mais animada a continuar a andar, com o suave gosto do perdão oferecido (sem até que mo tenham pedido!).

Quando me lembro que tudo o que me deviam, foi pago naquela mesa em que Cristo foi o ofertante e o prato principal, me lembro também que posso perdoar. Assim, justamente, como fui igualmente perdoado.

Um bom dia. E perdoem-me pela ausência. As lutas dos meus dias - nos últimos meses - me tem afastado de muita coisa de que gosto. Inclusive vocês.

"...Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. " 1 Co 11:24

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

... Questão (fulcral) de ponto de VISTA.


O dia não está feio.

Você é que está com os óculos sujos!


"...Porque nós não prestamos atenção nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem. Pois o que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre."

Paulo em 2 Coríntios 4:18

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A tentação de desistir ...e a minha oração

Após quinze anos de Portugal e um de Reino Unido, com casa arrumada, amigos feitos e um trabalho amadurecido e frutificando, eis que chega novamente o tempo de irmos para outra aventura.
Não será preciso dizer das lutas interiores, as dúvidas, a angústia de se deixar levar pelos ventos de Deus, que também nos trouxeram (também com o desconforto e o frio no estômago, próprio das mudanças), da tentação da reação, de resistirmos, de desistirmos, e de procurarmos "segurar a cristaleira", de
mantermos
o que julgamos ter, como por exemplo a casa (essa será já a 5ª a desfazer!), os hábitos, a cultura adotada como nossa... aqueles que conquistamos em amizade (o indiano do mercadinho, o português da padaria - aqui todas elas têm um, rsrsrsrs - e tantos outros que já fazem parte de nossa vida),...
Já me sobram horas a rolar de um lado a outro na cama... e faltam as de sono.
Em meio a isso, encontrei hoje pela manhã, pelas mãos da Sarah querida companheira nossa de caminho e tradutora do poema de
Charles Greenaway, um amigo seu, que traduz hoje a minha oração por esse tempo em que não faltam motivos nem vontade para desistir...

"Se eu desistir
O que ganharei?
Terminará a batalha? Ficarei livre?
Não, nem a porta se fechava, nem a batalha terminava,
Porque Deus teria outro para ficar na brecha
Se eu desistisse.
Se eu desistir,
O que farei?
Procurarei abrigo do calor? Esquecerei o clamor do perdido?
Por um tempo seria feliz, depois descobriria que já não o era
E gastaria o meu tempo orando para fazer algo
E dizendo a Deus, “porque desisti?”
Se eu desistir,
Descobrirei que Deus não desiste.
A batalha ainda rugirá, a Igreja marchará,
O vento soprará ainda, o Espírito continuará a encher,
E eu ficarei cada vez mais longe, meditando,
Perguntando, “Deus, porque desisti?”
Se eu desistir,
Que poderei dizer a Deus
Que me chamou,

ao povo que me enviou,
Ao pagão que confiou em mim para mostrar-lhe o caminho,
Ao Espírito que me anima dia após dia?
Deus, eu não posso desistir.
Se eu desistir,
Que seja quando eu morrer,
E não em vida, nem quando estiver insatisfeito,
Criticado, minimizado, esquecido,
Mas Deus, faz que o meu tempo de desistir
Seja quando eu morrer."

Amém

PS: Já sabem agora porque tenho me ausentado desse blog nos últimos dias...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Novos tempos...


"E PEDRO e João subiam juntos ao templo à hora da oração, a nona. E era trazido um homem que desde o ventre de sua mãe era coxo, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam. O qual, vendo a Pedro e a João que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós. E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa. E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. E, tomando-o pela mão direita, o levantou, e logo os seus pés e artelhos se firmaram. E, saltando ele, pôs-se em pé, e andou, e entrou com eles no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus. E todo o povo o viu andar e louvar a Deus;..." (Atos dos Apóstolos 1:3-9)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A mesa (e o prato) que mais amo...


Dias atrás, fiz esse cartoon acima - uma humilde visão revisitada à obra de Leonardo Da Vinci - sobre uma mesa muito especial, do que nos conta os Evangelhos: a última ceia de Cristo.

Sendo eu um conhecedor e apreciador da boa mesa (não há como negar as minhas raízes ítalo-luso-brasileiras!), essa última, a ceia do Senhor particularmente me apaixona. E muito. Ela não fala só do prazer de provarmos o pão, o vinho, mas junta-os à comunhão. à presença de amigos com quem repartir.

Ela é mais especial ainda pois à sua volta, não estão somente os que pensam de forma parecida, concorde (igual mesmo, só um caminhão cheio de japoneses, que é pra não falhar com as minhas piadas de origens quase nipônicas do interior do Oeste Paulista), mas também os "desviados" e ...inimigos (afinal sem comer com eles, como trazê-los ao nosso coração?).

A mesa que Deus nos preparou é pra todos. E está acessível a todos, embora a nossa religião, pequena, carnal, míope, faça dela uma propriedade e exclusivo privilégio.

Dou sempre graças porque na nossa tradição cristã católica apostólico reformada, celebramo-la todos os meses (Calvino o fazia em todo serviço ou culto, mas deixou-o depois por medo de, ao repetirmos com tanta frequência, corrermos todos o erro de banalisá-la como memorial e ensino à comunhão, ou pior, fazer como os cristãos de Corinto, que vinham a ela pra encherem o pandú, tirarem o seu próprio bocado, sem considerar que o melhor dessa mesa (e de qualquer outra) é justamente o tempero do "com quem" e não o "o que" comer.

Meditando nessa verdade, lá em casa, as minhas filhas já aprenderam uma lição que cremos, seja essencialmente bíblica: "melhor é comer um hamburger acompanhado dos amigos que uma picanha sozinhos". O melhor tempero da mesa de Cristo é com quem repartir o que temos.

Nesse cartoon do auditório da nossa comunidade em Uberlândia-MG, a mesa está fracionada, partida, à espera do esforço de todos para trazê-la uma só, sem separações. E não deixar ninguém, quem quer seja, distante da mesa que Jesus já nos preparou.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Saudosa maloca que não volta mais...


"Si o senhor não está lembrado, dá licença de contá..."

Com essas palavras, começava o samba, um dos mais famosos, do não tão menos especial Adoniram Barbosa.

Tão simples quanto os seus versos, mas com cheiro, gosto e o sotaque carregado de italianidade de São Paulo, me lembro da sua frágil figura, de chapéu e guarda-chuva pendurado no braço, vez ou outra, encostado ao balcão de um café que existia na esquina colada à Escola Superior de Propaganda e Marketing, onde estudei por quatro anos.

Estávamos ainda - eu, estudante - e a faculdade, posteriormente transportada para a Vila Mariana, na Rua Rui Barbosa, no encantador bairro do Bixiga, bem ao lado do Frango da Concheta (ainda hoje aberta, mas na rua de trás, a Treze de Maio).

Era uma festa para mim, caipira do interior, encontrar-me com a ilustre figura, a quem pelo menos uma vez, pude oferecer uma xícara de café.

Hoje, faz cem anos que nasceu o poeta, desaparecido em 1982, pouco tempo antes de eu me formar.

Muita água já rolou e nada é como antes.

Aprendi também, e na pele, em todos os desafios que enfrentei, que o poeta estava correto ao afirmar que "Deus dá o frio conforme o cobertor" (não seria essa, uma versão sambística do verso bíblico que afirma que Deus não permitirá que sejamos tentados para além das nossas forças de 1 Coríntios 10:13?).

Já não vivo em São Paulo, já não é comum a garoa que tanto fez famosa essa metrópole, já não existem os prédios e referências de muito da minha vida passada ali, como aliás, bem o disse Adoniram, em Saudosa Maloca*, sobre a demolição de sua habitação comunitária. Mas ainda me é viva na memória a sua simpatia para conosco, estudantes orgulhosos do personagem bem ali à nossa frente (embora tivéssemos o cuidado de não o demonstrar).

Nessa dia em que se comemora o seu centenário de nascimento, a minha homenagem humilde à memória do meu vizinho ocasional e a gratidão de um tempo de sacrifícios, da vida de estudante, dos busões que tomei, das madrugadas a trabalhar e a estudar, dos primeiros anos de casamento... tão importantes na minha história.

Aproveitei nessa noite de nostalgia e usando a letra de Adoniram, para traduzir o meu tempo em Sampa:

...Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossa vida.

Salve São Paulo, viva Adoniram!


*maloca, substantivo feminino 1- conjunto de habitações de indígenas; aldeia, habitação de várias famílias

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Porque os reis andam nus

Como na parábola que nos contavam quando crianças, os reis continuam nus.

Reis, como os que estão investidos de autoridade, ou da presunção de, com seguidores e subalternos.

É difícil para quem está por cima, ouvir com ouvidos de se ouvir, os que estão em outro patamar, mesmo que seja só no juízo desse superior. Vale a ideia do"quanto mais alto, mais distante para se ouvir".

Há o pressuposto no coração do "superior", a premissa que é inatingível, que é infalível ou, se o é, não é tão fácil assim de isso vir a acontecer, a não ser por uma hipotética e distante possibilidade, imaginam eles.

Eu me tenho cansado de tentar corrigir, ou argumentar ou sequer, chamar a atenção de alguns, mesmo que muito amados. Deve ser isso, precisamente o que se passa no coração de Deus, ao lidar com esses.

Há um tempo atrás, querendo eu escrever a um amado pastor e chamar a sua atenção - com muito cuidado para não me arvorar em alguém maior, mas com a sinceridade de quem ama e vê o amigo naufragar, fui alertado por outro, a quem compartilhei o peso de tão grande tarefa. que não devia fazê-lo. "Nem tente sequer, Rubinho. Ele anda tão alto em si mesmo, que ainda há de zangar-se com você e nem vai chegar ao meio do escrito, quanto mais refletir sobre isso. Simplesmente ore por ele", disse-me.

E assim fiz.

O rei, nú, bebe da verdade que "nada é pior que o sucesso, pra além da aparência dele". Por terem esses, o bilau pequeno, sei lá..., recusam-se a enxergar a verdade (Freud explica...)

Ao portarem assim, crêem cuidar da reputação - o que deles se pode enxergar - descuidando daquilo que os anjos, e os céus dizem a seu respeito.

Achamos que temos, que somos, que estamos (e não nos falta sempre aqueles para nos lembrar disso) e os nossos ouvidos fecham-se em si mesmos. E todos continuam a assistir o, cada dia mais, patético desfile de alguém vestido por uma roupa tecida de vaidade, narcisismo ou de bajulação e endeusamento, feito por costureiros da idolatria.

Se esse lacre está na baixa qualidade (intelectual, cultural, até bíblica) dos subalternos, qualquer argumento, por mais idiota e falso que seja, vale.

Se ele está na qualidade - muito superior - de raciocínio e verborragia - do rei, vende-se até, como dizemos em Minas, "rancho-pegando-fogo". O problema é que, depois de um tempo de discussão - quase sempre acalorada - mesmo que todos acabam por concordar com o rei, nu ainda, o que resta é um amargo gosto de manipulação e de terem sido usados, ainda que todos tenham acabado por concordar pelo esgotar dos argumentos.

Os reis continuam nus. A mídia, o poder público, os políticos, os doutores de toda espécie, os pais, maridos, esposas, filhos rebeldes, os pastores (os apóstolos, ai,... os apóstolos...) e até os amigos, empoleirados no alto dos seus orgulhos-feitos-roupa-sob-medida.

Mas há um preço terrível por andar-se nu, para além da própria vergonha. Há a visão implacável do Justo Juiz, diante da qual, homem algum consegue esconder-se.

Em Romanos no capítulo 1, Paulo discorre com veemência contra os reis. Contra aqueles que teimam em andar desnudos. Deus os entrega às suas insistentes vontades de andarem assim.
E o preço está lá: a própria destruição.

E destes, o Onipresente Deus passa longe.

Peço a Deus que nunca me faltem os amigos. Os sinceros e corajosos. E que ainda nem precisem de tanta força assim para dizer o que tenho de ouvir.

Mas que não me falte também, o mesmo coração de Davi, um rei que, nu, ao ouvir de um subalterno a correção (ainda que à custa de uma parábola sobre um vizinho assassino e ladrão), não hesitou em dizer (e assumir): "este, sou eu".

E foi chamado pelo alto de "Homem segundo o coração de Deus"!

"Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito." Salmos 34:18

sábado, 24 de julho de 2010

Obesidade Mental

João César das Neves (Economista e professor universitário português)

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polêmico livro "Mental Obesity", que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

"Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.

Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses."

Segundo o autor, "a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.

As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.

Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.

Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e
comentaristas, os editores da informação e filósofos, os romancistas e
produtores de cinema.

Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação."

O problema central está na família e na escola.

"Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.

Com uma "alimentação intelectual" tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada."

Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:

"O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.

A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular."

O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante.

"Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais."

Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.

"O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.

Todos acham que Saddam é mau e Mandela é bom, mas nem desconfiam porque. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto".

As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

"Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil,
paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma "idade das trevas" ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.

É só uma questão de obesidade.

O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.

O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.

Precisa sobretudo de dieta mental."


sábado, 17 de julho de 2010

Ainda sobre superstição e o dia em que o diabo perdeu um par de tênis

Ontem, meditando sobre superstição, me lembrei de uma história acontecida com a minha filha Raquel, quando essa tinha apenas uns 6 anos.

Chegou a pequena (não, pequena ela nunca foi... digamos, novinha) à escola, portando um garboso tênis, trazido na mala pelo avô de uma viagem aos Estados Unidos.

Acontece que a escola era confessional e com o problema de umas professoras cheias dessas teologias de botequim (que víamos já naquela época) que ao ver a menina, gritou:

"Raquelzinha, você precisa jogar fora esses tênis! Eles são do diabo!!!".
Imaginem a cena: a Raquelzinha, assustada, diante dos colegas, mas, tenho a certeza, mais pelo espanto da tia, que por medo do chifrudo.

"Por quê, tia?", disse ela.

"Porque esses desenhos ai são da nova era, símbolos do mal, do diabo e podem prejudicar você".

Não sei sabem, mas existem pessoas, ainda hoje, que curtem descobrir significados de desenhos - tribais, etc... - que, pretensamente têm significados ligados à magia e podem prejudicar, trazer males, e outros quetais...

Ela, do alto dos seus poucos anos de vida, mas cheia de convicção teológica - mais consistente, afirmo de certeza, do que a da professora, paga para incutir valores e formar gente que pensa, disse taxativamente:

"Tia, vou dizer uma coisa - eu aprendi que tudo o que é de Deus é meu e tudo o que é meu, agora pertence a Deus. Esse tênis pode ter sido feito, costurado, pelo próprio cão, mas se está no meu pé hoje, então pertence a Deus!".

E virou as coisas e foi-se orgulhosa do presente que ganhara do avô e de ter reafirmado a sua fé.

E é isso. Sem tirar nem por.

Ao invés de nos preocupar com o usurpador, prefiro - como a minha filha - olhar e ater-me ao que diz, pensa e faz o Criador. Mesmo que muitos, mas muitos mesmo, prestem a atenção de forma contrária, crendo que a coisa está invertida - o chifrudo é o senhor e o Deus da história, tadinho, tenta reverter o prejuízo.

Ai, ai... valha-me meu São Reebok!

Bom final de semana.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fé X Superstição

Fé, segundo a cultura bíblica é uma coisa. Outra bem diferente, é superstição.

Pode ser também uma mera obsessão, aquilo que também se parece com fé e é baseado somente numa grande expectativa, ou enorme desejo, sobre o qual se esforça para que tome a nossa mente, num pretenso empenho para que isso se concretize. E difere-se de fé, posto que é sempre embalado com o medo, com a ansiedade de que isso não aconteça.

Superstição é a nossa crença em algo que nos passaram, sem prova, sem base, sem fundamento e tomamos isso como verdade.

A fé, da qual nos fala a Palavra de Deus é sempre baseada em conhecimento. Conhecimento de Deus, da Sua vontade, avalizada pela história e, mesmo que seja por exclusão (deixando de parte aquilo que se mostra inconsistente como as filosofias que não são capazes de mudar a natureza má do homem), quando decidimos crer e testar, conferindo texto com texto, fundamento e contexto, como e onde isso foi provado e, de certa forma, testado.

Fé, ao contrário do que essas seitas que enchem as TVs e as rádios (e até os púlpitos), nunca é uma força independente, capacidade fruto do esforço humano para crer que preto é branco e branco é preto. Fé é sempre fruto de conhecimento. Mesmo que não vejamos, toquemos,... ou sintamos.

Por isso, Paulo afirma que a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm 10:17). E porquê? Porque a Palavra de Deus nos fala de Deus. De quem Ele é, do que Ele fez, faz e fará, na Sua interação com o ser humano.

O escritor de Hebreus, afirma que "sem fé, é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hb 11:6), mas o que foi-nos traduzido por "existe", na verdade, traz, na raíz do termo, o conceito de ser. Não há ainda virtude em saber que Deus existe. Quase todo homem crê nisso. A questão é sabermos Quem é Este. Então, o que o escritor afirma é que é preciso que saibamos quem Deus é, para que creiamos, fazendo da nossa base de fé, o conhecimento que temos Dele. Isso sim, faz todo o sentido e reafirma a ideia - não se pode crer, se não conhecermos, não tivermos tido um encontro com a pessoa que é, afinal, o autor e o consumador da nossa fé.

Por isso, o apelo tão insistente de Paulo e outros escritores sagrados - precisamos conhecer de fato quem Deus é. E assim, saberemos que podemos crer. E esperar Nele. E fundamentar a nossa vida, ações, pensamentos e expectativas Naquele que, tendo a nossa vida nas Suas mãos, não há como não vivermos de maneira abundante e livres de medo e ansiedade. E ai, seguro e refletindo nessa verdade, posso voltar a fazer como os meus pais me ensinaram desde pequeno e que um dia acabei, minha presunção e aventura pela religião que tenta domesticar o sagrado - orar "seja feita a Sua vontade, Senhor e não a minha".

Chega dos truques, basta dos tem de ser do meu jeito...

Conhecendo-O como hoje conheço, sei que Dele, não poderá vir nada que não seja bom. O que está preparado para aqueles que o Buscam.

Tudo o que quero para mim hoje, é meditar nisso. E seguir sem medo. Ou superstição.

"...Sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus". Rm 12:2

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vaidade evangélica

Convicção é uma coisa. Presunção é outra.

A convicção, nos faz seguros e com sábio temor diante de algo que recebemos. A presunção, porque lança o foco da nossa atenção a nós mesmos, nos torna vaidosos e estupidamente inconsequentes.

A segurança da convicção, geralmente, evita com que estejamos ansiosos ou defensivos, mas a vaidade dos presunçosos, que sequer aceitam discutir ou debater o que julga crer, orgulhosos, atrevidos e tenta-nos ao desprezo dos que pensam diferente.

Há uma vaidade evangélica que dá asco. Vê-se isso em todo o lado, como a que aparece nos partidários políticos sectários, em doutores que já não pensam em progredir, mas em exibir os louros todos, em gente que pensa não precisar de mais nada, de nenhum saber e põe-se acima dos outros.

O religioso é assim. Cheio de verdade e de si mesmo.

É aquilo de: Eu tenho a razão, ela está do meu lado. Ela não me tem. Eu detenho a sua patente. E deixamos correr frouxa a nossa vontade, assentada sobre preconceitos e vaidades de obras mortas, aquelas que pretensamente nos justificam ou que releva os nossos próprios erros.

É por isso que o vaidoso das revelações divinas está pronto a perseguir, a ferir e a matar os que lhe são divergentes. Jesus enfrentou-os e eles perseguiram-no até à cruz. Pedro demonstrou desprezo a um centurião romano porque era um gentio, que como tal, estava "do outro lado".

Não há gratidão ou louvor na boca de um assim, porque verdade alguma lhe foi revelada, antes, lhe foi descoberta, por si mesmo, por um cérebro que se acredita superior. Ninguém os alcançou, acreditam. Eles foram a Deus. Eles O escolheram. Eles resolveram crer. Eles tiveram o discernimento. Eles próprios se salvaram.

Não há a rendição ou a entrega, mas antes, a posse.

Deus fala por mim. Se eu não abro a boca, Ele, por si, não diz nada. Nem faz nada. Essa é a sua confissão de fé.

Se cremos mesmo num Evangelho que nos foi entregue (a boa notícia - a que fomos todos buscados, alcançados e perdoados pelo Supremo Pastor), então não há mérito nenhum em nós. Nem orgulho. Nem glória. Muito menos, vaidade. Só gratidão e... humilhação.

Ai, há somente lugar para uma fraterna cumplicidade e solidariedade, numa miséria que nos nivela a todos. E por baixo.

"(Os homens) aprendem sempre, mas nunca podem chegar ao conhecimento da verdade." II Tm 3:7

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A fome e a pressa que definha a alma

"Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais" Sl 71:14

Se há algo difícil na nossa existência, esse é o esperar.
Temos fome, já o disse e geralmente esse nosso apetite é ditador. Zomba das nossas tentativas de respeitar os momentos, os processos e princípios. Queremos ou, cremos que precisamos e pronto. Nada nos faz aquietar.

É assim como os crentes hoje em dia. Não aguentam esperar pelo germinar das sementes, queremos o fruto e pra já, afinal vivemos todos na era dos imediatismos - da comida, rápida (ainda que não seja sadia ou saborosa), às roupas, encontradas prontas e nas medidas certas... Dor de cabeça? Enxaqueca? Toma-se um comprimidozinho e... a dor sumiu! É a época dos disque-isso, disque-aquilo e já está, na nossa mão, pronto pra ser engolido ou consumido. Sem esforço, sem crise, nem demora.

Também é a época dos relacionamentos descartáveis. Incomodou, dificultou, não cumpriu-se com o prometido (ou o esperado) e, zás - procura-se por outro no mercado fácil das emoções e sensualidade, onde nem a corte já se faz necessária, uma vez que a oferta, é sempre maior que a procura.

E ai, vamos nós, cristãos imediatistas. Queremos agora e já.

Se a vida cristã era pra ser algo simples, tornamo-la difícil, pois não aguentamos o andar dia a dia com Deus, obedecer, se submetar ao que sabemos ser a vontade e o plano divino para cada um... queremos emoções, queremos livramentos, não suportamos os desertos, os caminhos ermos, o silêncio, as calmarias... a lentidão e a espera que as vezes as colheitas nos impõem até que vejamos os resultados no nosso trabalho.

Nem atentamos nós para o motivo daquelas extensas genealogias encontras das Escrituras (fulano gerou sicrano, que gerou beltrano...), que não é outro no meu entender senão o sinal de que o Deus na Palavra é o Senhor dos processos, nunca automáticos ou imediatos, segundo esperam, ou exigem os corações mimados dos mortais, criaturas suas.

A verdade é que... Deus tem um timming muito próprio.

O salmista sabia disso. Sabia que podia confiar e... esperar.
Se as coisas não andam na nossa vida, buscamos - ou inventamos atalhos que, pretensamente, encurtam caminhos ou aceleram processos.

Estamos na época do "molhar-a-mão" dos despachantes celestiais.
E dá-lhe quebra de maldições espirituais, cursos de batalha espiritual, truques e estratagemas que podem encurtar a fila pelas bênçãos e resultados. Muda-se de igreja, muda-se de pastor... tudo, para conseguir-se o que quer, na hora que queremos. É a cola ou cábula nas provas divinas.

E o resultado? Para além do momentâneo torpor que engana, da viagem alucinada e alucinógena das sugestões e ânimo passageiro, logo vem (pode crer que é questão de tempo - esse que pretenderam evitar) um tremendo vazio e amargor de alma. Com pressa, come-se crú, embotam-se os dentes por comer uvas verdes, colhidas antes da hora.

É o que em Salmos, ficou registrado como o resultado dessa pressa: "...Então creram nas suas palavras, e cantaram os seus louvores. Porém cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho. Deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar-lhes a alma" (Sl 106:12-15).

Escrevam isso. E fujam dessa tentação de não esperar pelo Senhor. E o seu timming santo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Fome - o ambiente da nossa corrupção

O homem tem fomes.

Fome de alimentos, de referências, de incidentes que o façam sair da rotina, fome de crescer, fome de conhecimento, de reconhecimento... E justamente por ser algo tão natural, é que corremos perigos constantes.

Começou no Éden a bagunça. Adão e Eva, nossos pais, de abençoados para serem frutíferos, alguém, o cão, o tinhoso, o coisa-ruim, pôs-lhes na cabeça que precisavam de algo que não tinham, convenceu-os de que ainda tinham necessidade, que ainda precisavam de algo mais: de comerem para serem abençoados (serem como Deus, possuírem poder, etc...).

A coisa se inverteu.

De já possuidores de tudo, posto que eram herdeiros de tudo que o Todo Poderoso possui, creram na balela que necessitavam de comer algo extra para terem o que julgavam não possuir e de... serem abençoados.

E por ai seguimos nós.

No nosso senso de prejuízo, de carência, de necessidade, damos com os burros n'água fazendo péssimos negócios, tratos, contratos, frutos de decisões tomadas no afogadilho e no imperativo do desespero.

Pode verificar: a moça, avançada em solterice, quase sempre se casa com o primeiro cafageste que lhe estenda a mão. O dono do carro, afogado em dívidas, vende a sua propriedade pela pior oferta, desde que esta lhe venha primeiro... O crente desesperado, abre mão do que acredita e oferece a sua alma a quem quer que lhe apareça primeiro e faça a oferta. Seja ela qual for.

Vendemos mal, compramos mal, decidimos mal, quando tudo isso vem pressionado pelo peso da urgência ditadora da falta. Não temos (ou julgamos precisar), corremos para conseguir.

Quando meditamos no que Jesus passou na sua primeira e grande provação, ao menos registrada nas Escrituras, vemos que a sua vitória não aconteceu sobre o diabo, mas sobre si mesmo - sobre o seu senso de necessidade, legítima ou não, mas daquilo tudo o que a sua carne dizia precisar. A sua vitória foi contra esse imperativo que nos pressiona e nos faz, via de regra, prejudicar.

Paulo, na sua carta aos Gálatas (4:1-7), nos lembra que, enquanto somos pequenos, imaturos, não temos ciência do que já possuímos (como filhos e herdeiros do Rei) e só vemos aquilo que o filho do servo vê - a sua necessidade. Não sabemos o que somos, só do que julgamos necessitar.
Como um bebê que não vê a mãe o amamenta e é abençoado com a identidade que comungam, mas somente a fonte - em primeiro plano - o seio, de onde vem o alimento, de quem quer que o tenha... Assim muitos de nós temos ainda uma relação pobre, miserável tanto quanto o nosso senso de necessidade nos dita com Aquele que é o Senhor de tudo e de todos.

Ninguém se lembra do que o mesmo apóstolo afirmou em Efésios (1:3): "fomos (já) abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais em Cristo".

Por isso, vai dai, que as nossas TVs estão inundadas por esses apelos e de gente à cata de bênçãos. E chamam a isso de fé. E vão-se mais e mais, caminhando atrás do primeiro seio, da primeira mão que os alimentar. Como aliás aconteceu naquele dia no jardim e que podia acontecer, se Jesus tivesse se dobrado ao diabo, no deserto.

Que Deus nos livre desse imperativo. E nos faça crescer Nele.

“ Digo, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo; (…) Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.” Gl 4:1,3-7

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A suprema distância


Há uma distância terrível que régua alguma consegue mensurar: a de um coração fechado a outro.

Essa distância existe entre amigos sem agenda - que nunca têm tempo um para o outro - ou que permitem-se um isolamento por um ou outro motivo.

Existe também entre um casal quando partilham tudo: uma cama, um teto,... mas já não o que lhes vai dentro deles, quando não há um ouvido aberto para ouvir o batido do peito do companheiro.

Essa coisa ganha uma dimensão terrível, quando instalado (ou progressivamente ganha seu espaço) e se solidifica até que não haja mais volta e a existência do outro, na história simplesmente desaparece. Em referências, em lembranças...

Começa-se geralmente com um ressentimento sobre algo não resolvido, que dita uma rotina de desavenças, que vira amargura, que vira ódio, que vira indiferença, que vira morte relacional.

Nas escrituras há algo como isso, quando curiosamente, o Deus onisciente, recusa-se a registrar a existência ou a coexistência com alguém que para Ele se fecha. Lá lemos que o Todo Poderoso, afirma desconhecer os que não partilharam a sua vida, abrindo a sua intimidade ao escrutínio do Senhor. Percebi assim, porque devia eu orar de contínuo a Ele. Não para informá-Lo do que não sabe, nem para conquistá-Lo para as minhas lutas, nem para fazê-Lo se converter às minhas causas, mas para simplesmente com Ele partilhar o meu coração.

Muitos, diz a Palavra, virão no fim dos tempos, apresentando-se tardiamente a Deus e o pior - através das suas obras e ouvirão a declaração dessa suprema distância estabelecida - "Apartai-vos de mim. Nunca vos conheci".

Apesar de o Criador saber de todas as coisas, Ele recusa-Se por um ato soberano a vasculhar a intimidade dos que a Ele não se apresentam em contabilidade de amor como manifestação de amor diária, e não por obrigação. E deixam de o fazer por motivos que vão da displicência cimentada em rotina de isolamento, à rebeldia.

Talvez dai venha a pena das penas, impostas aos que se fecham para Deus: o abandonar das nossas vidas à mercê de nós mesmos. Como aliás afirma Paulo, no capítulo 1 de Romanos de 21 a 32. Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como tal,... Ele os entrega às suas paixões para acabarem consigo mesmos cometendo todo tipo de desvario, buscando o que nunca se pode fartar - os seus apetites animais.

Que Deus nos livre dessa distância,...

"Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho." Sl 32:8

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pagamento a prazo?

Dizem que o espiritismo está crescendo no Brasil. Pudera... É a paixão brasileira transformada em teologia. Se bobear, isso está até nas nossas igrejas...