sábado, 12 de dezembro de 2009

Ó coração idólatra!

Li num dia desses na imprensa que o Patriarca da Igreja Copta etíope declarou que a arca da aliança estaria naquele país africano.

Houve um burbirinho e não só entre os judeus. Tem muito cristão que tremeu de alegria, afinal, damos tudo por uma relíquia religiosa pois a propensão à idolatria é marca registrada da alma humana.

Vá gostar de adorar um símbolo, um íconesinho, qualquer que seja, lá longe. Só de lascas da cruz, comercializadas, colecionadas há anos atrás, dava para a humanidade construir uma para cada habitante do planeta.

É assim: Deus trouxe leis para guiar, para orientar, para por ordem na bagunça, dar balizas sociais ao povo e pronto: como quem admira a moldura ao invés do quadro, passou-se a valorizar a letra mais do que o seu espírito e, ao invés dessas servirem ao homem, ao seu bem estar e à paz na vida em sociedade, usaram-na para oprimir e escravizar.

E foi sempre assim. Ao invés de adorar ao que não se vê, é mais fácil desenhar algo que imaginamos, uma estatuazinha e pronto. Já podemos ver e tocar - e até carregar no bolso Aquele que nos criou (Freud deve explicar essa coisa toda quando tratamos Deus como qualquer coisa, do que fazemos o que queremos e, ao invés de nos movermos por Ele, carregamo-Lo por onde e do modo que entendemos).

Há os que matam o cônjuge, só para salvar o casamento. Para preservar a instituição, faz-se de tudo, até arrebentarmos com o parceiro. Estes, casaram-se não um com o outro, mas com o casamento em si. Para defender a fé, mata-se o contrário, o que tem convicções diferentes. E pior: fazemos isso em nome de... Deus!

A igreja, a instituição, que era para ser um organismo, vira organização, estrutura, e vale mais do que o povo que dá corpo à coisa, tornada um monumento, rígido, estático, imóvel, frio, sem vida e... opressora, que mata os seus membros para manter-se de pé.

Desde sempre, o propósito é outro: Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Que o busquem, que gastem tempo consigo e com Ele andem. Vendo-O ou não, ouvindo Dele orientações claras ou não. Na luz ou na sombra da morte.

Andar pela fé, tem a ver com isso: crer no que não se vê, mas que se conhece apesar dos olhos não enxergarem, as mãos não tocarem. Não é fácil, nem cômodo. Mas por certo, é maior e mais profundo pois não nos deixa à mercê da nossa limitada e rasa visão da vida.

Assim, sem que O reduzamos a um pedaço de gesso, pau, pedra... ou às paredes de um templo que podemos construir com as mãos, podemos abrir as nossas mentes e coração para o tamanho que Ele tem - imensurável e transcendente. Ou então transferir à criatura, líder, apóstolo, bispo, pastor,... seja o nome que isso tiver - pretensamente dotada de procuração do Altíssimo - toda a devoção e submissão só devidas ao Senhor. É bem mais fácil. Como é fácil, carregar uma imagenzinha safada no bolso ou tê-la nas mãos.

Como aliás vimos não só na história da igreja cristã como nos nossos dias...

"...Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens." Mc 14:58

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O compromisso que até o diabo conhece...


"E SUCEDEU que, ouvindo todos os reis dos amorreus, que habitavam deste lado do Jordão, ao ocidente, e todos os reis dos cananeus, que estavam ao pé do mar, que o SENHOR tinha secado as águas do Jordão, de diante dos filhos de Israel, até que passassem, desfaleceu-se-lhes o coração, e não houve mais ânimo neles, por causa dos filhos de Israel." Js 5:1

O compromisso de Deus com o seu povo é sabido por todo o mundo espiritual. Menos por nós, é claro.

Há crendices de mais e fé, genuína, conhecimento de Deus e das suas promessas, reveladas na Palavra, de menos.

Essa passagem mostra só um dos exemplos, quando o povo chegou à Terra Prometida e os inimigos desanimaram (tiveram derretido o ânimo, em outra versão) ao verem o favor de Deus por eles.

Nem entre os da "escola da fé", que propagandeia a convicção no que Deus nunca disse, há, genuinamente confiança no que já temos em Deus pela graça de Cristo, pois vivem amedrontados que lhes caiam os céus sobre a sua cabeça, conforme não frequentem os cultos, não ofertem o que lhes foi exigido e outras "obras mortas" e exigências de líderes mais falsos que notas de dois e cinquenta.

Esses dias foi-me perguntado se "o inferno desejava a morte de Cristo". Eu digo que não. Nem de longe.

Tudo o que sempre fizeram o diabo e todo o terço dos exércitos de anjos caidos foram amedrontar Jesus para que Ele caísse nesse que é o maior mal da igreja de hoje e de sempre - temesse o seu sacrifício e poupasse a si mesmo.

A coisa toda foi a tentação de Jesus dar a meia volta e preferir a sua própria salvação, a negação da sua unção de ser a "oferta de Deus", a oferta pelo pagamento do nosso erro. Tudo o que o inferno queria era que Cristo não se oferecesse, não sofresse, não se desse até a morte. O que eles não queriam, precisamente, era que Ele morresse. Jesus deixou bem claro a procedência dessa tentação quando Pedro, ao ouvir sobre a previsão de como tudo se consumaria no ministério do Senhor, tentou dissuadi-lo da ideia. Aquilo viera (e vem sempre) do próprio Satanás"(Mt 16:23).

Os demônios, fizeram tudo o que puderam, tentaram aterrorizá-lo quando Jesus passou pelo "vale da sombra da morte" - que não é ainda a morte - é mais aterradora do que ela própria (É sabido que na Europa, antes da instauração dos campos de concentração de dos guetos, morreram por suicídio judeus em maior número dos que deram cabo da própria vida após isso).

Se os nossos inimigos souberam, posto que estiveram lá nos começos, que Cristo haveria de vir e, não olhando para a sua própria comodidade dar-se-ia para que hoje, todos os seus, fossem libertos de uma vez por todas da morte e das garras do inferno - e os expusesse ao desprezo - então não é plausível que desejassem o seu sacrifício.

É uma loucura, mas crer, até o diabo crê, na verdade que "ninguém nos poderá separar do amor de Deus em Cristo Jesus". O problema somos nós mesmos.

Se até o diabo sabe disso e os nossos inimigos todos, só falta que nós creiamos...