sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O supremo lugar

"Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo." Jo 17:24

Essa é uma oração no mínimo estranha. Deus, o Onipresente Senhor, pedindo ao Pai para que nós estivéssemos com Ele. Ora, se estaria Ele após subir aos céus em toda a parte, para que um pedido desses? Quem pode se distanciar Dele?

O que aprendemos é que perto e próximo são dois conceitos totalmente diferentes. Pode-se estar muito perto e não ser-se mais próximo. Como aliás, duas pessoas que dividem a mesma cama e já não têm nada um com o outro, com os corações a quilômetros de distancia.

Nada, aliás, perturba mais do que estar muito próximo de alguém e não sermos mais próximos. Não haver intimidade. Não haver mais cumplicidade. Não haver mais conhecimento do coração um do outro. Segundo aprendi do meu amigo e pastor Paulo Jr., a maior distância jamais representada, estava no véu do tempo, no santíssimo lugar. Um fino pedaço de pano, pelo qual se podia avistar forma e movimento, mas ficava patente naturezas distintas, identidades distintas, realidades distintas.

Acordei agora, cinco e pouco da manhã e com aquela sensação chata de não ter a esposa ao lado, (ainda em viagem) a meditar e a pedir isso mesmo a Deus: para além de estar perto Dele, quero também estar próximo, sem esconder-Lhe nada, sem ocultar-Lhe coisa alguma e ouvir o Seu coração. Como aliás, Elias ouviu após a barulhada (no vento forte, no tremor de terra, no incêndio...) - um simples e tênue murmúrio, talvez o respirar de Deus.

Essa hoje é a minha oração da madrugada.

3 comentários:

Alice disse...

Rubinho, ouvir a Deus é a grande chave do cristianismo. Em Corintios Paulo já dizia que "há muitas vozes no mundo"... e silenciá-las não é facil, mas sei que quando conseguimos, a voz de Deus soa como música, como brisa, como aconchego que só a voz de um Pai tem.
Aprendi a ouvir a Deus no meio da maior tempestade que vivi em minha vida, e foi bom demais encontrar Paz em meio a guerra e saber que ELE estava comigo.
Faço minha também essa sua oração, e que cada um que leia esse texto a faça também.

Super beijo brasileiro a você e a Betânia !

Ricardo Mamedes disse...

Olá Rubinho,
Pois é, porque pedir a si próprio o que já é seu? Eis a grande complexidade da trindade! É que são três em um, mas com personalidades distintas, não é mesmo? Ou então não seria "a" trindade e cairíamos no unitarianismo. O Deus homem, pedindo ao Deus Espírito que lhe dê os seus eleitos. E Ele realmente tudo sabe e tudo vê; tudo sonda. Quem somos nós para nos escondermos dele? Gostei da sua analogia: mesmo distantes do ente amado, ainda estamos próximos. Assim é com Deus: Ele lá, nós aqui (aparentemente sob a ótica humana), mas próximos, ligados pela fé e pela graça. Abraços. E não se desespere, ela chegará!

Alex Malta Raposo disse...

Parabéns pela página.

Muito legal.

Já acompanho seus textos no Genizah, mas ainda não conhecia este espaço.

Estarei sempre visitando.

alexmaltta.blogspot.com
Evangelho da Graça