quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Do jeito que Deus gosta!


"Aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu." Hb 12:26

A sensação de estar onde o chão deixa de ser uma base de segurança é algo de fantástico.

Aquela máxima que diz: "Do chão não se passa", deixa de ser verdade". Todas as referências ficam igualmente abaladas. Ninguém fica impassível.

É comum na minha experiência como pastor, conselheiro,... receber pessoas desesperadas porque constataram que Deus tirou-lhes o chão, abalaram as suas vidas. São crises, descobertas aterradoras sobre si ou sobre um familiar, um cônjuge,... notícias ruins... fracassos, impossibilidades várias...

E os "abalos", terremotos existenciais são-nos muito úteis, segundo descobri.

Com o abalar das nossas estruturas - descobrimos quais delas são de fato fortes o suficientes para nos suster e, uma vez isso, pode-se continuar a emprender-se sobre elas, justamente porque foram postas à prova e, uma vez, postas debaixo das nossas edificações, como base do que construiremos, isso não ruirá algum dia. E causar dano ainda maior.

É precisamente disso que nos diz esse texto de Hebreus. Deus, e ninguém mais, fêz isso, e parece que tem todo o interesse em abalar as nossas fundações. Não o inimigo, não as circunstâncias fora do controle divino. E por graça. Para o bem. Não é gostoso viver-se debaixo de abalos, mas é algo bom e saudável.

Ainda me lembro quando cheguei à Europa, cheio de confiança naquilo tudo que era capaz de fazer, de empreender, num campo cheio de necessidades naquela época.
Por graça, tenho certeza, Deus fêz-me (e ainda tem feito) abalar as minhas convicções e bases todas. Logo nos primeiros meses, cheio de confiança naquilo tudo que sabia fazer, tive as minhas duas mãos quebradas em dois surpreendentes acidentes, no espaço de dois meses apenas entre um e outro. Naquela altura, confuso e com o desconforto todo de gessos e imobilização que me tirou a condição de trabalhar, pude refletir muito sobre uma verdade que veio a se confirmar no meu ministério cristão por cá: "Aquilo que Deus iria fazer, era mais pelo que eu sou, do que pelo que podia fazer". Nessa terra de lutas, não podia eu vir com romantismos ou abusar do direito de ser inocente.

Não é sem razão que as minhas maiores lutas aconteceram aqui...

Lisboa é toda plantada sobre bases móveis, capazes de tremer com a terra em caso de sismo sem que entrem em colapso (essa cidade já foi destruída em 1/3 da sua área urbana, há tempos, situando-se numa conhecida área de tremores).

Como ela, o grande problema da nossa vida, é cercarmos-nos de recursos, estratagemas contra os tremores santos.
E fazemos isso, quando cercamos-nos de desculpas, de acusações contra outros sobre aquilo que devia ser a nossa admissão de culpa nos nossos próprios erros. Quando cercamos-nos de uma capa protetora que sempre atira pros outros as falhas e o que se pode ver - nos outros - de fragilidades. De justificarmos-nos nas nossas necessidades, na nossa comodidade... Nos fins que justificam todo e qualquer meio, fazendo concessões ao que não há consistência ou legitimidade de acordo com a Palavra de Deus em nós.

Portando-nos assim, mantemos estruturas débeis e sem solidez, que um dia, mais tarde, irão causar danos muito piores, quando, dependendo delas, descobrirmos atônitos, que edificamos sobre a areia e não sobre a Rocha.

Antes que o edifício construído sobre esses pilares frágeis desabe, Deus mesmo se encarrega de soprar sobre eles, o seu vento impetuoso e derruba-os todos ao chão.

Não nos enganemos: Os abalos na nossa caminhada vêm de Deus, são bênção dos céus, para que nos certifiquemos, que afinal, estamos edificados, unicamente naquilo que não pode ser abalado: o Reino de Deus.

Quando estiver a passar por abalos, lembre-se disso. E saiba: você está onde devia estar.
E estará do jeito que Deus (e não o diabo) gosta.

2 comentários:

Ricardo Mamedes disse...

Belo texto Rubinho. Edificante. Confesso que parece feito para mim nesse momento. Logo, devo agradecer: obrigado. Eu tenho repetido isso quase como uma máxima: é preciso edificar sobre a rocha! Tanto para mim, intimamente, como para outros; para irmãos que amo, quando os vejo jogar as suas cartas em promessas humanas, milgreiros... Mas a verdade é que, definitivamente, crescemos na fraqueza, nos aperfeiçoamos quando as tribulações batem à nossa porta. Como sempre, Paulo estava certo... Parabéns Pastor, um texto especial. Amplexos. Em Cristo, o autor e consumador da nossa fé e da nossa salvação.

Rubinho Pirola disse...

E pensar, Ricardão, que morremos de medo dos abalos, corremos dos tremores e queremos desenhar uma fantasia gospel daquilo que Deus tem para nós.
Que não percamos o foco e não duvidemos - especialmente na hora das tribulações - de quem está conosco.
Abração! E obrigado mais uma vez.