terça-feira, 13 de outubro de 2009

A difícil oferta do novilho cevado


"Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á..." Mc 8:36

Quem nos conhece sabe do desgaste de mais de uma década no campo missionário. Tanto que já até nos designaram para irmos para o Brasil por seis meses para um tempo de refrigério (e algum trabalho, afinal, sou missionário brasileiro, rsrsrsrs...).
Não pude deixar de me lembrar esses dias, do novilho do filho mais velho do tal irmão rebelde, da conhecida parábola do Filho Pródigo (que para sermos mais rigorosos, devia-se chamar "A parábola do Pai Pródigo").


Nesse drama de caminhos feitos destruição, arrependimento e perdão, há algo interessante: Após a volta do fujão, o pai ofereceu-lhe uma festança com direito a assar (quem sabe no espeto!) um novilho cevado. Não um qualquer, mas o alimentado à mão, o especial, quem sabe guardado pra uma ocasião especialíssima.

O nó da questão, é que o pai ofereceu justamente algo que não possuía mais, uma vez que, como afirma Lucas 15:11 e 12, logo no início da narrativa contada por Jesus, "tendo o pai dividido tudo o que possuía entre ambos", aquele novilho não lhe pertencia.

Para além de viver de favor, o agora pobre pai, mandara sapecar um churrascão com o novilho de alguém que, por certo, já havia gasto as suas últimas esperanças e boa vontade com o irmão safado e ingrato.


Não nos importamos em socorrer quem quer que seja mas volta e meia nos surpreendemos ao ver que, mesmo sem condições, ainda temos que repartir para abençoar alguém, mesmo estando nós abatidos e nos sentindo miseráveis.
 

Quando justamente achamos ter queimado os últimos cartuchos, Deus sempre nos mostra que ainda não demos tudo - ou por desatenção, ou, no caso da narrativa bíblica, por egoísmo.

O que Deus nos dá para repartir, nunca se acaba. A nossa disposição sim. A nossa abertura para os outros sim.


Ainda bem que, do contrário do irmão ressentido que perdeu a rês numa festa que não queria oferecer, para alguém que achava que não merecia nem mais um fio de cabelo da família, quando compartilhamos de Deus, podemos dormir e sentirmos aquela paz gostosa que experimenta todo aquele que se presta a repartir o que tem e o que julga que não.
Que Deus surpreenda você também... E que não se esqueça da lição:
Tudo o que guardarmos para nós vai ser exatamente a porção que vai-se perder!

2 comentários:

Alan Brizotti disse...

Grande Rubinho!

Ótimo texto. O amor, do ponto de vista bíblico, afirma-se ao dar e não quando recebe. Essa é a lógica que o mundo negligencia,

Abraços

Ricardo Mamedes disse...

Parabéns Rubinho, lindíssimo texto! Ah o amor... há algo mais belo? Em Cristo.