quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A morte dos profetas

Essa Jerusalém terrena, não é aquela santa, a referência de morada para Deus, aquela construida em nós, nem aquela do alto, eterna.

Essa daqui, é o monumento do que já foi tragada pela plenitude dos tempos, como diz Paulo, quando veio o Filho do Homem.

Essa é a religiosa, corrupta e corruptível. Terrena como todas as outras cidades.
E reveste-se de uma particular importância: é símbolo da religião. Do cerimonialismo de coisas mortas, do que é aparente, do que apela à servidão, do que seduz e tira os olhos da cruz e da graça.

Jesus um dia chorou sobre ela afirmando: "Jerusalém que mata os profetas...". Não que os rejeita, mas que os atrai e destrói.


Sobre os nossos profetas - mesmo aqui não querendo questionar quem é e quem não é, pois nisso, todos os cristãos estão debaixo do mesmo risco e perigo (os que estão de pé, vejam para que não caiam...) - podemos todos concordar numa coisa: Eles andam a morrer.


E morrem pela boca ou pelo ventre - que apela a eles que o saciem, à custa dos convenientes pratos de lentilha, à custa das ovelhas que deveriam pastorear.

Começaram bem, mas hoje os únicos que querem apascentar são eles próprios, perdidos em pregações contrárias as do começo de suas carreiras.


As ovelhas? Ora as ovelhas! Comamos-lhes a gordura, vistamos-nos da sua lã, caiamos como abutres sobre as cevadas, não fortaleçamos as fracas - assim não pensarão por elas - nem curemos as enfermas, nem liguemos as quebradas e as desgarradas não tornemos a trazer para o aprisco, antes dominemos sobre elas com rigor e dureza, dizem eles na sua instransponível consciência cada vez mais endurecida.


É triste ver como rapidamente se desviam os que deveriam trazer a palavra do alto. Pelas TVs (no Brasil) gritam e esperneam, aplicando-se mais à sua auto-defesa e a atacarem os seus críticos mais que qualquer outra coisa. Em Portugal onde vivo, a defenderem os seus castelos e a andarem sós, porque ninguém, com exceção dos que vivem nos seus, cada vez menores, limites, os leva mais a sério.

E morrem.

Um comentário:

Ricardo Mamedes disse...

Pois é meu amigo é o estranho gosto pela 'graça' barata. Porém graça, aquela, verdadeira, não meritória, a que o apóstolo se referiu tão ricamente em Romanos e Efésios, como também nas outras Cartas, esta os profetas se esqueceram. O aprisco já está cheio... das suas iniquidades, do seu ego imenso, megalomaníaco, da sua avareza, soberba, arrogância. Esses profetas, pseudo-espirituais, eu os vejo através de uma imagem menalizada, na "Divina Comédia" de Dante. Eles certamente cometeram e cometem diuturnamente todos os sete pecados capitais. Pior do que a Jerusalem terrena, eles vivem na Babilônia, alimentando o seu próprio deleite e a sua concupiscência. Foi um prazer visitar o seu blog, já o estou seguindo. Faça-me uma visita. Será uma honra. Link: www.ricardomamedes.blogspot.com. Deus esteja conosco.