quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Disciplina? Quem precisa dela?

Se há algo que eu queria, era solução de problemas, em drágeas ou gotas.

Tanto faz o jeito, o que mais queria era um jeito de resolver as minhas dores de cabeça existenciais. Na hora, sem dor e sem esforço.


Queria mesmo que funcionassem as orações "ungidas", os "passes" e os "toques" sobrenaturais que fizessem calar os meus medos, as minhas ansiedades...

Ou ainda que me enchessem a conta bancária, curassem tudo o que os analgésicos, valiuns e prozacs não dão conta.


Queria até, acreditem, que as minhas oferendas, ofertas, dízimos e outras obrigações religiosas comprassem o que a minha alma precisa para viver em paz consigo própria, com os outros e com Deus.

Puxa... até torcia para que funcionassem esses "produtos" todos que esses pilantras, picaretas e mercenários da TV, do rádio, vendem para a nossa felicidade.

Eles só fazem tanto sucesso porque já descobriram que promessa e "conversa-para-boi-dormir" valem até mais do que a entrega da, digamos mercadoria - tudo aquilo que faz com que a nossa existência seja menos penosa.

Que a prática daquilo que chamam "batalha espiritual", nos fizesse deixar de mentir, de trapacear, de defraudar, de passar acima dos outros... (já ouvi dizer que existem demônios responsáveis da mentira, da preguiça, do egoísmo - e têm, imagine, até nome conhecido! Ou seja, a culpa dos nossos erros é sempre deles!).


Quando acabou no meu país a ditadura, descobri que com ela, foi-se também um conceito que ficou colado à austeridade daquele momento de excessão - a disciplina.

Foi o que vi nas escolas (fui professor por bom tempo), nas casas, na educação familiar,... e até na vida dos crentes.

Eu queria que fosse do outro modo, mas a realidade é que não há ainda nada que nos ajude a vivermos o projeto de Deus, para além de, uma vêz acertada as contas com Ele e de recebermos o poder que nos livra de ficarmos à mercê do erro genético-espiritual, a parte que nos cabe, só vem com disciplina.


Se fomos feitos filhos sem a nossa participação, agora o viver como filhos, a manifestarmos o seu carácter e cumprirmos o seu propósito como cristãos, só com essa "tomada de cruz" diária mesmo. Com a morte da nossa vontade.

Chorar, suar o que for preciso, mas perdoar aos que nos ofenderm, sentindo ou não; engolir o orgulho como beber serragem sem água, mas amar os que não merecem o nosso afeto; ofertar o que temos escondido lá no fundo do bolso, sacrificando a nós mesmos para socorrermos alguém em dificuldades, bem como abrirmos a nossa casa a um viajante ou ao desvalido... mordermos a língua mas não difamarmos, ofendermos a quem quer que seja. E também: ler a Palavra, engolindo-a como uma espada - das que cortam mesmo - se dedicando à oração, com ou sem vontade, crendo que precisamos delas, como o pão para a vida.

E é assim... Eu queria que fosse diferente, mas não é.

Quem é filho, se submete ao Pai e não procura atalhos. Ou não é filho.


"É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos." Hb 12:7-8

2 comentários:

Aline disse...

Shalom!

Que prazer em encontrá-lo por aqui! Certamente não me conheces, mas suas caricaturas me acompanharam por um tempo. Meu pai um dia me presenteou com seu livro "Café com Deus", há uns bons anos atrás, amei!
Um forte abraço.. de sua irmã em Cristo, Aline Croce.

Josemar Bessa disse...

Na vida espiritual o atalho sempre é o caminho para a tragédia - Os proponentes da "batalha espiritual" - jamais vão ajudar outros a deixar de trapacear, verem a si mesmo e não Deus como o centro de tudo. Porque eles mesmos são TRAPACEIROS por excelência. Vão continuar ensinando que Deus existe para a glória do homem e não o homem para a glória de Deus."Tomar a cruz e negar a si mesmo" é realmente o único caminho - é tomar a cruz em direção ao Calvário, a morte - a morte para nós mesmos. e então descobrimos o significado do "para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro" - Como Paulo, teremos que dizer: "Eu esmurro a mim mesmo..." - mas grande parte da multidão estão fazendo "PROPÓSITOS" - NÃO PARA A GLÓRIA DE DEUS, VER SUA BELEZA E SE DELEITAR NELE - PROPÓSITOS para obter casa, carro, dinheiro, marido, mulher... e por aí vai pelo caminho do cansaço...