quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A morte dos profetas

Essa Jerusalém terrena, não é aquela santa, a referência de morada para Deus, aquela construida em nós, nem aquela do alto, eterna.

Essa daqui, é o monumento do que já foi tragada pela plenitude dos tempos, como diz Paulo, quando veio o Filho do Homem.

Essa é a religiosa, corrupta e corruptível. Terrena como todas as outras cidades.
E reveste-se de uma particular importância: é símbolo da religião. Do cerimonialismo de coisas mortas, do que é aparente, do que apela à servidão, do que seduz e tira os olhos da cruz e da graça.

Jesus um dia chorou sobre ela afirmando: "Jerusalém que mata os profetas...". Não que os rejeita, mas que os atrai e destrói.


Sobre os nossos profetas - mesmo aqui não querendo questionar quem é e quem não é, pois nisso, todos os cristãos estão debaixo do mesmo risco e perigo (os que estão de pé, vejam para que não caiam...) - podemos todos concordar numa coisa: Eles andam a morrer.


E morrem pela boca ou pelo ventre - que apela a eles que o saciem, à custa dos convenientes pratos de lentilha, à custa das ovelhas que deveriam pastorear.

Começaram bem, mas hoje os únicos que querem apascentar são eles próprios, perdidos em pregações contrárias as do começo de suas carreiras.


As ovelhas? Ora as ovelhas! Comamos-lhes a gordura, vistamos-nos da sua lã, caiamos como abutres sobre as cevadas, não fortaleçamos as fracas - assim não pensarão por elas - nem curemos as enfermas, nem liguemos as quebradas e as desgarradas não tornemos a trazer para o aprisco, antes dominemos sobre elas com rigor e dureza, dizem eles na sua instransponível consciência cada vez mais endurecida.


É triste ver como rapidamente se desviam os que deveriam trazer a palavra do alto. Pelas TVs (no Brasil) gritam e esperneam, aplicando-se mais à sua auto-defesa e a atacarem os seus críticos mais que qualquer outra coisa. Em Portugal onde vivo, a defenderem os seus castelos e a andarem sós, porque ninguém, com exceção dos que vivem nos seus, cada vez menores, limites, os leva mais a sério.

E morrem.

domingo, 27 de setembro de 2009

A suprema batalha espiritual

Temo que muitos, mas muito mesmo, estejam hoje, apenas brincando de ser crente.

É muito misticismo, muita "glória-aleluia" para pouco cristianismo, pouca essência que manifeste uma vida conforme Cristo.

Achando que tocamos o sagrado, ainda continuamos a cheirar a açougue (carne, muita carne).


É pretensa reunião para buscar a Deus e os céus: são jejuns, arrepios, sensações, especulações, experimentações que só estimulam os sentidos, as emoções, a nossa carne, mais do que produzirmos de resultado naqueles a quem tocamos, o que a Palavra do Senhor gerou em nós.

E é assim: muito falatório, muita aparência de santidade e pouco resultado daquilo tudo que devia salgar e iluminar.


A julgar pelo que faz sucesso hoje em dia, parece que até os líderes têm se encarregado mais de sessões de entretenimento (e arrecadação financeira) do que formar gente em Cristo, com o carácter de Cristo e a estatura de Cristo.

Enquanto cuidamos de lidar com o diabo, nas amarrações, dominação das hostes espirituais, a fazer o que chamam de "batalha espiritual", somos nós mesmos os diabos a tornar a vida do próximo um inferno.


E dá-lhe "quedas-debaixo-da-unção", sons de shofares, óleos ungidos... reuniões de oração e jejum para tornar Deus melhor do que é, ou para convertê-Lo às nossas causas e demandas e muito pouco resultado para espalhar o bom perfume de tudo o que cremos.

Talvez por isso mesmo é que precisamos todos de cursos de evangelismo, campanhas e técnicas de marketing, para fazer o que o dia a dia simples do crente podia naturalmente produzir.


Ontem soube de algo produzido pelo último ajuntamento na nossa comunidade aqui em Lisboa.

Não o que pode-se ver de mágico ou arrepiante nos horários de "culto", mas o seu "dia-seguinte", o que chamo de "prova dos 9", ou ainda o "efeito Segunda feira", o que resultou a mensagem que pregamos ou do culto que prestamos a Deus.

Uma irmã, reuniu-se com outras e, juntas organizaram um santo mutirão, um movimento espiritualíssimo, pois empenharam-se contra um principado chamado passividade, mobilismo e insensibilidade carnal e cada uma, no seu dia da semana, passou a ir até a casa de uma outra - curiosamente estrangeira (a Bíblia sempre os traz como uma classe à parte, símbolo do necessitado pela própria natureza) - que deu à luz recentemente, para ajudá-la limpando, lavando, passando-lhe as roupas, enfim, tudo aquilo que uma mãe em recuperação necessita.

Nada mais poderoso para calar o inimigo e vingativo opositor das nossas almas. Nada mais eficaz contra as hostes espirituais da maldade, nada mais forte, capaz de encher de perplexidade as potestades todas, nada mais... cristão.

É isso que me faz pensar que, afinal, ainda há Deus sobre Israel. Mais do que qualquer adorno, ou falatório, outra conversa-pra-boi-dormir, coreografia religiosa, carnaval evangélico... que faz do crente, um apenas um travesti de santarrão. Amém.

E boa semana de trabalho à todos!


"Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda." Is 58:5-8

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O meu santo São José - o padroeiro da adoção!

Enquanto metade dos chamados cristãos do planeta veneram Maria, eu francamente, sou fã mesmo é de José.

Aquilo é que foi macho e é o que mais tipifica Deus em toda história humana de Jesus e contentou-se em ser um mero coadjuvante e nem filme de Hollywood mereceu.

Enquanto Maria tinha mais é que receber o filho que lhe veio - sobrenaturalmente - ao ventre, ele que não tinha nada a ver com a coisa, adotou o menino ilegítimo e, por conta disso, Jesus ganhou o nome profético de "Filho de David", pois na linhagem do rei de Israel, Maria não tinha lugar e sim, José. Aliás, a adoção é algo do coração de Deus e torna as pessoas em filhos legítimos, por isso é inquestionável a ascendência real do Cristo homem.

A Bíblia diz que Deus nos chama e trata de filhos por adoção. Não uma classe diferente, como por exemplo o manjado "filhos adotivos". Somos filhos e acabou. Por adoção, mas filhos. Percebeu?
A adoção não uma contingência natural. Assim como em lugar algum da Bìblia vemos Deus apresentar-se a nós como o "Pai adotivo". Temos a mesma consideração, a mesma regalia que um filho de sangue e natureza. Somos em tudo feitos pelo coração de Deus, co-herdeiros com Cristo, participantes da mesma herança.

Prefiro mil vezes saber que sou "filho do coração", escolhido, que um "filho da barriga", aquela coisa do "você veio, furou a camisinha, falhou o anti-concepcional, não esperávamos... fazer o quê?".

Se fosse natural, pais receberem todos os filhos que geram, Deus nunca teria dito que mesmo que um mãe venha a se esquecer do filho que amamenta, Ele nunca o faria, nunca nos deixaria (Is 49:15).

Adotar é uma decisão, não uma coisa natural, passiva, automática.


Toda criança precisa ser adotada. Mas o que mais tem são filhos à espera de adoção, de quem os receba. Mesmo tendo os pais vivos.

Adoção requer fé. Amor desinteressado, dos que se usa como investimento sem retorno garantido.


Já o aborto é a desistência antes de qualquer oferta, qualquer ato, qualquer que seja. Não vimos, não andamos uma milha, ou uns metros, e não gostamos. Nem valeu a pena o esforço que nem existiu.


Como tem muito filho de pai vivo à espera de adoção, existem muitos abortos, frutos do nosso desinteresse.


Gente com quem partilhamos os dias, as horas de trabalho... e de quem desistimos de antemão.

Pior: irmãos de igreja, da comunidade da fé, com quem comemos o pão, mas evitamos repartir os nossos, particulares, guardados a sete chaves na nossa afetividade seletiva.

Não amparamos, não socorremos, não acolhemos, não aceitamos e pronto. Estão mortos, riscados da nossa história. Não tenho nada com ele, pensamos e desviamos-nos do seu caminho, como o sacerdote, o levita, lá da parábola do Bom Samaritano.

Guardamos deles a nossa afetividade, os nossos recursos e a nossa mão. Estão abortados de um caminho que podia ser partilhado.

A adoção, vem de Deus. O aborto, do cão, do inferno.


Vai dai, que amo mesmo esse tal santo chamado José. Não é que ele se parecia com Deus?

"Amados, se Deus assim nos amou,
também nós devemos amar uns aos outros." 1 Jo 4:11

O cristianismo esquizofrêncio e o negão da oficina mecânica

Algumas pessoas parecem ter várias vidas numa só.

Apesar de somos uma só pessoa, parecem encarnar várias realidades sem ligação entre si.


No oriente, sempre houve fortemente consagrada, a visão unificada de todas as nossas responsabilidades, todas as nossas obrigações, um existir integral, e não há a separação da nossa espiritualidade e das outras demandas da nossa existência e, nuns lugares, nem a separação entre estado e religião.

Era assim em Israel dos tempos bíblicos.


Mesmo não querendo aqui tecer comentários sobre as implicações de um casamento entre estado e religião, contudo tenho de admitir que essa compartimentalização da nossa vida tem só produzido distorções terríveis.


É aquela coisa de: minha vida espiritual, minha vida estudantil, minha vida familiar, minha vida religiosa, minha vida profissional,... e o sujeito acaba mesmo é desenvolvendo uma estúpida experiência a que chamo de "cristianismo esquizofrênico", separando o que era pra ser um todo.
Como se fôssemos mais de um, dentro de um só corpo.

Não conseguem eles equacionarem todas as, digamos "vidas" e a sua submissão ao alto e verem Deus, como recomenda as escrituras "em todos os nossos caminhos".
Uns, quando oram, parecem até que foram tomados, possuídos, pois até trocam de voz, da normal por uma empostada, polida...
Não conseguem misturar futebol, o preço da gasolina, com o céu, com a Bíblia, equalizando numa mesma conversa, sem ponto nem vírgula, Deus, o cotidiano, o alto e o chão.
Como consequência disso, não conseguem esses, viver a sua vida com Deus permeando todas as esferas da sua existência como ser social, como cidadão.

Vivem limitados por domingos, cultos, campanhas, e a sua visão dos limites do Reino de Deus é minúsculo.
Odeiam as segundas feiras porque Deus só vai, ou entra, naquilo que, crêem, diz respeito a Deus. Deus está restrito aos templos e aos "lugares santos".

Esses, só ouvem música de crente, só conversam conversas de crente, só vão a lugares de crentes, numa vida paupérrima, sem sabor, sem cor, sem graça, beleza ou significado (pois fora das igrejas, nada há que Deus tenha feito ou faça ainda. Não apreciam uma peça de arte, não admiram uma pintura,...).


Só são "cristãos", no meio dos cristãos, e até têem um jargão próprio, mas só quando estão entre os "iguais".

Só funcionam como crentes, quando ganham uma função, oficializada.

Só são pastores, sacerdotes, missionários, se ganharem um diploma, carteira assinada uma credencial. Só entendem-se partes do projeto de Deus para transformar essa terra, se isso for oficializado ou institucionalizado. No meio dos crentes são fiéis, e uma vez longe deles, correm cada um por si, sem enxergarem qualquer outro propósito a não ser o seu próprio interesse na sua pobre existência e o sagrado não é parte dela.


Eu amo ver cristãos que vivem a proposta do Evangelho sem estabelecerem-lhe limites na sua história pessoal.


Como o Noé, um sujeito que conheci há muito.


Ainda me lembro quando, ao terminarmos todos a universidade, um grupo de amigos reunidos em São Paulo e um de nós, o tal Noé, que havia terminado o seminário bíblico e se preparado para servir numa igreja (pois crente que é crente, para servir a Deus, tem de o fazer com carteira assinada e tudo!), afirmou para espanto dos amigos de fé, que iria fazer um curso de mecânica de automóveis.


Todo mundo na hora, arrepiou. Não é que o negão (ou melhor, o afro-descendente) apostatou? O sujeito tinha amarelado, temendo, não havia dúvidas, o que chamávamos de "viver pela fé", dependendo de Deus, na nossa santa e ingênua ignorância. Pensamos todos a mesma coisa e questionamos-nos o porquê.


Mesmo depois de uma explicação que na hora pareceu-nos menor, pobre de argumentos, anos depois vimos os resultados de tal decisão: aquele sujeito havia transformado um bairro todo, lá na zona sul se não me engano, abrindo não uma igreja, mas uma ...oficina de automóveis!


Pouco a pouco, de uma portazinha acanhada, viu ele o Senhor agregar-lhe lateiros (bate-chapas, em Portugal!), pintores, outros mecânicos, todos, igualmente achados sem emprego, sem esperança, sem salvação, perdidos sem Deus e sem a mensagem da cruz.


Em meio ao serviço, esse nosso amigo compartilhava (acho que não de gravata e paletó) o que conhecia de melhor e servia-lhes a existência, repartindo, mais do que possuía, mas tudo o que era, como filho de Deus.


Aquele sujeito que não separava as dimensões do sagrado às coisinhas menores (aos nossos olhos) da vida terrena mudou todo um bairro, várias famílias e trouxe ao lugar, uma igreja solidamente edificada, num eclesiologia nada ortodoxa.


O grande desafio que todos temos é deixarmo-nos ser usados por Deus onde estamos, aqui e agora. Sem pensarmos em mudar de profissão, ou de situação, mas deixando-se guiar pelo Pai. E enxergando cada caminho aberto por Ele para que sejamos sal e luz. É entendermos afinal, que o nosso maior ministério, somos nós mesmos e não o que fazemos.

É isso, precisamente, que faz das nossas existencias, algo que valha a pena.

"Vós sois o sal da terra" Mt 5:13

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Divino Cadeirante


PRA PENSAR...

"Se Deus realmente é movido pela nossa fé, então já estava paraplégico há muito!"

Paulo Borges Jr.

As dores do ministério e o rio de Deus

Eu não gosto de sentir dor. Normalmente, ninguém gosta.

Para quem teve já um problema de saúde que deixou algumas sequelas que fazem do simples caminhar uma experiência algo dolorida, o tema ganha outra dimensão.


Nesses poucos anos de ministério (considero-o desde o momento da minha conversão por Deus aos 14 anos de idade!), o que mais tenho descoberto no seu exercício, são dores.

Lógico que (sem cair naquele triunfalismo imbecil e mentiroso que são temas de promessas de mentirosos ou superficiais pregadores que as negam) as dores, num cristão, são minimizadas ou suportadas pela perspectiva dessas não serem de maneira nenhuma desprovidas de propósito.

São com elas e, até por elas, que geralmente os frutos que tenho colhido me vêm às mãos. Afinal, não sofremos por nada, como não vivemos como filhos de Deus e cooperadores de Cristo de maneira vã, sem objetivo.


Ainda me lembro do dia em que despedindo-se de mim, a minha comunidade lembrou-me da promessa "Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos." (Sl 126:6), prevenindo a mim e a minha família que esse "chorando" não seria nunca um acidente na missão, mas parte integrante dela. Nada mais exato. Nada mais fiel e verdadeiro. Sem essa parte integrante de dois momentos - o semear e o colher - o choro nunca foi uma ausencia na nossa vida aqui na Europa. Choramos para sair, deixando a nossa zona de conforto (onde os pés alcançavam o fundo): casa, mais que emprego, carreira; aposentadoria certa; amigos; irmãos; pais; parentes... E choramos até para... voltar!

Agora que há uma perspectiva de um sabático, proposto pela Trans World Radio de seis meses no Brasil, fui supreendido pelo nosso amigo e companheiro de missão - o choro - vindo até mim e a esposa. O que seria algo fantástico a qualquer um que está (no caso dela há dois anos e meio sem ver os que ama e no meu, quase um), veio trazer um certo desconforto.

Como ele é presente... até numa hora dessas, pensei eu. Nas provações, nas lutas, mas até no que aparentemente deveria ser motivo de alegria.

É aquela coisa de vermo-nos numa terra diferente, amigos com a sua agenda onde dela já não somos parte, e muitas outras coisas que talvez muitos não se darão conta.
Missionários sabem o que digo.

Como disse Caetano: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".


Nessa Segunda feira última, recebendo um amigo, fui chamado à atenção por um texto curioso que cito abaixo. Nele, vemos inevitavelmente um paralelismo entre o rio de Ezequiel, que ele mediu e que tornava cada vez mais profundo à medida que progredia na caminhada e entre o rio que sai do trono, aquele lá de Apocalipse. E a constatação: "quanto mais profundamente vamos nesse rio de cura e que traz frutos abundantes - tanto mais distantes nos tornamos do trono, da fonte,... de Deus".


É isso que, afinal, podemos imaginar, aconteceu com Cristo na Cruz, quando bradou: "Pai, porque me abandonaste?".

Indo fundo na experiência missionária, o Filho do Homem, deixou-se ir pra cada vez mais longe do trono, de onde veio, de onde tinha tudo, de onde desfrutava do conforto e prazer.

O resultado? Está escrito que
Cristo viu o fruto do seu penoso trabalho e foi satisfeito (Isaías 53:10-11). Não há resultado sem trabalho penoso. Não há colheita sem choro, uma coisa está ligada à outra. Pode anotar. E ficar esperto (e animado, se tem sofrido pela causa do Evangelho!).

Hoje, do alto dos meus 50 anos, tenho descoberto uma máxima que não é divulgado pelos picaretas da fé: se tudo corre bem, se tudo está tranquilo, se onde anda dá pé - onde não é preciso fé, vendo o que não se vê - tome cuidado!

Pode ser que esse não é o caminho, nem o lugar no rio de Deus.


"E saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; e mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. E mediu mais mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; e outra vez mediu mil, e me fez passar pelas águas que me davam pelos lombos. E mediu mais mil,
e era um rio, que eu não podia atravessar, porque as águas eram profundas, águas que se deviam passar a nado, rio pelo qual não se podia passar. E disse-me: Viste isto, filho do homem? Então levou-me, e me fez voltar para a margem do rio. E, tendo eu voltado, eis que à margem do rio havia uma grande abundância de árvores, de um e de outro lado. Então disse-me: Estas águas saem para a região oriental, e descem ao deserto, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, as águas tornar-se-ão saudáveis. E será que toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá; e haverá muitíssimo peixe, porque lá chegarão estas águas, e serão saudáveis, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio." Ez 47:3-9

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A sedução dos últimos dias!

Voltei de uma viagem à America que, dentre outras coisas, só confirmou o que já percebia: a grande religião, a que mais cresce em toda a terra, está pior e mais ativa que nunca.

E mais: Só ela pode vencer a ameaça muçulmana que paira sobre o futuro próximo da Europa e que apavora, tanto políticos como a nós cristãos.


Ela também é a que mais cresce, ainda mais que o Evangelho na America Latina - Brasil inclusive.


Assustadoramente, ganha adeptos não só entre
cristãos, muçulmanos, hindús, como os de todas as outras fés ou confissões.

Uma religião que tem esterelizados casais, dimuindo-lhes o número de filhos, ao passar-lhes a ideia que as crianças são mais impedimentos ou perturbações do que dádivas divinas ou "heranças do Senhor"; também faz com que se adiem casamentos, celebrando-os cada vez mais tarde para viabilizarem carreiras e realizações profissionais ou acadêmicas, crescimento social ou mesmo, nem chegam a fazê-lo, aumentando entre nós o número de solteiros e gente solitária que desejam crescer nessa fé com obstinada perseverança, sem vermos diminuídos em nós o ritmo e a paixão rumo aos seus "iluminados galardões".


Por essa mentalidade de devoção, deixamos de hospedar, de socorrer, de cuidarmos dos interesses dos outros que não nós mesmos e, bem devagar, sutilmente, essa fé vai ocupando lugar nas mentes e corações. Sem que oficialmente mudemos de lado, vamos erigindo os seus altares.


Por essa crença, também negocia-se as consciências, noites de sono inocente, pelo peso, cada dia tornado menor à custa de entorpecentes possessões e conquistas.


Ela cresce ligeiro por todo canto e toma gente que corria com fidelidade dentro das nossas fileiras, perverte líderes, gente grande, gente pequena, pastores e pregadores de púlpito, de televisão, de rádio... que, outrora, eram fiéis às verdades bíblicas e delas, eram defensores corrompendo-as (e aos que os ouvem sem cuidados!) numa adulteração quase sempre à conta-gotas.


Está por trás da política, dos meios de comunicação de massa e até dos templos. E inspira famosos ou anônimos criminosos.


Não há hoje - podem analisar as pesquisas - religião que mais cresce de norte a sul como aquela que serve ao deus deste século: Mamon, nome aramaico para dinheiro, riqueza, opulência.


Para vencer qualquer fé ou consciência, basta acrescentar-se-lhe pouco a pouco as suas "bênçãos" ao pobre crente, repito - muçulmano (radical ou nominal), hinú, budista, espírita, cristão - evangélico, protestante, pentecostal, católico romano, ortodoxo,... e veremos o seu poder.

Fiquem espertos. E saiam dela, povo de Deus!

"Porque todas as nações têm bebido do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. Ouvi outra voz do céu dizer: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos sete pecados, e para que não incorras nas suas pragas." Ap 18: 3,4

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O ministério da consolação


Estou nos Estados Unidos desde anteontem.

Viajei por três estados, várias horas de avião, outras tantas de carro e muita gente precisando de consolo e abraço. Ou, como diria a minha esposa, colo!

Nesse pouco tempo, eu que, conhecendo a solidão e luta da vida missionária - daquele tipo que nos leva pra longe da zona de conforto: casa, família, cultura, língua, temperos... - sei da importância desse ministério negligenciado por quem deveria estar "do outro lado da corda", sustentando e apoiando essa parte do batalhão da fé.

São brasileiros, deverão estar pensando vocês, os que estão por essa banda da terra e carenciados de apoio e ânimo. Nada mais óbvio, se imaginarmos que apesar de tanto falarmos e ouvirmos sobre missões, ainda não aprendemos a cuidar dos que enviamos um dia, mandando alguém (pensam muitos), fazer algo em nosso lugar... mas não. Passei o dia hoje até com americano (que viajou quase 3 horas para estar comigo), também missionário de volta à terra-mãe, cercado de lutas e desafios de um reenvio a outro campo distante e difícil (no alto dos seus 67 anos!!!).

Me lembrei de Paulo, a escrever aos amigos, às igrejas distantes e ligadas à ele: "lembrem-se das minhas cadeias (algemas, prisões, limitações e provações)...".

O super-herói bíblico, o homem das revelações, dos arrebatamentos e discernimentos dos céus enfrentava as provações de maneira extraordinariamente convicta, sustentado pelo poder do alto, mas não tinha problemas em confessar a sua necessidade de ânimo vindo da terra, dos seus, em forma de cartas, visitas...

Sinto que temos sido espirituais demais e pouco, mas muito pouco práticos. No "vamos-ver", Paulo pedia consolo de gente de carne-e-osso. Um abraço, não de penas de anjos, mas de iguais.

Cansado também eu, provei hoje do quão bom e agradável é estarmos juntos. E recebermos consolação uns dos outros, mesmo no confessar das nossas lutas travadas e lágrimas derramadas na solidão dos nossos campos de semeadura, sem ter propriamente no bolso, soluções fáceis para os problemas dos outros. Só o estarmos juntos já nos valeu.

Quando ler esse post, lembre-se (se der!!!), dos amados que você conhece e que um dia disseram sim a Deus e se foram.
E ore por eles, para que Deus os console os encha de ânimo, de coragem e da lembrança que os que os enviaram, ainda estão com eles.
E se possível, faça-os saber disso.

Você pode não saber, mas isso vai produzir neles um bem tremendo.

Um abração e obrigado. E desculpem-me pelo sumiço.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Amor heavy metal


"Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos,
que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e se lhe atirasse ao mar." Mt 18:6


Há alguns anos, estive no Tribal Generation, um fórum que reúne os que dedicam-se a buscar com a mensagem e o testemunho do evangelho, o pessoal da geração chamada emergente.

Foi em Uberlândia-MG. Muita tribo reunida, muita emoção da minha parte ao ver gente maluca de toda espécie - maluca por Jesus e por gente. Gente de todo tipo. Gente que precisa Dele. E que, apesar da nossa velha expectativa religiosa (e preconceituosa), na maioria das vezes, mudada pela cruz, é transformada completamente, mas só por dentro. Por fora, geralmente, contrariamente do que o nosso farisaísmo podia esperar, continuam os mesmos - nos cabelos, nas roupas e adereços, rigorosamente iguais.

Pois foi ai, em meio a muita coisa de Deus no meu coração, no confronto com essas minhas ideias menores, ridículas que ainda teimavam em estar nos cantos escondidos da alma, é que me encontrei com duas ex-ovelhas, do tempo em que pastoreei uma comunidade que se reunia num velho cinema do centro da cidade.

Deviam cada uma, estar já na casa dos 70, 70 e poucos anos. Mas, não tivesse eu uma memória fotográfica - coisa de cartunista - não as teria reconhecido.

Cada uma, vestidinha de preto, dos pés à cabeça, bijouterias esquisitas e pasme, com bandanas pretas a cobrirem os cabelos nevados.

Na hora, eu deixei soltar aquela clássica, fruto do inusitado da cena: "Até vocês, minhas irmãs? O que é isso? Que roupas são essas?"...

Tente imaginar a cena e o meu espanto, diante de duas senhoras, exemplos de oração e dedicação piedosa, duas senhoras septuagenárias, na acepção do termo. Ali, diante de mim, duas malucas, passadas do tempo, com correntes e tudo à volta da cintura.

Na hora, explicaram-me rapidamente as duas, com toda a autoridade que os céus lhes dava: "Rubinho, pastor amado, estamos assim porque vamos receber pra um concerto aqueles jovens malucos do death metal" (eu confesso: nunca soube que havia até categorias a dividir os caras do movimento heavy!) e emendaram...
"e não queremos de maneira nenhuma escandalizar os meninos!"

Tai ai. Naquela noite tive - pela primeira vez na minha vida - ouvido no mais estrito senso bíblico que, creio, Cristo havia utilizado para defender os pequenos, os que mais necessitados e distantes estavam da mesa farta da graça de Deus.

Até aquela tarde, só tinha ouvido a aplicação dessa palavra, no lado oposto, como um escudo farisaico contra pessoas, para resguardarem um limite de intolerância e preconceito. Algo usado para proteger gente que, como crente, madura, velha de casa, devia mais era ter misericórdia e força suficiente para rebaixar-se à estatura dos perdidos e débeis na fé, para servi-los apresentando-lhes o amor do Pai. E não o contrário.

Desde há muito, ouvira esse: "Cuidado para não escandalizar", para proteger gente que já devia ter maturidade suficiente para flexionar-se à estatura dos mais novos.

Escândalo, cara, é fazer algo, é portarmos-nos de modo a impedir as pessoas de virem a Cristo. Aplicado a crente, escândalo nada mais é do que frescura.

Aplicado à crentes maduros é incentivar a intolerância, o preconceito e o fechar-lhes a guarda em torno das suas preferências, manias e gostos.

Cristo nos chama hoje a despirmos-nos dos nossos cômodos escudos de proteção contra os outros, daquilo que fazem de nós pedra de tropeço à aqueles que querem vir a Ele. Como aliás, Ele fez, despindo-se que tudo o que possuía no céu e vestir-se dessa roupinha ridícula, sensível, frágil, de humanidade.

Estamos prontos a abrirmos mãos de nós mesmos pelos outros? Até que ponto estamos dispostos a ir para não os escandalizarmos?

Nessa tarde, lembrei-me da lição daquelas duas malucas lindas e amadas da minha terra. E orei pra que nunca percam esse amor e elasticidade no irem até aos pequenos.

Nada mais radical e maluco!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Disciplina? Quem precisa dela?

Se há algo que eu queria, era solução de problemas, em drágeas ou gotas.

Tanto faz o jeito, o que mais queria era um jeito de resolver as minhas dores de cabeça existenciais. Na hora, sem dor e sem esforço.


Queria mesmo que funcionassem as orações "ungidas", os "passes" e os "toques" sobrenaturais que fizessem calar os meus medos, as minhas ansiedades...

Ou ainda que me enchessem a conta bancária, curassem tudo o que os analgésicos, valiuns e prozacs não dão conta.


Queria até, acreditem, que as minhas oferendas, ofertas, dízimos e outras obrigações religiosas comprassem o que a minha alma precisa para viver em paz consigo própria, com os outros e com Deus.

Puxa... até torcia para que funcionassem esses "produtos" todos que esses pilantras, picaretas e mercenários da TV, do rádio, vendem para a nossa felicidade.

Eles só fazem tanto sucesso porque já descobriram que promessa e "conversa-para-boi-dormir" valem até mais do que a entrega da, digamos mercadoria - tudo aquilo que faz com que a nossa existência seja menos penosa.

Que a prática daquilo que chamam "batalha espiritual", nos fizesse deixar de mentir, de trapacear, de defraudar, de passar acima dos outros... (já ouvi dizer que existem demônios responsáveis da mentira, da preguiça, do egoísmo - e têm, imagine, até nome conhecido! Ou seja, a culpa dos nossos erros é sempre deles!).


Quando acabou no meu país a ditadura, descobri que com ela, foi-se também um conceito que ficou colado à austeridade daquele momento de excessão - a disciplina.

Foi o que vi nas escolas (fui professor por bom tempo), nas casas, na educação familiar,... e até na vida dos crentes.

Eu queria que fosse do outro modo, mas a realidade é que não há ainda nada que nos ajude a vivermos o projeto de Deus, para além de, uma vêz acertada as contas com Ele e de recebermos o poder que nos livra de ficarmos à mercê do erro genético-espiritual, a parte que nos cabe, só vem com disciplina.


Se fomos feitos filhos sem a nossa participação, agora o viver como filhos, a manifestarmos o seu carácter e cumprirmos o seu propósito como cristãos, só com essa "tomada de cruz" diária mesmo. Com a morte da nossa vontade.

Chorar, suar o que for preciso, mas perdoar aos que nos ofenderm, sentindo ou não; engolir o orgulho como beber serragem sem água, mas amar os que não merecem o nosso afeto; ofertar o que temos escondido lá no fundo do bolso, sacrificando a nós mesmos para socorrermos alguém em dificuldades, bem como abrirmos a nossa casa a um viajante ou ao desvalido... mordermos a língua mas não difamarmos, ofendermos a quem quer que seja. E também: ler a Palavra, engolindo-a como uma espada - das que cortam mesmo - se dedicando à oração, com ou sem vontade, crendo que precisamos delas, como o pão para a vida.

E é assim... Eu queria que fosse diferente, mas não é.

Quem é filho, se submete ao Pai e não procura atalhos. Ou não é filho.


"É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, sois então bastardos, e não filhos." Hb 12:7-8

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A suprema lembrança

O dia hoje começou cedo com as suas pressões para além do normal: Mil coisas a fazer.
Mas graças ao bom Deus, como uma brisa nova, fui lembrado de algo especial e que faz toda, mas toda a diferença.

Como todo santo dia em que somos pressionados pelas responsabilidades, por aquelas coisas do "se eu não fizer, se eu não isso, eu aquilo, como conseguir, etc...", hoje pude ouvir algo simples e quase sussurrado: "Você é meu filho!"

De todas as revelações, ciências e descobertas, nenhuma teve o impacto dessa declaração na minha vida, hoje repetida, sussurrada, entre todas as outras vozes interiores, acusações, medos, anseios e dúvidas... a lembrança que sou filho de Deus.

Alguém recebido, aceito pelo Pai, mas alguém agora feito um filho, tal como Cristo.

Me lembrei hoje, de todas as vezes que vemos repetir-se na Palavra, nos momentos cruciais da vida de Jesus, uma voz do céu, a reafirmar algo tremendo, lembrando a ele e os que estavam à sua volta: "Tú és meu filho!".

Foi assim no seu batismo, quando novamente a voz se ouviu a afirmar: "Este é o meu filho amado em quem tenho todo o meu prazer."

Foi assim na transfiguração de Jesus, postado entre a figura de Moisés o "tal" do tempo da Lei e o outro, o ícone de todos os profetas, Elias, uma vez mais a voz veio reafirmar: "Este é o meu filho amado, a ele ouví".

Foi assim também, pela boca de Pedro, quando afirmou pelos céus (mais do que pela sua humana compreensão e capacidade): "És o Cristo, o filho do Deus vivo".

Foi assim também, nos seus últimos e derradeiros instantes, quando pela boca de um centurião, ouviu-se um testemunho cabal: "Este era verdadeiramente o Filho de Deus".

Como em todo tempo do ministério de Jesus (e em especial na tentação no deserto) e como contra nós constantemente, o diabo tem feito e irá fazer, pelejando sempre para por em dúvida, "...se verdadeiramente" somos filhos de Deus, tenhamos isso em mente - nada pode ser maior que esta verdade. De todos os títulos, de todos os poderes, não há outro mais belo e mais fantástico: "Somos filhos de Deus, por meio de Cristo".

Podia Deus ter usado vários adjetivos, vários títulos, para nos nomear, todos dependentes, condicionais e frágeis, posto que seriam dependentes do nosso fazer, do realizar, do atuar,... mas preferiu esse, forte, definitivo, pois diz respeito à nossa identidade: Filhos!

Não que precise eu fazer algo para ser chamado e tratado como tal, implorando pela graça de alguém distante, o juíz togado, o líder máximo, o controlador da vida e do universo. Na verdade, é porque justamente somos filhos, que podemos, agora sim, realizar, empreender,... na presença, na suficiência e na companhia fiel do Pai.

E, porque somos filhos, somos chamados a andar com o Pai. Não como servos, que não conhecessem o coração do seu senhor, não como servos que não sabem se possuem algo e por isso, empreendem na expectativa de virem - ou não - receber algo (a paga, o salário pelo seu trabalho) mas filhos, certos da herança que já possuem, e que podem ir com confiança ao colo do Pai, e a dizer Aba, Pai!

Que o seu dia, como o meu hoje, possa ser cheio dessa santa convicção.

"Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo." Gl 4:4-7

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Teologia do Porco e do Chouriço


"Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." 1 Tm 6:3-10


Tem horas que me pergunto: "Em que desvio, esse pessoal se perdeu? O que é que essa turma anda bebendo?".

Quando vejo esse cambalacho todo, essas negociatas com Deus sendo prometidas como certas e pior: procuradas por quem se diz conhecedor de Cristo e da Sua Palavra, imagino onde tudo isso vai dar. Como diz esse texto acima, em boa coisa é que não.

Deus não se deixa enganar. Mas a história mostra que a coisa é antiga.

Os cristãos não se conformam com a mensagem do Evangelho, mensagem segundo a piedade - que é o entendimento de que devemos render a Deus a honra, a devoção, a afeição, o amor, a misericórdia, é soberbo e nada entende e delira.

É assim que vivem os que desfilam carros, mansões,... até aviões, pregando o outro evangelho que, certamente não o é de Cristo. Lucrando em cima de gente de quem eu já tive pena.

E só fazem isso, pois estão cheios de seguidores que pagam e mantêm isso tudo vivendo essa ilusão e acham que, como enganam e são enganados, podem também, levar Deus nessa conversa.

Como dizem cá em Portugal: "Dão um chouriço para ganharem um porco." Essa é a velha teologia da "causa e efeito", que é antes, espírita, hinduísta,... menos cristã - Dê e pressione Deus contra a parede! Tenha-O nas mãos!

Não há o sentido de ofertar por gratidão, com alegria, sem constrangimento, obrigação (ou terrorismo como fazem os vendilhões do templo) - como recomenda Paulo aos que ofertam, escrevendo aos Romanos.

Já não há o conformarmo-nos e sermos gratos a Deus pelo que Ele nos dá, há sim, o apelo à ganância e ao lucro fácil. Trabalhar? Servir? Não! De jeito nenhum! Seja dono do seu próprio negócio. Fique rico... Como prometem os "ungidos" da hora nas correntes de fé e fogueiras-santas da TV.

E dá-lhe profetadas: "Deus vai dar a você lucros extraordinários, comprar coisas por preços abaixos do mercado" (ou seja, Deus vai ferrar algum mané, dar um tombo em algum idiota ou viúva incauta para que você lucre às suas custas) como ouvi esses dias da boca do "apóstolo" que foi preso nos Estados Unidos, pretensamente falando por Deus. O cara volta da cana e continua o mesmo...

O que a Bíblia diz sobre essa "Teologia do Porco e do Chouriço"? Eu repito: Essa não é doutrina do nosso Senhor, ou ensino de Deus. É sim a dos demônios.

O final está ai. Só não lê quem não quer: porfias, contendas, desvio da fé e muitas dores no final.

Depois não digam que Deus não avisou!