domingo, 23 de agosto de 2009

A oferta do bolso vazio

Tivemos um bom tempo de louvor hoje na nossa comunidade em Lisboa. Sem muita gente - o tempo cá ainda é de verão e de férias - sem muita, como diria... produção.

Nada que pudesse nos auto-enganar com a ideia de um culto impossível de passar despercebido aos olhos de Deus.

Naqueles momentos, meditava no que estávamos a ofertar a Deus. Ou, o que é que eu podia chamar de "oferta", visto que nada posso acrescentar ao que já é tudo, que já possui todas as coisas?

Por alguns instantes, me lembrei das vezes em que sou tentado a achar que a minha performance, ou a minha atuação, pode enfim agradar ou sensibilizar a Deus, que é Aquele que distribuiu dons aos homens, galardoou com talento, com vozes e recursos infinitamente maiores que os meus... E a mente foi mais longe: como acrescentar ao que já é todo glorioso, alguma glória?

Refleti também sobre as vezes em que fui tomado por presunção, ou por vaidade de me achar possuidor de algo meu, ou conquistado pelo meu braço para por no altar.

Naqueles breves instantes, lembrei-me de um fato acontecido há anos, quando a minha mente foi transportada para a minha infância, na minha igrejinha, Presbiteriana, no interior de São Paulo. Na cena, estava eu, assentado ao lado do meu pai, na hora do culto em que passava por nós a salva para recolher as ofertas (que o meu irmão, mais novo e tremendo gozador, chamava, por sacanagem vez ou outra, a "gorgeta do pastor".

Eu, como toda criança de uns 4, 5 anos, tinha absolutamente nada nos bolsos, dinheiro ou bens. Foi ai, recordei-me num vivo flash-back, que o meu pai, vira-se para mim e põe na minha mão a oferta para a coleta.

Fui edificado por Deus justo ali, em Lisboa, nessa manhã de hoje, com a lembrança que a coisa é essa mesmo - continuo tendo nada, apesar de mais crescido, coisa alguma em mim mesmo para ofertar que não tenha sido antes, oferecido, ou posto na minha mão, por Ele mesmo por mais pura graça. E essa oferta chama-se Jesus!

O israelita fiel que cumpriu toda e penosa exigência da lei e ofertou-Se a Si mesmo a Deus e a mim, de maneira que Ele é, ao mesmo tempo, a oferta, representa o crente que oferta e o sacerdote que a recebe. Ele é o justo e o justificador em quem estou "escondido".

Nessa manhã, fui muito edificado e ganhei, justamente quando achava eu estar dando alguma coisa...

"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." Rm 11:36

9 comentários:

Sarah disse...

Que lindo, Rubinho! Nada é nosso. Tudo vem d'Ele e para Ele volta e nós...a pensar que damos alguma coisa ao que é possuidor de tudo...que nabos!

Danilo Fernandes disse...

Eita Rubinho! Arrepiei com este ai! Lindo e verdadeiro D +

moacir viana disse...

sem palavras...e mesmo que as tivesse , não seria de mim mesmo e sim DELE, realmene toda a gloria é DELE, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Sarah Catarino disse...

É mesmo de arrepiar, Danilo. Sigo também o seu blog.Deus te abençõe.

rubinho disse...

Obrigado, amigos. E Moacir, diante de tanta graça e de tão grande tragédia que somos, o que dizermos? Tem horas que o nosso melhor louvor, devia mesmo ser o silêncio ao invés de tanta abobrinha. E deixar que Só Ele diga algo.
Abração!

Cíntia Verdeiro disse...

Querido obrigada por essa mensagem logo pela manhã.
Fui tão abençoada.
Sabe aquele momento de parar no tempo e ficar a mediar? esse texto me fez isso.
Beijo amigão!
Obrigada por tudo!

Cíntia

Ana Ramalho disse...

Nada é nosso mas às vezes pensamos/agimos como donos do mundo... Bom post!

Arlete Castro disse...

Que mensagem Rubinho! Esta graça abundante e que a nossa limitada condição humana não consegue compreender plenamente. Só o Espirito que habita em nós pode segradar essas verdades profundas que têm moldado as nossas vidas. Que Deus o abençoe meu irmão.

Rubinho Pirola disse...

É isso, Arlete!
Só a graça. Só por ela...
Nada é nosso, como disse a Sarah.
Por isso mesmo, a Ele seja TODA a glória.

Beijão!