terça-feira, 25 de agosto de 2009

Da boca de pequeninos...



Porquanto está escrito:
Sede santos, porque eu sou santo." 1 Pe 1:16

Já que estou numa veia meio, digamos... saudosista, lembrando-me de algumas coisinhas da vida (coisa de velho, dirão alguns!), vamos lá:
Há alguns anos, tinha eu chegado da universidade onde lecionava e a minha filha mais nova, Raquel, nos seus 8, 9 anos, esperava por mim à porta com mais uma das suas questões político-teológico-existenciais: "Rubinho (só nos chamaram, ela e a irmã, Rebeca, de pai e de mãe algum tempo mais tarde!), o que significa Ser Santo?".

Com a experiência de uns bons anos de escola dominical (que o mesmo irmão, piadista de quem já falei, vivia dizendo ser "aquela escola onde a gente nunca se forma") respondi-lhe de pronto: Ser santo é ser-se separado. Separado para um uso exclusivo, para um propósito".

Como toda criança que não fica numa resposta só, acrescentou de pronto: "Mas, se é isso, porque Deus diz que Ele é santo? Quem é que o separou? E foi separado do quê?".

Assentando-me ao seu lado, comecei a explicar-lhe que ser santo, significa ser exclusivo, ser único, imaculado, diferenciado de tudo aquilo que conhecemos de comum, não estar sujeito às mesmas fraquezas e às coisas corriqueiras da vida, ou ser como os ídolos que o povo fabrica. Significa também ser consagrado.

Expliquei-lhe então que, assim como Deus é único, assim devemos nós, viver de maneira distinta dessas coisas que o mundo chama de "normal" - o correr para si, o acumular riquezas aqui e nos batermos por elas, o explorar, passar por cima uns dos outros, a enganar, a levar vantagem à custa do semelhante... falei-lhe dos princípios, da ética de quem, andando com Deus e conhecendo-O tem o dever de manifestar nos seus atos e maneira de estar.

Ai, ela, agigantou-se e declarou algo que podia ter dito em cima de uma cadeira, mesa, ou mesmo de um púlpito, com a autoridade de uma profeta a bradar: "Assim diz o Senhor!"... disse a menina: "Então, o contrário de ser santo é ser ordinário, né?".

Bastou. E não foi preciso dizer mais nada.
Nem hoje.

3 comentários:

Sarah Catarino disse...

Grande Raquel! E mais não digo!

Raquel disse...

...com a melhor explicacao do mundo a conclusao nao poderia ser outra! Alias, deve ser por isso mesmo que nunca me conformei com a 'mesmisse' e sou um tanto quanto diferente :-)
te amo paizao!

Gilson M.B. Pereira disse...

Ser perfeito é estar fora da ordem das coisas e sendo governado inteiramente por Deus.

Quando deixarmos de ser ordinários,seremos santificados e quando santificados,automaticamente receberemos a promessa de herdarmos a perfeição.

A santificação é recebida mediante a aceitação da graça de Deus e obediência aos Seus ensinamentos.

Uma criança que não tomou consciência do pecado,está absolvida do mesmo,por não saber as suas consequências.

Mesmo que tenha conhecimento de sua significação,não seria capaz de usar esse conhecimento para prejuizo de outrem (intenção de prejudicar a algúem de certa forma,utilizando certo meio).

Não usaria intencionalmente de um conhecimento para prejudicar á seu proximo,pois não tem consciência de valores sociais ou finaceiros.

O pecado é o descobrimento dos próprios valores (sociais ou financeiros) em oposição aos valores já estabelecidos e a insistência em evoluir na promoção destes valores,para prejuizos diversos,tanto para si como para outrem.