quarta-feira, 24 de junho de 2009

A maldição da fita métrica


"...porque aquele que entre vós todos for o menor,
esse mesmo é grande." (Jesus, em Lucas 9:48)


Na semana passada, um missionário amigo, que vive em Espanha confidenciou-me que não suportava mais o número de telefonemas de "apóstolos" que, vez por outra, lhe chega à casa oferecendo "cobertura espiritual".

Entende-se pela coisa, alguma proteção (seria algo mafioso?) ou "unção" que os ditos agalonados homens de categoria superior poderiam oferecer (os que creem que fazem "xixi-de-porta-aberta" nas casas de banho celestiais).


Tudo deve vir dessa coisa de, não só enxergar-se como alguém maior, mais especial que os outros, como também da compreensão errônea sobre autoridade.

Até hoje, não vi na Bíblia, nenhuma outra conotação para o exercício da autoridade senão aquela que é exercitada a favor e não sobre alguém de carne e osso (Uma autoridade delegada, é bom que se diga, e não própria, posto que cabra nenhum é coisa alguma diante de Deus e igual em gênero e espécie diante dos seus iguais).


A autoridade que o cristão tem, a que é dada por Deus, é para ser exercida sempre EM FAVOR dos outros, esteja em que posição estiver, com o título que os outros homens possam lhe dar. Como aquela que tenho em casa como marido - para proteger a esposa, para guardá-la, bem, saudável e feliz - a que exerço como pai às nossas filhas, para cuidar para que cresçam e tudo como gente decente, cumpridora dos deveres, como filhas de Deus.


A autoridade SOBRE algo, é sempre vista na Palavra, como aquela que exercemos sobre os demônios, as oposições espirituais na nossa vida e outras resistencias para que não cumpramos o propósito de Deus.
Assim sendo, até os apóstolos, ou bispos, pastores e líderes, vistos equivocadamente pelos crentes de hoje em dia como os "maiorais dentre o rebanho", devem exercer a sua função com humildade e na direção da proteção, do benefício dos seus conservos (co-operadores!).

Basta lermos atentamente para a visão espetacular que João teve da cidade celestial no Apocalipse, para vermos que os apóstolos não serão o telhado, o teto, mas serão a base da cidade, fundamentos, estacas, aquelas coisas que usa-se em engenharia e construção civil para enterrar-se e, sobre eles, assentarem-se os tijolos, paredes, enfim, o resto todo para que tenham solidez e rigidez no que abrigarem.


Nessa perspectiva, quanto melhor for o líder, o experimentado, o maduro na fé, mais embaixo estará, menor parecerá aos nossos olhos e mais fundo terá ido. E sem glória humana, sem "babação-de-ovo" sobre si.

Foi o que vimos em Cristo. O nosso líder-servo, o fundamento dos fundamentos, a pedra angular, pedra de esquina, sobre quem estamos firmados.


Como disse o amigo Ed René nesse domingo passado falando à sua igreja em São Paulo:


" O Evangelho nos coloca como filhos iguais. Não há especiais, diferentes ou mais santos e menos santos. Debaixo da graça somos todos iguais. E quando se trata de vocação - o uso dos dons e as funções na igreja - também não há como ser revestido de poderes especiais - que faça do vocacionado um filho diferente. Não há como, no aspecto clerical de funções, ser revestido de superioridade. Quem assim o diz - e age, aceita um conceito diabólico. Pois no Reino de Deus e diante do Pai não há como ser mais do que outros. Não existe casta superior. Diante de Deus, somos vistos através da cruz e com ela, em Jesus - somos todos os mesmos - alcançados pela graça. Só isso e tudo isso."


Como afirmou aquele meu amigo e missionário na Espanha: "Cheguei até aqui bem e sem eles".
Eu emendo hoje: e nem vai precisar deles, meu amigo, nem vai! E que Deus nos livre e guarde dessa maldição!

3 comentários:

natenine disse...

Bom texto, foi-me importante.

Tito Silva/servo disse...

É isso mesmo Rubinho...Obrigado!

Sarah disse...

Pois é,Rubinho. Os tais que andam por aí,se são fundamento, estão muito à superfície...
Essa da "babação-de-ovo" é do melhor! Mais uma,para a colecção!!