domingo, 28 de junho de 2009

A santidade que leva para os lados, não para cima!


"E por eles me santifico a mim mesmo, para que também
eles sejam santificados na verdade." João 17:19

Hoje é Domingo. Dia de reunir-me com a comunidade, a igreja. Não um dia para ir-se à igreja.

Acho que é por entendermos que vamos à igreja, numa atitude passiva, que nos vamos reunir com a igreja,
como quem vai ao supermercado, buscar só o que me convém, que nos esquecemos vez por outra, que igreja somos nós e que, esta, nunca fecha, nunca fica inactiva, nunca é um lugar, imóvel, plantada no chão, ou então é tudo e qualquer outra coisa, menos igreja.

Talvez dai também venha a ideia de que santificação, diz respeito ao meu exercício espiritual com implicações verticais, que apela à minha busca por Deus e onde é que eu ganho com tudo isso.


Assim sendo, posso cair no velho erro, feito religião, obrigação pretensamente espiritual, do quão vigorosamente fujo ou luto CONTRA OS OUTROS, para garantir a minha salvação, para que EU VEJA a Deus.


Se tem um bom dia para nos lembrarmos e aos companheiros de jornada de fé a respeito da verdadeira santidade, esse dia é hoje.


A santificação, "sem a qual ninguém verá o Senhor" para a qual nos apela o escritor de Hebreus (12:14), é aquelo que diz respeito à luta travada CONTRA nós mesmos e o nosso comodismo, o nosso bem-estar e prazer, pela salvação dos OUTROS, para que ELES VEJAM A DEUS (através de nós e do nosso serviço à eles). Aliás, como Jesus, declarou na sua oração sacerdotal em João 17 que fazia: aplicava-se ele, com todo o rigor de um devoto seguidor do Senhor Deus, para que não desviasse a sua atenção para o que era dos, e para os outros.


Como eu cantava quando pequeno (lógico, depois de ter passado aquela resmunguice por ter-me levantado cedo num dia sem escola e outras obrigações): "Hoje é Domingo, eu vou me aprontar,..." preparo-me para ir com os meus irmãos e, com eles, e à luz da Palavra, ser educado, animado, encorajado, exortado, não sobre como ir para o céu... mas sobre como ser melhor, como viver a praticar o "ser-se igreja".

Hoje, não desejo de jeito algum, na companhia da congregação, tentar convencer Deus a ser melhor do que já é. Ou então aprender técnicas (sejam orações, mandingas, mezinhas, simpatias evangélicas) para "dobrar" a Deus, ou domesticá-Lo para que atenda às minhas demandazinhas existenciais.

Não quero ser estimulado a fugir das pessoas, a isolar-me delas, a dar uma de santarrão e voltar as minhas costas para elas e as suas necessidades, tentando com isso, ganhar um "be-eme-dabliu" zero quilómetro nas ruas celestiais.

Hoje quero ser lembrado a não olhar para mim e para aquilo tudo que a mim diz respeito (isso já está garantido por Deus!), mas ser lembrado a servir, a aplicar-me a crescer e na direcção dos outros.

Aliás, exactamente como Jesus nos ensinou a fazer.

Bom Domingo!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A maldição da fita métrica


"...porque aquele que entre vós todos for o menor,
esse mesmo é grande." (Jesus, em Lucas 9:48)


Na semana passada, um missionário amigo, que vive em Espanha confidenciou-me que não suportava mais o número de telefonemas de "apóstolos" que, vez por outra, lhe chega à casa oferecendo "cobertura espiritual".

Entende-se pela coisa, alguma proteção (seria algo mafioso?) ou "unção" que os ditos agalonados homens de categoria superior poderiam oferecer (os que creem que fazem "xixi-de-porta-aberta" nas casas de banho celestiais).


Tudo deve vir dessa coisa de, não só enxergar-se como alguém maior, mais especial que os outros, como também da compreensão errônea sobre autoridade.

Até hoje, não vi na Bíblia, nenhuma outra conotação para o exercício da autoridade senão aquela que é exercitada a favor e não sobre alguém de carne e osso (Uma autoridade delegada, é bom que se diga, e não própria, posto que cabra nenhum é coisa alguma diante de Deus e igual em gênero e espécie diante dos seus iguais).


A autoridade que o cristão tem, a que é dada por Deus, é para ser exercida sempre EM FAVOR dos outros, esteja em que posição estiver, com o título que os outros homens possam lhe dar. Como aquela que tenho em casa como marido - para proteger a esposa, para guardá-la, bem, saudável e feliz - a que exerço como pai às nossas filhas, para cuidar para que cresçam e tudo como gente decente, cumpridora dos deveres, como filhas de Deus.


A autoridade SOBRE algo, é sempre vista na Palavra, como aquela que exercemos sobre os demônios, as oposições espirituais na nossa vida e outras resistencias para que não cumpramos o propósito de Deus.
Assim sendo, até os apóstolos, ou bispos, pastores e líderes, vistos equivocadamente pelos crentes de hoje em dia como os "maiorais dentre o rebanho", devem exercer a sua função com humildade e na direção da proteção, do benefício dos seus conservos (co-operadores!).

Basta lermos atentamente para a visão espetacular que João teve da cidade celestial no Apocalipse, para vermos que os apóstolos não serão o telhado, o teto, mas serão a base da cidade, fundamentos, estacas, aquelas coisas que usa-se em engenharia e construção civil para enterrar-se e, sobre eles, assentarem-se os tijolos, paredes, enfim, o resto todo para que tenham solidez e rigidez no que abrigarem.


Nessa perspectiva, quanto melhor for o líder, o experimentado, o maduro na fé, mais embaixo estará, menor parecerá aos nossos olhos e mais fundo terá ido. E sem glória humana, sem "babação-de-ovo" sobre si.

Foi o que vimos em Cristo. O nosso líder-servo, o fundamento dos fundamentos, a pedra angular, pedra de esquina, sobre quem estamos firmados.


Como disse o amigo Ed René nesse domingo passado falando à sua igreja em São Paulo:


" O Evangelho nos coloca como filhos iguais. Não há especiais, diferentes ou mais santos e menos santos. Debaixo da graça somos todos iguais. E quando se trata de vocação - o uso dos dons e as funções na igreja - também não há como ser revestido de poderes especiais - que faça do vocacionado um filho diferente. Não há como, no aspecto clerical de funções, ser revestido de superioridade. Quem assim o diz - e age, aceita um conceito diabólico. Pois no Reino de Deus e diante do Pai não há como ser mais do que outros. Não existe casta superior. Diante de Deus, somos vistos através da cruz e com ela, em Jesus - somos todos os mesmos - alcançados pela graça. Só isso e tudo isso."


Como afirmou aquele meu amigo e missionário na Espanha: "Cheguei até aqui bem e sem eles".
Eu emendo hoje: e nem vai precisar deles, meu amigo, nem vai! E que Deus nos livre e guarde dessa maldição!

terça-feira, 23 de junho de 2009

A minha vida fugiu-me às mãos! Graças a Deus!


"Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado;..." Jo 19:10,11


Jesus sabia na mão de quem estava. Pilatos não tinha essa consciência.
Paulo, recusava-se a admitir-se prisioneiro de Roma, ou do carcereiro que, imaginava, possuia as chaves do cárcere e da vida daquele prisioneiro apaixonadamente maluco à nova fé dos judeus.
Ambos sabiam quem detinha o poder: Deus. E Dele, ninguém escapa.

Para além de vivermos fragilizados e demasiadamente submissos diante das (incontroláveis) ondas da vida, das circunstâncias a que estamos sujeitos, apegamo-nos demasiadamente a um conceito que me assusta ainda mais: o do chamado "livre-arbítrio". Aquilo que muitos crentes proclamam, erradamente, ser virtude e benefício dado por Deus a cada um.

Imaginamo-nos assim, livres, soltos e à mercê de nós mesmos e das nossas escolhas. Deus, como um coadjuvante, só fica de longe a nos assistir e a correr - quando necessário, ou pior, quando cumprimos com um sem número de obrigações religiosas, numa relação de causa e efeito, relação de faz-e-paga-se, como se Deus se movesse com base nessas barganhas (negociatas).

Se lermos atentamente Romanos 1:21-32, veremos que o "livre-arbítrio" tem a ver, antes de tudo, com maldição, com juízo, do que com benefício. Ali, lemos que, pela dureza do coração dos homens, Deus os entrega à si próprios e ao seu próprio arbítrio. Já pensamos? Guardadas as devidas proporções, isso seria como, estando num um apartamento, no 20º andar, com as janelas todas abertas, eu dizer aos meus netinhos de 3 e de 1 ano e meio: "lindinhos: eu os amo, estejam livres e à mercê das suas vontades e capacidades de discernimento, sejam livres!"
Eu, que sou mau, ruim mesmo (vocês não me conhecem como eu me conheço!), francamente, não seria capaz de tamanha sandice.

O que aprendo, observando a vida de Jesus e de Paulo, é que neles, havia - em inúmeros registros - a certeza de que estavam à mercê e nas mãos do Senhor absoluto, o Rei do universo, de tudo e de todos. Nas circunstâncias boas e noutras, nem tanto. E com Ele, acertavam as pontas. Ele está por trás de tudo - ou consentindo, ou ordenando, mas tanto num como noutro caso, soberano e com um propósito bom, agradável e perfeito.

Aí, nessa condição, há maturidade e descanso.
Maturidade, porque não precisamos nos pautar pelos ventos da vida ou focar a nossa atenção neles - os favoráveis ou os desfavoráveis.
Não estamos, definitivamente à mercê da vida. E firmarmo-nos no propósito que Deus nos tem. A sua direção e propósito. E contarmos com a sua direção em meio a tudo - nos bons e maus momentos (os que nos desagradam à primeira vista!).

E descanso, pois sabemos que Ele prometeu nos guiar (até a despeito de nós e das nossas escolhas) a bom termo.

Eu, que sou bobo, nem de longe, quero a minha vida nas minhas mãos!

terça-feira, 16 de junho de 2009

A cruz... Ah! A cruz...


"Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." 1 Co 1:22-25

O meu amigo Paulo Jr. falou, o Paulo Jr. avisou: "Para o religioso, o legalista, o fariseu, a cruz é sempre insuficiente, para o erudito, o intelectual, ela é demasiada e loucura!"
Para um, ela é pouco.
Não basta crer naquilo em que a fé cristã está totalmente alicerçada.
Não basta. É preciso mais. Sempre mais: figurino novo, a aparência do que é santo e a coreografia religioso-evangélica. E dá-lhe banho de sal, visões, sinais e maravilhas, milagres, curas físicas... curas várias, interiores, exteriores e periféricas, pesquisa genealógica para ver-se quantas maldições hereditárias tem-se para quebrar e outros "passes" mágicos.

E venham lugares santos, de peregrinação, montes-de-oração-poderosos... Água? Só se for do Jordão. E altares, físicos, materiais, templos contruídos por mãos humanas (e com direito a comissões ao empreiteiro!), Jerusaléns, até aquela da chamada "Terra Santa" (estado político, corrupto e inimigo dessa cruz e do crucificado, como tantos outros desse mundo), com direito a enfiarem as orações nos buraquinhos do Muro das Lamentações, senão ela não chega ao céu. Ah! E a bandeira do estado judaico no púlpito, como se esse, um estado político, fosse o Israel de Deus, circuncidado, quando muito, só no bilau do sujeito e não no coração. E dá-lhe shofares (será berrante para chamar a boiada que concorda com tudo o que vem dos púlpitos? "Améeeem irmãããããos?"...).
Dá 10%! 10, não! Dá 20%, 30%... É pouco! Sacrifica mais. Deposita na sacolinha mais. Venha para a corrente dos setenta apóstolos ou dos quarenta ladrões vestidos de paletó e gravata que extorquem com apelos recheados de versos bíblicos mal-amarrados! Deus atende mais e com mais vontade ao que paga mais e mantém o saldo médio bem recheado, merecedor do cheque-especial no Banco do Senhor (será o São-Tão-Der?).
Não basta mais crermos no que Cristo fêz. É preciso um update, uma actualização e ajuste ao que Ele disse já estar consumado.

Para o intelectual, racionalista, carnal, que só crê no que vê, toca ou sente, o cidadão do Império dos Sentidos, a cruz é sempre um exagero e loucura.
Dar-se? Negar-se a mim mesmo? Ofertar a melhor parte? Ser preterido, abrir mão dos direitos? Nunca. Isso é coisa de doido. Afinal, em algum lugar na Bíblia, diz isso e aquilo mais, sempre orientando-me que não é preciso. A pregação da moda, os cânticos do dia e a filosofia da hora é o pouparmo-nos, salvarmo-nos e livrarmo-nos de todo sacrifício - não é isso que Cristo fêz, então não preciso eu. Eu quero é as regalias de ser filho do Rei. Ah! E não ficar na cauda, mas ser o cabeça, o principal, o maior dentre todos, o Apóstolo, ou, se der, como fez aquele conhecido picareta, impostor e falso-profeta, "Paipóstolo"!


E por ai, vamos nós. Nós, não. Me incluam fora dessa!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Vivendo entre a amargura e a gratidão!


"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz." Fp 2:5-8

Li recentemente a pequena entrevista de Rodolfo Abrantes (ex-Raimundos), uma das maiores revelações da nova música brasileira, desaparecido de cena (com muito choro da crítica) pela opção que fêz pela fé em Cristo.
Falando à revista Veja, o ser indagado sobre como lida com a perda da fama, corrigiu de pronto: "Não perdi-a, eu a entreguei. Entreguei os holofotes por uma vida simples com Jesus."
A pensar nisso, veio-me à mente uma verdade: perder não é, definitivamente, o mesmo que entregar. Quem perde, tem sempre em mente o dano, o prejuízo, na maioria das vezes, creditada a alguma circunstância que nos privou de algum benefício. Quem entrega, rende-se, oferta e, na maioria das vezes, faz-se uma opção onde o amor, a gratidão são o motor da decisão.
Assim como Cristo nunca foi um mártir, desses que perdem coisas, dentre elas a vida porque não havia outra hipótese (veja-se na história, quantos fizeram sucesso por perderem tudo por obra das mãos dos seus algozes), é bom que entreguemos a Ele, tudo. Podendo-se viver outro guião, ou script, entrega-se nas Suas mãos. Foi o que Cristo fêz diante da cruz. Ninguém o obrigou. Nem os judeus, nem os romanos, nem poder algum a não ser a própria Sua vontade.
Muitos há que julgam ter perdido coisas por conta das opções que fizeram e, raramente se vêem livres da sensação de amargura, decepção e tristeza. Julgam os valores perdidos por algo que nunca foi concreto - só sonhos, só imaginações (Ah! como teria sido se... Onde estaria eu se... ). Na entrega, há a certeza, a convicção de valores e opta-se, como quem está diante da peróla de grande valor e, por ela, oferta-se tudo.
Movemo-nos pela perda ou pela entrega? Na entrega há fé, na perda, amargura (deve ser por isso que Paulo recomenda que ofertemos com alegria, não por contrangimento ou tristeza, mas com alegria). Temos andado amargurados com a factura da vida que escolhemos para nós? Ou gratos a Deus pelas escolhas? Ai, está a diferença entre uma coisa e outra.
Bem haja Rodolfão. E obrigado pelo seu testemunho.