quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre decepções e a Soberania Divina


"Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao SENHOR. E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles." 1 Sm 8: 6,7


Deus é Deus de processos. Aprendi isso com a vida e com um amigo querido que chamou-me a atenção para o porque daquelas genealogias todas que aparecem nas Escrituras e que achamos ser só gasto de papel e tinta.

Em toda a história - a nossa inclusive - há a mão de Deus, reconheçamos ou não.

Por vezes nos queixamos quando somos preteridos, somos deixados de lado ou fecham-nos portas que julgamos serem imprescindíveis para a execução da vontade e obra de Deus. Nessa hora, em que tudo parece pessoal, contra nós, contra o que é plausível e - claramente contrário ao que julgamos ser a vontade de Deus vamos ao chão.

Ou então ao percebermos, cedo ou tarde que não conseguimos lograr êxito no que pretendemos, quando falhamos ou não conseguimos chegar ao alvo programado, nos abatemos.

Hoje cedo, como tenho feito nos últimos dias, contabilizando a chegada dos meus cinquenta anos de idade (um número nada desprezível, convenhamos), refletia sobre uma sensação de quão falho fui em alcançar, em ter falhado o que creio ser o alvo de Deus para mim e o meu trabalho, ou das barreiras e acidentes que enfrentei e que me impediram de chegar lá.

Lembrou-me Deus, tive a certeza, de Samuel e de quando o povo pediu para eles um rei como todo o cidadão normal, de um mundo normal da época. De como ele se angustiara contra o que seria uma rejeição a si ou uma frustração ao plano divino para a nação. Samuel que como nós, servia a Deus, como um obreiro fiel, ficara desolado.

Naquela situação, Deus afirmou-lhe que a rejeição era, antes, uma rejeição à submissão ao governo do Senhor, antes de sê-lo ao profeta.

Pronto. Se não nos lembramos que foi nesse aparente "deslize" do povo e de rejeição pessoal à atuação do homem de Deus, Samuel, que disso veio o grande Rei David, podíamos achar que a história deixou o seu curso para apanhar um atalho e cair precipício abaixo.

Ledo engano. Deus só estava fazendo acontecer o seu script, a Sua vontade soberana, sem atalhos, acidentes de percurso ou imperativos de ordem circunstancial. Afinal, assim como Jesus estava destinado a vir antes mesmo do pecado ou até da criação de tudo, David, parte da linhagem humana de onde viria o Messias, já estava "programado".

A lição disso tudo? É que do alto dos meus "cinquenta aninhos", posso estar certo que, com erro, sem erro, com os meus acertos e desacertos, ainda há Um que não Se deixa ser guiado e a todos e que todas as peças tem nas Suas mãos. E posso me aquietar. E saber que só fui chamado para estar com Ele, certo que a Sua bondade e misericórdia me seguirão, e me guardarão até daquilo a que chamo falhanço.

Por isso, dia 13 agora, vou agradecer bastante pelo que já vivi.


"Muitos são os planos...; mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá." Pv 19:21

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