segunda-feira, 30 de março de 2009

Longes, contudo próximos!

Ontem, despedimo-nos do casal acima, Júnior e Cíntia, de malas prontas para pastorearem a pequena comunidade num canto bem interior do Alentejo distante cerca de 250 km de Lisboa, que ajudamos a plantar.

Em todo o tempo, recordava-me a cerimônia de "bota-fora" que nos enviou em missão, do Brasil - primeiro para o Reino Unido e, mais tarde para Portugal - e um pensamento insistente me vinha à mente: "Eles não estão a se isolar", conhecendo o coração desses dois brazucas.

Há um provérbio intrigante na Palavra de Deus, que afirma que "aquele que se isola, busca o seu próprio interesse egoísta e rebela-se contra a verdadeira sabedoria" (Pv 18:1), algo inominável, não para os religiosos, mas sim para quem tem a verdadeira consciência do Evangelho.
Como aconteceu com a minha casa um dia, cedo percebe-se que não pode existir envio para o cumprimento da Grande Comissão, pensando-se enviar alguém para fazer algo no lugar de outros. Ou vamos juntos, ou então não é missão. Como um dia ouvi e guardei, "Missão não é enviar alguém fazer no meu lugar. É ir junto!".

E essa coisa de irmos em missão, deixar pais, filhos, campos e tudo o mais para servirmos a causa do Reino de Deus, não é algo fácil. Por si só e humanamente falando, é uma loucura. Até hoje, decorridos quase 15 anos, nos pegamos, vez por outra, a contabilizarmos o resultado da nossa parte do Ide. Existem coisas que nunca se poderão reparar, nunca se emendarão, nunca recuperaremos... Como por exemplo, o crescimento dos sobrinhos, dos netos, o passamento dos amados que se vão, os abraços, o testemunhar do passar da vida junto de quem amamos... Só na glória... E se não tivéssemos essa esperança... E se, como família da fé, deixando, esquecendo-nos dos que foram, ainda pior e mais terrível. É preço sobre preço.

Voltando ao texto de Provérbios, concluimos que isolamento não é um lugar. É, antes, uma condição. Não diz respeito simplesmente à distância geográfica, mas a uma condição de alma que, ocupada consigo mesma, distancia-se dos outros.

Se eles - os missionários - correm também esse risco? Lógico. Mas suspeito que o pior somos nós, os que ficam, de em meio a tanta actividade eclesiástica, nos esquecermos do casal e tê-los, como bem disse o Pr. Tito na sua intervenção naquela despedida, "apenas como um ponto num gráfico de realizações missionárias quaisquer". Enquanto esse casal amado estiver cuidando dos interesses dos outros, como convém a todo aquele que sabe o significado do Evangelho, estarão eles próximos também de nós. O que não pode acontecer é nós, a comunidade enviadora, virmos a nos esquecer dos dois achando que a nossa parte dessa aventura está realizada, que o peso agora está só sobre os seus ombros.
Que Deus nos ajude para que estejamos realmente próximos do casal, como aliás convém aos que entendem o privilégio de enviar.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A difícil fantasia de Super Homem (a propósito do Dias dos Pais, umas dicas...)


* Hoje, Dia dos Pais em Portugal, preparei umas notas que pretendo, será uma palestra, numa instituição social, recheada com a minha pobre pretensão de repartir algumas dicas, baseados nas coisas que aprendi, com muito tombo (e algum choro), nessa minha vida de pai....


Para além de pastor, sou profissional da área de comunicação. Fui professor de BD por mais de 15 anos numa universidade federal no Brasil, coordenador de grandes projectos sociais e de mobilização, desde muito, lido com gente. Pessoas - crianças e jovens de tudo que é idade e condição. Tenho ainda duas filhas, dois netos, um genro (conhecido) e muitos, muitos filhos por adopção.

Nessas áreas de experiência, andanças e vida, constatei, nessa curta experiência de vida (50!) que a maior necessidade que existe hoje nas pessoas, que o maior problema dos homens é um só. Se me trouxerem alguém com problemas comportamentais, sociais, íntimos, e analisarmos a fundo, vamos resumir a coisa toda num diagnóstico aparentemente simplista: GENTE COM FALTA DE PAI!

Sim, porque o que mais há nesse mundo, são FILHOS À ESPERA DE ADOPÇÃO.

E o pior (?): Filhos órfãos de pais vivos! E não digo isso somente a contemplar, com um misto de indignação e de solidariedade – e de impotência como cidadão – a escassez de tempo, a escravidão dos nossos horários de trabalho, que nos ocupa, e nos rouba a nós, pais e mães o tempo com os seus familiares e faz com que confiemos aos outros – avós, infantários, instituições, escolas e outros - o que de melhor podemos deixar ao mundo - os nossos filhos.

Como pesquisador de BD (História em Quadrinhos, no Brasil) aprendi um bocado sobre como se criam os mitos. Sejam eles mitos religiosos, ídolos, artistas, desportistas… a elaboração da imagem do que é super, é igual.

Na nossa vida como gente, essa construção começa já na infância, quando encontramos na figura do pai, o nosso primeiro arquétipo, modelo de gente, com uma pitada de super, uma pitada de Deus e um alvo a ser copiado e admirado. Assim construímos nós, homens ou mulheres as nossas primeiras referências do ser gente, mirando-se nos nossos pais.

E ai, a figura do homem ganha até uma distinção clara da imagem da mulher-mãe, como ideal de homem, do herói, que tem força, provê necessidades, protege…

E nesse papel como pais, vestindo sempre essa fantasia de super gente em que os filhos acreditam, não é fácil.

Roland Barthes, o sociólogo-filósofo e semiólogo francês descreveu a estrutura de construção do mito na obra “Mitologias”, como nascem e mantém-se os ídolos. Para ele, o mito é alguém que encarna as minhas impossibilidades; aquele que realiza o que me é impossível; alguém que não é sujeito às mesmas limitações que eu (nas crianças pequenas, isso engloba a realização de coisas triviais, mas para elas inatingíveis, tais como abrir: uma garrafa, cortar um bife,… empinar um papagaio, equilibrar-se numa bicicleta,… pagar as contas todas de casa,… resolver todos os problemas caseiros e familiares…).

O problema em casa é que, logo, mais cedo ou mais tarde, os nossos filhos nos descobrem a verdadeira identidade, o segredo escondido, aquilo que tentamos esconder e que nas histórias de super-heróis, esconde-se com máscaras, cavernas, fantasias… (e convenhamos, ninguém vive satisfatoriamente de máscaras!). Cedo, descobrem eles as nossas limitações, deslizes, a dificuldade em viver-se em família (com a esposa…) com os bancos, com o emprego…

Mas como ajudar os filhos a serem gente, de carne e osso, mas capazes de sobreviver num mundo tão maluco e desafiador como o nosso?

AQUI, OUSO PASSAR ALGUMAS DICAS APRENDIDAS NA MINHA VIDA COM OS FILHOS QUE ADOPTEI (MESMO COM AS MINHAS DUAS, NATURAIS, DA DIGAMOS, “BARRIGA”, MAS IGUALMENTE ADOPTADAS UM DIA).


1) NUNCA ECONOMIZE CARÍCIAS COM OS SEUS FILHOS

Eric Barnes – Um psiquiatra canadiano desenvolveu o conceito de strokes (adoptado no Brasil, por carícia, toque, estímulo e reconhecimento). E disso, precisamos todos.

Todos nós temos uma necessidade nata de reconhecimento, qualquer sinal que eu não sou invisível para alguém.

Vale o beijo, o abraço, o afago, mas também o “olá, bom dia!”, um elogio, uma observação… até um tapa, desde que nos lembrem que existimos.

Harlow, na investigação científica “Amor em Filhotes de Macacos”, constatou que a estimulação táctil é tão importante quanto o alimento no desenvolvimento (macacos preferiam mães de pano a outra, de arame, embora com beberón - mamadeira no Brasil - a satisfazerem-lhes a necessidade vital de alimento. Embora sem nada a oferecer, o colo confortável os atraia).

Levine, outro investigador – afirmou, com outros experimentos, que qualquer estímulo, ainda que negativo é melhor do que o abandono (E até são capazes de influenciar o nosso sistema imunitário!!!).

Filhos pedem contacto físico!

Me perdoem os mais frios e fechados a essas demonstrações de afecto, aos toques, aos afagos... mas nem tudo o que a cultura popular e até o que os seus pais lhes ensinaram é válido no que toca a essa maneira "europeia e fria de ser". Para si como para os filhos. Até os animais mais aparentemente "distantes", reagem e demonstram apreciar os afagos.

Abraços, beijinhos, elogios,… vale tudo.


* Hoje os comportamentos estão a ser ditados por doentes, ao invés da virtude, o que rege as normas sociais de conduta é o desvio, a perversidade. No Reino Unido, por exemplo, os pedófilos estão inspirando a proibição de contacto físico nos infantários e creches (para evitar-se os problemas, deixa-se uma criança de um, dois anos, sem limpeza alguma após uma ida à casa de banho, onde a professora ou monitora os assiste à distância,…). Já nos é contra-indicado um abraço, ou uma festinha à um bebé ou criança nas ruas para não sermos mal interpretados. O que era pra ser algo saudável e até importante para o desenvolvimento dos pequenos, deixou-se de lado, por conta de quem merecia coisa alguma, no caso, os de comportamento desviante. Trocou-se a virtude como origem dos comportamentos, pelo desvio. O resultado disso? Duvido que seja saudável.


2) RESISTA À TENTAÇÃO DE SER INFALÍVEL E DE TEMER TIRAR AS SUAS MÁSCARAS.

Não use máscaras com os seus filhos. Esteja pronto a compartilhar toda a “dor e a delícia de ser o que é” (Caetano Veloso), de ser meramente humano, mortal e… falho.

Agindo assim podemos ajudá-los a superarem as suas próprias limitações…

Todo mundo adquire as suas máscaras, ou está propenso a ganhá-las na vida ("Que filhinho lindo – ele nunca chora, nunca fica doente"… ou então, "Que filho complicado, é chorão, é muito frágil…"). Ai, quando menos se espera, alguém começa a gostar dessas máscaras sociais e vive apertado o resto da vida. QUANDO DESCOBRIMOS, OU PENSAMOS NÓS, QUE SÓ SOMOS IMPORTANTES, SÓ SOMOS VALORIZADOS, SÓ CHAMAMOS A ATENÇÃO, E RECEBEMOS CARÍCIAS SE USAMOS ESSAS MÁSCARAS (nunca chorar, nunca dar problemas… ou ficar doente, ou ter problemas sérios…). E NINGUÉM, VIDA NENHUMA PODE SER SATISFATÓRIA USANDO-SE MÁSCARAS…

O seu filho NÃO PRECISA DA SUA PERFEIÇÃO, MAS DA SUA INTEGRIDADE – Errar é normal. O lutar contra o erro, as nossas limitações é digno. Errar é humano. Corrigir os erros, ao assumi-los e as suas consequências é algo digno. E a sociedade precisa disso.


3) SEJA DILIGENTE EM DISCIPLINAR OS SEUS FILHOS

Filhos precisam de direcção, de orientação e… disciplina. Disciplina não é escravidão, nem opressão.

Uma das necessidades primordiais dos filhos, é a FOME QUE TODOS TEMOS DE ESTRUTURAS.

Dormir cada dia numa cama é péssimo. Viver cada dia num lugar diferente é horrível, isso mostra como precisamos de balizas, de marcos e de estacas.

A minha esposa (e mãe exemplar!), sempre diz algo importante: Filhos precisam de duas coisas – RAÍZES E… ASAS!

Quando sabemos da qualidade do que passar a eles, de estruturas, de princípios, não precisamos ter medo de soltá-los.

Honra, honestidade, verdade, fidelidade, amor, civismo, consciência e valores de cidadania… Devem ser tão importantes como o pão pra boca.

*Mesmo que você venha a falhar nessa área, não tenha medo de assumir isso e mostrar a eles a sua consciência do erro, do reconhecimento disso e a disposição de se voltar atrás (não conseguimos esconder-lhes nada). E precisamos ai, ensinarmo-lhes o valor de pedir-se perdão e as desculpas pelos erros.

Ah! E deixemos com aquilo de discordar e usar uma disciplina da mãe e um possível descontentamento dos filhos para ganhar vantagem sobre ela numa crise – aliás, o respeito pelos pais, começa com o exemplo de amor, dedicação e respeito entre o casal!


Outra coisa: Os nossos filhos não podem aprender a venderem-se por dinheiro algum!

Precisamos de passar a eles que não somos regidos por amor ao dinheiro, mas ao trabalho. Hoje os profissionais parecem querer mais o nosso dinheiro do que nos servirem – médicos, parecem querer o nosso dinheiro ao invés de nos verem curados. Advogados, o nosso dinheiro do que defender os nossos interesses e prevalecer a justiça. E saíram eles de onde? Das nossas casas – quando foram ensinados a procurarem profissões que davam dinheiro ao invés de algo que condizia com o que gostavam e as suas aptidões, talentos e dons.


· Corrigir não é descarregar a sua raiva e desapontamento – mas a chance de poder mostrar-lhes que se interessam por eles, que os amam e que isso é para o bem deles. Quem não é corrigido em casa, o é pela vida, pela escola (punição sempre vergonhosa), pela polícia…

*(Em nossa casa, disciplinar era uma cerimónia, com direito à uma varinha que ficava guardada num lugar inacessível e que requeria tempo e esforço para que a apanhássemos, até que a raiva se nos passasse. Assim, não corríamos o risco de passarmos dos limites).


4) DEDIQUE-LHES TEMPO. SEJA CRIATIVO!

Uma das fomes naturais do homem (e dos casamentos…) é a fome por incidentes – experiências novas.

Arranje tempo de qualidade com os filhos, invista neles…

Viaje, arrume passeios, pic-nics, passeios de bicicletas,… exploração, brinque, brinque, brinque e ria, ria muito com eles…

· Essa era a nossa experiência em casa – ao invés de deixar as nossas filhas brincarem sabe-se-Deus-onde, preferíamos sempre oferecer a nossa casa como o principal Play-ground ou parque de diversões e chamar para ali os seus amigos.


Uma última dica.

Aprendi essa lição quando ia dar uma prenda de Natal à Raquel, nossa filha que vive em Londres.

Num cartão que acompanharia o presente, escrevi todos os motivos e qualidades que nos fazem amá-la e querida por todos – especialmente por mim.

No meio da lista porém,… fui tocado por Deus.

Eu não estava a ser honesto. Afinal, eu a amava e isto estava acima das circunstâncias.

Não é porque acerto que sou amado por Deus e também a verdade é que desejo ser amado e querido pelas pessoas, mesmo que venha a falhar. Seria impossível, do outro modo, posto que sou feito de carne e osso e passível de experiências terríveis com as minhas incoerências.

A verdade é que naquela tarde, assentado numa mesa de café, arrazoei e acrescentei-lhe, corrigindo a mim mesmo, um “MAS TAMBÉM, MINHA FILHA, AINDA QUE… – mesmo que você venha a falhar, saiba que sempre será amada, e sempre poderá contar comigo e o meu colo de pai. Mesmo que venha a falhar, eu serei o seu abrigo.

Não é preciso dizer que foi maravilhoso fazê-la saber, como precisamos fazer saber os nossos amados que o amor é uma decisão, não um sentimento. Como é decisão a adopção, o VOLUNTARIAMENTE abrir da nossa afectividade e a determinação de investir na vida deles.

Isso é ser super. Mais do que isso, é ser humano. É ser PAI.

Como aliás tenho aprendido com o meu maior – o meu Deus.


Feliz Dia dos Pais!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Graças a Deus, cheguei aos 50! Meio século...


Num dia de tantas alegrias, em que acordei, do alto dos meus 50, recém completados, a recordar e a louvar ao meu Pai por tudo o que já vivi até aqui, fui presenteado (mais uma vêz, diga-se de passagem, pois quem tem a amizade desse casal Sarah e Tony, já ganhou a loteria!) com um texto lindo, cheio de sabedoria e de amor. E como festa que é festa, é dia de compartilhar-se a alegria com os amigos, aqui vai. Para os que já fizeram 50 e os que ainda caminham para ele, para que não percam nada pelo caminho...
Um beijão aos a amigos de longe e de perto.
Estamos longe, mas nunca distantes...
Aqui vai:


Parabéns, Rubinho!
Nem sabes no que te meteste ao chegar por fim a esta idade, convencido que conseguias vencer o tempo, o cansaço, a falta de dentes... Ficaste em cima da montanha muito tempo...50 anos. É tempo de começar a descer, porque já viste quase tudo o que havia para ver, lá de cima. Mas queremos dizer-te que a descida não é nada má. Há flores que não cheiramos ao subir, há riachos que saltamos em vez de baixar-nos para beber das suas águas cristalinas, há canções no arvoredo que não tivemos tempo para escutar porque a corrida para o topo era acelerada... Nesta descida vais encontrar gente que leu livros incríveis, que viveu mistérios incontáveis e que vão deliciar o teu coração. Na nossa descida, vimos ocasos que ainda não tínhamos vislumbrado; por entre a folhagem das árvores observámos o nascer do sol a invadir as veredas da nossa vida, coisas que não se vêm no alto da montanha... No nosso caminho tivemos tempo para parar e ver quais são os verdadeiros amigos, aqueles que irão connosco até ao último pôr-do-sol. Esperamos que sejas um deles! Amamos-te muito, desejamos o melhor de Deus para esta etapa e enquanto for dia, esperamos por ti na curva de cada estrada, para partilharmos as últimas revelações de um Deus que é NOSSO! Com todo o amor
Sarah e Tony

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre decepções e a Soberania Divina


"Porém esta palavra pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos julgue. E Samuel orou ao SENHOR. E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles." 1 Sm 8: 6,7


Deus é Deus de processos. Aprendi isso com a vida e com um amigo querido que chamou-me a atenção para o porque daquelas genealogias todas que aparecem nas Escrituras e que achamos ser só gasto de papel e tinta.

Em toda a história - a nossa inclusive - há a mão de Deus, reconheçamos ou não.

Por vezes nos queixamos quando somos preteridos, somos deixados de lado ou fecham-nos portas que julgamos serem imprescindíveis para a execução da vontade e obra de Deus. Nessa hora, em que tudo parece pessoal, contra nós, contra o que é plausível e - claramente contrário ao que julgamos ser a vontade de Deus vamos ao chão.

Ou então ao percebermos, cedo ou tarde que não conseguimos lograr êxito no que pretendemos, quando falhamos ou não conseguimos chegar ao alvo programado, nos abatemos.

Hoje cedo, como tenho feito nos últimos dias, contabilizando a chegada dos meus cinquenta anos de idade (um número nada desprezível, convenhamos), refletia sobre uma sensação de quão falho fui em alcançar, em ter falhado o que creio ser o alvo de Deus para mim e o meu trabalho, ou das barreiras e acidentes que enfrentei e que me impediram de chegar lá.

Lembrou-me Deus, tive a certeza, de Samuel e de quando o povo pediu para eles um rei como todo o cidadão normal, de um mundo normal da época. De como ele se angustiara contra o que seria uma rejeição a si ou uma frustração ao plano divino para a nação. Samuel que como nós, servia a Deus, como um obreiro fiel, ficara desolado.

Naquela situação, Deus afirmou-lhe que a rejeição era, antes, uma rejeição à submissão ao governo do Senhor, antes de sê-lo ao profeta.

Pronto. Se não nos lembramos que foi nesse aparente "deslize" do povo e de rejeição pessoal à atuação do homem de Deus, Samuel, que disso veio o grande Rei David, podíamos achar que a história deixou o seu curso para apanhar um atalho e cair precipício abaixo.

Ledo engano. Deus só estava fazendo acontecer o seu script, a Sua vontade soberana, sem atalhos, acidentes de percurso ou imperativos de ordem circunstancial. Afinal, assim como Jesus estava destinado a vir antes mesmo do pecado ou até da criação de tudo, David, parte da linhagem humana de onde viria o Messias, já estava "programado".

A lição disso tudo? É que do alto dos meus "cinquenta aninhos", posso estar certo que, com erro, sem erro, com os meus acertos e desacertos, ainda há Um que não Se deixa ser guiado e a todos e que todas as peças tem nas Suas mãos. E posso me aquietar. E saber que só fui chamado para estar com Ele, certo que a Sua bondade e misericórdia me seguirão, e me guardarão até daquilo a que chamo falhanço.

Por isso, dia 13 agora, vou agradecer bastante pelo que já vivi.


"Muitos são os planos...; mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá." Pv 19:21