terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quando Deus fala no silêncio


"Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente." Mt 6:6

É grande o nosso apetite pelos ajuntamentos, reuniões, movimentações. Mas a grande, a maior características dos grandes homens, os que marcam outras vidas, é sem dúvida a sua experiência no secreto de Deus - e com Ele.

Não que isso aparece fácil, ou é publicitado aos olhos de todos. Enquanto gostamos do barulho, Deus ainda forja os seus vencedores no constrangedor silêncio do Seu secreto.

O rei David por exemplo, quando apresentou-se para combater o maior de todos, o amedrontador do exército de Israel, estava escudado nas experiências que vivera com Deus no ermo, quando banda nenhuma executava alguma trilha sonora, quando as claques não estavam para aplaudir, quando não havia sequer uma voz para ajudá-lo a compreender aquilo que o silêncio que encontramos no secreto onde Deus está nos revela ou produz em nós. Nem para atrapalhar também, é verdade.

Só há o avançar público e notório, quando estamos respaldados pela vida no secreto. Ali, David enfrentou o leão pela juba, apanhou o urso à unha, sem que essa história tivesse corrido mundo pelas "bocas-de-matilde". Nem se viu tal façanha, nem também, ninguém ouviu-lhe os joelhos a "tocarem castanhola", o seu medo, a aflição diante do perigo e o grito rouco, talvez, da sua alma a enfrentar-se a si própria e as suas limitações diante da morte certa. Podem ler, essa história só saiu da sua boca, não estava nos jornais, cressem ou não nela, isso tudo era o testemunho na primeira pessoa e só a ele interessava naquela hora de desafio.

Não há registros claros a respeito de tudo o que passou na alma de Abrahão, quando levava o filho Moriá acima, em silêncio, sem conversa, sem muita prosa, para aquilo que, certamente, compartilhado o intento, poderia levá-lo a um tribunal, ou à condenação da geral, da vox-populi...

Ali, Abrahão, antes de desferir o golpe - impedido por Deus no derradeiro ato de fé e obediência - matara a si mesmo. Matara o pai da fé, a sua carne, a sua lucidez, a sua sanidade e a lógica da razão humana, destruidas a prazo, em minutos, horas, de muita luta e talvez perguntas e debates-consigo próprio não correspondidos por Deus. Em horas de silêncio, medo, angústia... E ali também, conseguiu ele o testemunho de Deus sobre a sua fé. A fé de ter andado com Deus e de, contra tudo (e dele próprio!) sem ter as suas respostas todas respondidas, obedeceu e creu. E ganhou o supremo prêmio de ser para sempre o "Pai da Fé".

Quanto no silêncio temos investido? Quanto do tempo no secreto temos gasto? É precisamente ali que Deus nos fala mais fortemente. Ainda que para todos, para a "galera", para a massa, seja tudo, somente silêncio. Nada mais do que silêncio.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Levantai a âncora, abri as velas!



"...E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão." Hb 2:15

Sei que insisto num tema do qual muitos fogem. O meu amigo Tito sempre brinca comigo afirmando ser eu muito mórbido por, vez ou outra, referir-me a esse tema - a morte - nos meus compartilhares à igreja.
Mas acontece que, creio, quando a Bíblia nos fala da morte - ou do medo dela - refere-se a tudo aquilo que nos atormenta, nos deprime e, antes de tudo, nos ameaça.

E isso pode aparecer na perspectiva de algo nos acontecer - um obstáculo, uma situação qualquer, uma pessoa que se põe entre eu e a... "bênção". A perspectiva de não sermos reconhecidos, de sermos preteridos, esquecidos e, por isso, perdermos algo que julgávamos garantido. O medo da morte engloba, ao meu ver, toda ameaça à nossa satisfação e o alcançar dos nossos objetivos*.

Pois bem, a pensar nisso, meditava hoje pela vigília da noite (lá pelas 4 para ser exato*) sobre esse medo de arriscarmos, de avançarmos e de "pagar para ver" como dizemos no Brasil.

Tememos o que não conhecemos ou julgamos certo, pelo nosso preconceito, que, matematicamente acontecerá algo se tomarmos o caminho desconfortável do risco. Será mesmo? E por conta disso, deixamos de avançar, de prosseguir, de aventurarmo-nos nas mãos do destino, de Deus, caso seja você um calvinista como eu.

E, temendo, sendo desconfiado, disse-nos uma pesquisa feita no Reino Unido mes passado, "povo algum pode ser empreendedor" e acrescenta: "todo povo desconfiado é também um povo fadado ao fracasso".

Numa época de grandes desafios, o que Portugal tem à frente é como reverter essa "qualidade" nacional que o coloca como o "povo mais desconfiado da Comunidade Europeia", segundo pesquisa Identidade e Valores da Comunidade Europeia, divulgado no ano retrasado.

Com desconfiança - das pessoas, das situações,... não há âncoras levantadas, não há caravelas, nem viagens. Nem fracassos, mas também, nem conquistas ou... vitórias!

Quando estávamos há já uns 14 anos atrás para decidirmo-nos se viríamos ou não para as missões, saindo da nossa (boa) zona de conforto, fomos abençoados com uma frase que explodiu nos nossos corações, quase por coincidência, quando assistíamos inadvertidamente a uma entrevista de um explorador-aventureiro brasileiro de origem árabe, Almir Klink que partiria para uma viagem ao Polo Sul e lá ficar preso durante o inverno por meses e sozinho. Ao ser inquirido se valeria a pena correr os imensos riscos e se não temia pela morte, por naufrágios... Ele respondeu prontamente - "o pior naufrágio é não partir!".

Nós que esperávamos pela voz de Deus, por versos bíblicos ou pela testificação vinda de irmãos, ouvimos - eu e as minhas meninas - a voz Dele, vinda pela boca de um navegador cheio de convicção.

Deus já destruiu o nosso inimigo e deseja Ele nos livrar a todos do medo da morte.

Que você hoje reflita sobre isso nas suas decisões (seja lá que dia for esse seu "hoje").
* sem os "c" que é para ser fiel ao novo acordo ortográfico!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Hoje é o dia da minha primeira filha!... Grande dia!

É... há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Tempo de nascer, de gerar... e de comemorar!
Hoje a minha Rebeca, faz anos (daqui a pouquinho, é verdade já que é quase 2 de Fevereiro).
Ainda me lembro de quanta alegria ela nos trouxe. A mim, nem se fala, já que fui eu o primeiro a partilhar a sua primeira noite de liberdade da barriga da mãe para que essa descansasse.
Era um sonho: nascia uma linda menina, nascia um pai. E babei muito a velá-la e sobressaltado a cada barulho que ela soltava naquela sala am casa dos avós em Ituiutaba (ela merecia Nova Yorque... mas isso é outra história).
Grande dia aquele... Fomos a Betania e eu para o hospital, tão seguros (sem ultrassom mesmo) de que seria a Rebeca (sim já tínhamos o nome certo e publicado), que não havia nenhuma outra hipótese. Rebeca, doce menina, delicada e amorosa.
Ela cresceu e rápido demais - pro meu gosto - reafirmando o já sabido: o quão rápido passa por nós esse tempo (ainda bem, pois ela, mais do que a Raquel, deu cabo das minhas costas a exigir quase uma hora diária de cantorias no seu berço para que pudesse dormir!).
Tem sido uma heroína - como a irmã - filha de missionários, mudando-se daqui pra ali, trabalhou, estudou, venceu no Reino Unido, em Portugal e na America do Norte e me encheu de orgulho. E por ironia da história, casou-se com outro missionário viajante, hahahahaha....
Hoje é uma mãe exemplar, uma filha adorável (com um senso de humor que em nada destoa do resto da família), irmã amável e uma amiga em que se pode confiar.
A você, Rebequinha o meu abraço e bênção, cheia de saudade e de gratidão a Deus pela sua vida.
A despeito da enorme distância que nos separa, louvo a Deus porque a cada dia, estamos mais próximos. Mil beijos. E parabéns!