quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A maravilhosa teologia do "AINDA QUE..."


"Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que o fruto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação." Hb 3: 17,18

Para quem ainda acha estranho investirmos tanto aqui na Europa, uma consideração hoje, nos momentos em que estou me preparando para estar em Madrid na Sexta feira.
Estou indo para uma celebração significativa, prévia do que teremos cá em Lisboa no fim de semana seguinte e que mostra a luta que travamos constantemente por essa bandas. Trata-se do encerramento de 5 anos de programas que, lá e cá, temos transmitido todos os dias em rádios comerciais, seculares pelo país - e a peso de ouro, diga-se de passagem!
Nesse período todo, apresentámos a Palavra de Deus, do Génesis ao Apocalipse a toda a nação (Portugal e, lá, Espanha). A importância do facto, reside no pioneirismo da coisa, em que transmitimos - o mais que pudemos, as escrituras, sem determo-nos em doutrinazinhas, menores, que nos dividem e, sem qualquer chance à promoção de nenhum "cromo" (ou figurinha, ai no Brasil!), ou de denominação, igreja, nem tampouco pedimos donativo algum ou vendemos algo, alguma relíquia (dessas "milagrosas", que o povo religioso tanto gosta e capazes da proeza de fazer engordar a conta de algum bandoleiro religioso!).
Mas voltando à Europa e o facto de muitos ainda não crerem nas particulares características dessa terra necessitada da graça de Deus, esssa nossa viagem à capital espanhola tem para nós um gosto especial: Vamos homenagear o amado irmão e companheiro do Caminho, Virgílio Vangioni, um ítalo-argentino que vive há anos no país vizinho a servir ao Evangelho até agora.
Durante esses anos todos, vimo-lo abnegadamente traduzir, contextualizar e a dar voz ao programa que lá se chama "La Fuente de La Vida" e está em mais de 100 estações de FM, sem uma interrupção até agora.
Na foto que faço questão de trazer hoje, vemo-lo - "apesar da figueira não estar a florescer e do curral estar sem gado" e de um câncer que tomou o seu - imaginem - esôfago - a produzir os textos do programa, no seu computador portátil e a se submeter à quimioterapia que se mostrou completamente inútil.
Forte, não? Chamaria antes, a isso, "graça", sustento de Deus e,... firmeza de um homem que "a despeito de", permanece firme, a completar o seu ministério com o seu último fôlego de vida.
A minha oração é dupla nesse fim de semana - a primeira, para que Deus permita que ainda o tenhamos lá, vivo e que possamos nós dar-lhe um beijo e honrá-lo pela fidelidade - enquanto pode recebê-lo.
A outra, é que o seu exemplo, digno, honrado, possa falar muito a todos nós, indignados por tantos maus exemplos à volta e, sendo sinceros, ao nosso coração vacilante e inconstante quando as coisas não correm assim tão bem quanto desejávamos.
Que Deus nos guarde a todos. E que sejamos fiéis. Sempre. Haja o que houver.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ainda sobre o "Velho Continente"


...E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mt 24:12

Tivemos um Youth Summit (Reunião de Cúpula Jovem, ou Cimeira Jovem) em Lisboa esse final de semana, com jovens e líderes de países como Irlanda do Norte, Inglaterra, Itália, Espanha e, claro, Portugal (com missionários e jovens brasileiros).
Nas discussões sobre os desafios - com a análise das forças, fraquezas e ameaças contra a Igreja na Europa - os jovens apontaram dentre outros, os seguintes desafios:

- legalismo;
- descrença cada vez mais crescente entre os nossos cidadãos e entre os cristãos;
- apatia e falta de paixão por parte dos crentes;
- divisões na liderança e entre as denominações;
- falta de estratégias relevantes à pregação da igreja;
- falta de coerência na pregação, distância entre o que se prega e o que demonstra com a vida;
- liberalismo secular até entre os líderes;
- arrogância de uma igreja que só pensa em si mesma e nos seus projectos intra-muros...

Entre olhares ainda baços dos cristãos míopes (leigos e pastores) que "mascaram" aquilo que todo mundo vê, com exceção deles mesmos e no que toca à eles próprios, reforço aqui o meu desafio: podemos contar com as suas orações e apoio à igreja europeia para mudar esse triste retrato?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Arise Europe!


"Desperta, tu que dormes, e levanta-te..." Ef 5:14

Terra da Reforma, de avivamento, berço de missões...
Mas também, hoje, um continente que tem riscado Deus da sua história.
Uma das maiores mega populações da terra, mais influente, também é o mais necessitado campo missionário e pelo que menos se ora em todo o mundo.
Para que tenhamos uma idéia, todo o continente tem uma média de apenas 2,4% de cristãos evangélicos na sua população e a maioria desses está ao norte - 11 países têm menos de 0,2%!
Dentre estes países que representam hoje o maior desafio para o avanço do Evangelho da graça, o sul da Europa tem o pior índice. Veja bem:

Portugal - 0,9% (Somente nos primeiros três meses do ano, registrou-se o mesmo número de crimes passionais em Portugal que durante todo o ano de 2007 e no ano passado, houve mais divórcios do que matrimônios!)

Espanha - 0,2% (Todo ano, cerca de um milhar de famílias de missionários vêm para o país e também nesse período, igual número deixa o território!)

França - 0,8% (a maior causa de morte de mulheres do país, dá-se por violência doméstica!)

Itália - 0,8% (existem duas vezes mais bruxos e feiticeiros legalizados do que padres católico romanos!)

Grécia - 0,2% (a igreja lá, no ano passado, este ano e provavelmente no ano que vem, tem a mesma quantidade de crentes que se converterão no dia de hoje em todo o norte de África)

Somente na África sub sahariana, convertem-se diariamente cerca de 50 vezes mais pessoas do que em toda a Europa e em todo o continente, existem mais de 15 vezes cristãos do que em todo o sul europeu!
Será que podemos contar com mais intercessores por essa terra?


* Fonte: World Christian Data Base, TWR, SIC TV, TVI

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Unção ou Dom? A diferença entre o poder e a direção para sermos instrumentos de Deus


O espírito do Senhor Deus está sobre nós, porque nos ungiu…

Há uma confusão instalada na nossa “santa” cultura evangélica, aquela sobre a distinção que há entre o que significa Dom e Unção.
Chamamos unção, toda dotação sobrenatural, sinalizada pela capacidade de realizarmos coisas fantásticas, tais como curar, evangelizar, pregar, geralmente causando emoção na platéia,… aquilo que chamamos também de… capacidade para realizar sinais e maravilhas. Um pregador com “unção”, é aquele que, por causar impacto sobre uma audiência, é aquele que deve ser um íntimo de Deus, que é dirigido por Ele e que tem uma vida impecável. Enfim, um super-homem.

Apesar de a Bíblia nos recomendar que vivamos uma vida cristã simples e cuja maior credencial seja o amor para com todos, parece mesmo que nos sentimos atraídos por essas coisas que se “sentem, vêm ou são manifestas exteriormente”.
Ser alguém cheio de “unção”, para muitos, é sinal inequívoco de estar-se “próximo de Deus”, de ter uma vida de acordo e conforme a vontade do Senhor. E por isso, há tanta decepção no nosso meio quando, vez por outra, alguma "estrela" nos decepciona.

Se olharmos atentamente para a Palavra de Deus, vamos verificar que "unção” tem a ver com a direção de Deus. Quando um ministro era ungido, esse ato, significava que esse estava debaixo de uma orientação divina e que, pela sua consagração, poderia ser ele um portador de bênçãos para o povo, conforme a unção – fosse para governar, para pastorear, etc… O problema com que não contamos na nossa “cultura evangélica”, é que a unção, podia e pode-se, como possibilidade terrível, ser perdida.
O Rei Saul, Salomão e tantos outros cujo exemplo encontramos na Bíblia, perderam a sua unção, quando decidiram seguir aos seus desígnios aos de Deus.
E o que foi que não perderam, quando desobedeceram e seguiram os seus apetites (animais, terrenos e demoníacos como descreve-nos Tiago)? O dom! Ou seja, tudo aquilo que não está em nós por natureza, que não depende de nós, nem é recompensa pelos nossos merecimentos. A salvação é um dom, a graça divina ídem (que é mais do que um benefício que nos isenta da morte – pena pelo pecado – mas que também nos educa, como diz Pedro, outro benefício da graça), a possibilidade de curar é dom, a manifestação do amor, apesar do nosso egoísmo e pecado ,sempre presentes em nós, é outro dom, a capacidade de sermos porta-vozes de Deus no compartilhar do evangelho, sendo que nos tornamos instrumentos Dele, ainda que imperfeitos, na salvação de pessoas é outro dom e muitos outros.
Mas há uma diferença entre uma coisa e outra – o Dom é irrevogável. Não se perde. Como não dependeu de nós o ganhar, mas em Deus no-lo atribuir, também não é dependente do objeto agraciado o perdê-lo. Em Romanos 11:29, lemos: “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.”
Então, o que Saul perdeu? O dom ou a unção? A unção.
Ele continuou com o que havia ganho de Deus – o governo de Israel e com ele, foi até a morte. Saul continuou rei, mas já não agia conforme a unção (a direção) de Deus, fazendo todo o tipo de besteiras, com coroa e tudo. E assim foi com Salomão, rei de Israel, filho de David (e como tal, contando com o favor com que Deus tratara o seu pai), mas casando-se com as mulheres pagãs e com elas, cometendo desatinos, sem a direção do Senhor.
O pior que pode acontecer a um cristão, não é perdemos o dom, posto que nos é impossível fazê-lo. O pior é estarmos cheios da munição de Deus, cheio dos dons, capacidades e possibilidades, sem contudo, sermos dirigidos por Ele.
Assim, é possível usarmos esses dons para enganar, para ludibriar e para usá-los em benefício próprio, sem que Deus esteja nisso. Como um cego, bêbado, ou uma criança, com uma metralhadora automática nas mãos, num estádio de futebol. Por isso, Paulo recomendava a Timóteo: “não imponhas as mãos precipitadamente sobre ninguém” (1 Tm 5:22), para que ele soubesse e estivesse firme sobre a maturidade de quem receberia dons - se tinha um coração para administrar o seu uso conforme Deus, se os usaria com temor e sabedoria...
Em Romanos 1 (21-24), Paulo afirma que, pela dureza do coração dos homens, “Deus os entrega às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem-se entre si”, esta sim, constitui-se na pior coisa que podia acontecer a um ser humano. O pior, não é Deus pesar a Sua mão, mas retirá-la, deixando-nos à mercê de nós próprios, do nosso coração corrupto e corruptível. É possível alguém estar cheio de dons de Deus e estar com a vida para lá de estragada, do ponto de vista moral, ético e espiritual.
Já pensou nisso? Entre o dom e a unção, busque a unção. Busque a direção de Deus em oração, em consagração, com jejuns e com tempo para Deus e com Ele.
O dom, vindo a você, vem com a "garantia de fábrica" que será bem utilizado – para edificar, para abençoar, e não para beneficiar os interesses de quem o possui. E ai, estaremos mais aparelhados para frutificarmos tudo aquilo para o que Deus nos chamou.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ensaio sobre a cegueira


"Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova." Mt 15:14

Pensamento surgido hoje cedo, quando dirigia por Lisboa, ao lado do meu amigo Julio Castanheira, de Marília-SP, músico e jornalista, em visita à Portugal, sobre essa coisa de apanharmos para nós uma glória que não nos pertence:
Se a luz do cristão não vier da ação de Deus em si, vem dos holofotes. E essa, cega.


Precisamos acrescentar algo mais?

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O bêbado e a glória humana


"Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no SENHOR." 2Co 10:17

Viajando pelo Reino Unido esta semana, fiquei assustado com as igrejas brasileiras da área de Londres.

Eu já havia dito aqui sobre essa tendência de se batizar a comunidade da fé, o que era pra ser um grupo de amigos, transformados por Deus, pela consciência do evangelho da graça - que deveria ser de graça - com os nomes dos seus dirigentes. É "Ministério Fulano de Tal", "Ministério do Apóstolo Sicrano"... e por ai vai, num horrível desfile de vaidade.

Essa coisa vai mesmo na direção do ego de gente que acha que tudo o que Deus faz por eles e através deles, tem menos que ver com a bondade de Deus do que com a sua capacidade, da sua performance e ação. O povo elogia, enaltece, baba-lhes e... eles acreditam. E aceitam os louros de outrem.

E toma-se lá a glória que era para o Senhor, para a Sua Palavra, a Sua graça e misericórdia...

Ontem, a despeito disso, me lembrava do Lazinho, um ex-aluno, feito amigo e sócio anos atrás na minha cidade... Naquela época, mesmo a compartilhar-lhe a Palavra de Deus em todo o tempo do nossa relacionamento, continuava ele a resistir a tomar uma atitude e continuava a viver a sua vidinha-besta: muito auto-engano, álcool, drogas à mistura e rock-and-roll.

Numa noite, numa mesa de botequim (tasca), assentado e tomando "umas-e-outras" com um conhecido "comerciante-por-conta-própria-do-ramo-de-drogas-ilícitas", entre um copo e outro, falava-lhe ao amigo sobre as verdades do evangelho - aquelas todas que ele ouvia mas não engolia. Não por completo.

Em pouco tempo, caiu ele, "anestesiado", bêbado sobre a mesa. O tal traficante, (Barbosinha como é conhecido), admirado com o que ouvira do "pau-d'água-pregador", toma uma decisão. Em questão de semanas, estava ele transformado, batizado e, de agente do tráfico a pregador, virara evangelista na minha comunidade. O amigo, sócio e ex-aluno, viria a deixar-se converter uns meses mais tarde e, também na mesma comunidade, vem a se tornar um pastor (e anos depois, missionário cá em Portugal comigo).

O moral da história? Simples: toda a glória de tudo de bom que fazemos, pertence a Deus. E a ninguém mais. Nada que é essencialmente bom vem de outro a não ser do Pai das luzes. Se crêsse eu na glória de alguém que toma emprestado um serviço (ministério) que afinal, não lhe pertence e, com ele faz algo de produtivo, estaria enganado por completo, doido ou embriagado. O mérito não será nunca dele próprio, como não foi, naquela noite de salvação de um agente da destruição e do vício, um... bêbado. A Palavra de Deus é que constrangeu, que causou impacto, que fez toda a diferença, independente da boca ou seja lá de onde ela saiu.

É como diziam os reformadores que deram a vida (literalmente) na obra de Deus: Soli Deo Gloria. A glória pertence somente a Deus! Que assim seja.



PS: Lazinho, amadão, tô com saudade de você, cara!!! Obrigado pela sua amizade, mano velho!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Big Size You!


Voltei da América ontem pela manhã, pela segunda vez só este ano. E assustado, diga-se de passagem. Tudo lá é grande, já havia me esquecido desse pequeno enorme detalhe.
Já não bastavam o tamanho dos potes de gelado (sorvete, para os brazucas desavisados), de margarina e de refrigerante... Desta vez notei o tanto que despejam água pela sanita (ok, brasileiros - isso é "privada") e o tamanho do papel higiênico. E por ai vai: lâmpadas gastadoras de energia (nenhuma vi das que usamos às pencas na Europa, mais consciente das questões ambientais) e carrões, que bebem e muito, galões em vez de litros de combustíveis e, pra completar, motoristas enormes, tanto quanto os carros que conduzem.
O povo lá também é enorme. Tudo é grande por lá o que faz dos EUA, o país do exagero e do desperdício. E a lista de recordes não pára: têm eles a maior dívida externa do planeta, com o maior déficit no comércio exterior e também são a maior potencia poluidora da terra.

Eu já sabia que ainda são os cristãos de lá, os que têm a maior consciência missionária e o maior bolso aberto para manter missões e obras sociais cristãos pelo mundo (fora a volúpia com que os seus compatriotas se atiram às guerras - duas ao mesmo tempo, no momento que escrevo esse texto).
Mas,... desconfio que há tempo para parar-se com esse exagero, não esse das missões e da solidariedade, lógico, mas o do desperdício e da gastança de quem deve ter o Rei na Barriga. É impossível num mesmo planeta, gastar-se tanto impunemente.

Prova disso, que respirei por lá, o medo - igualmente grande - da grande tempestade que avizinha-se e que deve por todo a economia da terra a meter água.

Se não houver juízo e um exercício igualmente ciclópico de auto-exame, entraremos todos, não só eles, num futuro complicado e sem retorno à sanidade.

Bem que Paulo tanto avisou sobre a importância de uma vida regrada e humilde ("Sede a vossa moderação conhecida de todos os homens, perto está o Senhor", escreveu ele). A nossa moderação - que afinal é fruto do espírito, o tal "domínio próprio" cujo controle das nossas vontades e atos passa por uma nova consciência, evangélica, no verdadeiro senso da palavra, é imprescindível.
Quando vemos o resultado da nossa maneira de ser desregrada, a prejudicar-nos, ou o pior - a atingir a vida do meu próximo, seja ele o meu vizinho de rua, ou o asiático a viver do outro lado do globo, é hora de acordar. Alô, irmãos da América, pensem nisso!


PS: Pensando bem, até por razões de "marketing de imagem", o país da águia precisava pensar melhor antes de descartar o Obama como candidato à Casa Branca e o que ele representa de promessas de mudanças. Pelo andar da carruagem, um "banho de loja" ideológico não faria mal ao país. Ou então, apresentar o passaporte azulzinho pelos continentes será tão bem vindo quanto um elefante numa loja de louças...