sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Como conquistar (eficazmente) um coração doente

"...Mas contigo está o perdão,
para que te temam." Sl 130:4

Fui dormir ontem, sob o impacto da morte de um (e possivelmente do outro) sequestrador que ameaçou durante horas dois reféns num frustrado assalto a uma agência bancária em Lisboa.
Apesar da minha esposa e eu, ao assistirmos ao vivo a execução pela TV, pensamos que, se por um lado é terrível vermos uma vida ceifada, menos mau, quando essa é a do criminoso e não a das vítimas, inocentemente envolvidas quando deviam somente estar servindo nos seus postos de trabalho.

Pela minha mente passaram não só a violência crescente desse – ainda – pacífico país, bem como o que ameaça a minha terra natal.

E a solução? Mais polícia? Mais instituições punitivas para o estado? Mais prisões? Pena capital para, senão acabar de vez com os assassinos e criminosos, ao menos intimidá-los para que não dêem vazão ao que de pior existe na alma humana e assim, prejudicar inocentes?
Será? Será eficaz a pena de morte para esse fim?
A conclusão generalizada das pesquisas em âmbito internacional é não haver indícios claros de que a abolição da pena de morte tenha provocado um aumento da taxa de homicídio ou uma queda naqueles países onde foi reintroduzida. Não há igualmente indicação clara nas pesquisas de que a ameaça da execução ­ seja eficaz na intimidação a que se referem os defensores da pena capital.
Portugal, como se sabe, foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte, em 1867.
Mas, voltando ao assunto, a lei, a pena da lei não acaba com o pecado que existe em nós. Tampouco, como foi no caso da igreja (ou do povo judeu) eficaz contra o pecado, para além de seu efeito didático, quando, diante da sua exigência justa e reta, mostrou o tamanho do problema que carregamos – o pecado que existe em cada um de nós.
Como diz-nos Paulo (em Rm 3:20), a lei nunca salvou nem salvará quem quer que seja. A sua exigência somente faz trazer à luz o nosso problema genético – a incapacidade de seguirmos e relacionarmo-nos com um Deus santo e íntegro.
Como então conquistarmos o coração podre e doente do ser humano (uma vez feito à imagem e semelhança do Deus santo, mas decaído da sua condição e desgraçadamente desfigurado pelo pecado)? Pela lei? Pela ameaça da aplicação punitiva da lei? Não. Não é por isso que fomos e temos sido conquistados.
Ao contrário do que um antigo professor meu cria e sempre lembrava-me a tentar provocar-me, o cristianismo não é uma religião baseada na coação pelo medo.
É justamente ao contrário.
Paulo afirmou uma vez: “Porque o amor de Cristo nos constrange” (2 Co 5:14). Constranger não é deixarmo-nos “sem graça”, ou “melindrados”, mas no mais puro português, significa antes “obrigar, forçar, compelir…”, isto é, o amor de Deus nos obriga a uma coisa somente – vivermos para ele, morrermos para nós e para o apelo insistente do erro e do desvio do que a Bíblia define por pecado e oferecermo-nos a Deus, como instrumento de justiça.
O que muda o nosso coração é o amor, não a ira de Deus. O que transforma, não é a morte do pecador, mas foi a morte do santo, do inocente - e como favor e graça.
Por isso, a arma contra o inimigo, ensinou-nos Jesus, é o perdão e não o revidar e a amargura – que só prejudica quem a mantém.
Quem nos livrará do corpo dessa morte, perguntou Paulo, em agonia e desespero. Ele mesmo responde: "Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor".
É por Ele, para Ele e para Ele que hoje podemos viver.
Como Davi bem definiu, é o perdão que nos faz temer a Deus, e não o medo da sua ira.
Para transformarmos essa sociedade enferma, nada mais eficaz, do que o amor de Deus - pregado e demonstrado.

A Deus, toda a glória!

Um comentário:

Lara Gisela disse...

"Para transformarmos essa sociedade enferma, nada mais eficaz, do que o amor de Deus - pregado e demonstrado"

É a única forma e é urgente lembrarmo-nos disso todos os dias.
Bjs
Ah, e acho que estou a ficar repetitiva mas o Rubinho escreve tão bem, tão bem, que não fica muito mais para dizer!