terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ó alma do caraças!!!

Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Rm 7:24

Alma gémea, alma penada… são tantas as conhecidas pela cultura popular…
Mas a que eu temo mesmo é a minha.
Aquela, velha, tão velha que, mesmo apesar do meu novo nascimento – milagre feito possibilidade por Cristo e uma nova consciência, a do Evangelho e dos seus feitos em mim – continuou a mesma um dia após essa grande experiência de fé. Foi o dia em que fui salvo por Deus.
É bem verdade que, desde lá, tenho visto transformação, à medida em que ela vem sendo exposta à Palavra e a acção do Espírito de Deus. Nesse sentido, venho sendo salvo, dia após dia, com muito choro engolido, gemido não confessado e com dores atrozes. Nessa experiência dolorosa, venho sendo salvo, deixando as deformações que me afastaram da imagem e semelhança de quem me criou. Mas,… se dou chance, apesar dos já cerca de 35 anos de vida cristã, levanta-se ela com a mesma força que tinha no dia em que permitiu Deus que eu morresse para o seu poder.

Mas não é fácil: essa impostora, engana, fazendo-me crer no que sente, vê ou toca, coisas passageiras e rejeita com todas as forças o que não se vê – justamente o que é para além do tangível – o amor e o compromisso de Deus por mim. E é aquela coisa: apela, grita, teima em não dobrar-se, nos tenta prender aos seus tentáculos e reduzir-nos a um pobre experiência meramente sensual. Se vejo, creio, se sinto, possuo, se ameaçada, teme, se algo vem de encontro ao seu gosto e prazer, então me é bom, confundindo o bom e o que é somente prazeroso. Num momento, estou apaixonado, noutro, frio como gelo. Num instante encantado, noutro, enojado. O que mudou à minha volta para além dos “sabores carnais”? Nada. Não da parte de Deus, que tem sempre (teve e terá) tudo sob as mãos!
“Desventurado homem que sou, quem me livrará dessa experiência de morte?” Perguntou Paulo a respeito dessa terrível realidade humana. Como nos vermos livres dessa manipulação existencial? "Graças a Deus por Jesus Cristo", acrescenta o apóstolo, que nos possibilita a viver pelo que cremos, não pelo que sentimos, nos sujeitando passivamente ao curso dessa alma, sempre enferma e feroz. E, sujeita, essa humana existência não é ruim, longe disso, mas há que crucificá-la todo santo dia… E isso cheira a pneu queimado. É sempre morte…
E completa: “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Ainda seremos salvos, por completo, quando esse corpo, coitado, na glória, será totalmente novo. É nisso que medito no dia de hoje e pelo que anseio.

Nenhum comentário: