quarta-feira, 29 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Lá se foi mais um Pirola
Foi difícil particularmente a mim despedir-me do meu pai essa semana.
Depois de muita luta entre idas e vindas a hospitais, ele finalmente partiu para o descanso na Casa do Pai.
Como pastor, já havia sido duro celebrar o casamento da minha primeira filha, Rebeca, tal foi a emoção e no Sábado último, o despedir-me do meu velho. Tive de juntar tudo com as responsabilidades de cuidar dos vivos e compartilhar a Palavra de Deus, diante do que, todos se curvam, ainda que limitada muitas vezes pela fraqueza do seu porta-voz.
Há já algum tempo, o meu velho tinha descansado das suas lutas interiores com relação a alguns que lhe eram caros pela via da reconciliação, do pedido de perdão de ambas as partes e do cada vez mais visível, amansar do seu gênio difícil...
Diante do seu leito, pude chorar, abraçá-lo como podia e deixavam os aparelhos. Falei-lhe de muita coisa coletada entre as que me lembrei e as que emoção deixava. Abri mão da minha vez de entrar na UTI onde ele jazia aos meus irmãos e sobrinhos, já que sempre nos falávamos por telefone ou nas visitas à sua casa, mais do que qualquer um desses e só apanhei-o já inconsciente.
Foi muito forte notar aquela parede tremenda entre a vida e a inevitabilidade da morte. Palavra que não consegui me lembrar de nenhuma coisa triste na nossa relação pai e filho. Não que não existiram, mas nada também que não tenha passado pelo lavar do sangue do Cordeiro que nos possibilita a perdoar.
Posso dizer que o velho morreu em paz, embalado pelo carinho dos seus e a absolvição dos pecados - e não foram poucos. Nos seus oitenta anos, comemorou a festa em meio a todos os filhos e netos e viu ainda o seu último, Caio, e a ele segurou ao colo, abençoado e afirmado poder partir por tê-lo visto.
Em nenhum momento da sua vida notei um só medo de partir, de cruzar o tal rio.
Histórias ficaram muitas. O velho era pródigo pela sua tolerância zero com a burrice (totalmente gozadora) e em colecionar historias tornadas lendas em muitas circunstâncias.
Suas últimas palavras - sempre nada políticamente corretas ou educadas - ao ser solicitado pela médica que engolisse uma sonda, para ajudar que ela enfiasse-lhe boca abaixo, foram: "Doutora, porque não enfia-o na sua mãe?!". Esse era o "dotô" Pirola, graduado em física, odontologia, direito e pescaria.
Eu e ele tínhamos um hábito de rogar pragas um no outro quando nós telefonávamos para contar o que estávamos comendo (sempre uma iguaria). Era um tal de "sabe o que estou comendo agora?" e a resposta diante da descrição o mais fiel possível do prato: "Isso vai dar-te uma caganeira...".
Sempre amou a obra de Deus. Apoiou-me sempre nas missões e no abrigo de missionários que da nossa casa tiveram abrigo e apoio.
Errou muito, amou muito e aprendeu a duras penas a respeitar o outro e as nossas dores de filhos.
No seu leito, sussurrei-lhe ao ouvido: "Velho, os seus pecados estão perdoados, vá em paz para Cristo!", lembrando-me da Palavra do Senhor: "Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos", em João 20:23.
E partiu então o meu velho, para cumprir a determinação da trajetória humana - O pó volte à terra e o espírito a Deus que o deu.
A Pirolada ficou mais pobre, mas as histórias de família, mais ricas, de humor e de saudade.
Depois de muita luta entre idas e vindas a hospitais, ele finalmente partiu para o descanso na Casa do Pai.
Como pastor, já havia sido duro celebrar o casamento da minha primeira filha, Rebeca, tal foi a emoção e no Sábado último, o despedir-me do meu velho. Tive de juntar tudo com as responsabilidades de cuidar dos vivos e compartilhar a Palavra de Deus, diante do que, todos se curvam, ainda que limitada muitas vezes pela fraqueza do seu porta-voz.
Há já algum tempo, o meu velho tinha descansado das suas lutas interiores com relação a alguns que lhe eram caros pela via da reconciliação, do pedido de perdão de ambas as partes e do cada vez mais visível, amansar do seu gênio difícil...
Diante do seu leito, pude chorar, abraçá-lo como podia e deixavam os aparelhos. Falei-lhe de muita coisa coletada entre as que me lembrei e as que emoção deixava. Abri mão da minha vez de entrar na UTI onde ele jazia aos meus irmãos e sobrinhos, já que sempre nos falávamos por telefone ou nas visitas à sua casa, mais do que qualquer um desses e só apanhei-o já inconsciente.
Foi muito forte notar aquela parede tremenda entre a vida e a inevitabilidade da morte. Palavra que não consegui me lembrar de nenhuma coisa triste na nossa relação pai e filho. Não que não existiram, mas nada também que não tenha passado pelo lavar do sangue do Cordeiro que nos possibilita a perdoar.
Posso dizer que o velho morreu em paz, embalado pelo carinho dos seus e a absolvição dos pecados - e não foram poucos. Nos seus oitenta anos, comemorou a festa em meio a todos os filhos e netos e viu ainda o seu último, Caio, e a ele segurou ao colo, abençoado e afirmado poder partir por tê-lo visto.
Em nenhum momento da sua vida notei um só medo de partir, de cruzar o tal rio.
Histórias ficaram muitas. O velho era pródigo pela sua tolerância zero com a burrice (totalmente gozadora) e em colecionar historias tornadas lendas em muitas circunstâncias.
Suas últimas palavras - sempre nada políticamente corretas ou educadas - ao ser solicitado pela médica que engolisse uma sonda, para ajudar que ela enfiasse-lhe boca abaixo, foram: "Doutora, porque não enfia-o na sua mãe?!". Esse era o "dotô" Pirola, graduado em física, odontologia, direito e pescaria.
Eu e ele tínhamos um hábito de rogar pragas um no outro quando nós telefonávamos para contar o que estávamos comendo (sempre uma iguaria). Era um tal de "sabe o que estou comendo agora?" e a resposta diante da descrição o mais fiel possível do prato: "Isso vai dar-te uma caganeira...".
Sempre amou a obra de Deus. Apoiou-me sempre nas missões e no abrigo de missionários que da nossa casa tiveram abrigo e apoio.
Errou muito, amou muito e aprendeu a duras penas a respeitar o outro e as nossas dores de filhos.
No seu leito, sussurrei-lhe ao ouvido: "Velho, os seus pecados estão perdoados, vá em paz para Cristo!", lembrando-me da Palavra do Senhor: "Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos", em João 20:23.
E partiu então o meu velho, para cumprir a determinação da trajetória humana - O pó volte à terra e o espírito a Deus que o deu.
A Pirolada ficou mais pobre, mas as histórias de família, mais ricas, de humor e de saudade.
terça-feira, 7 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Inteligência (e bom testemunho) na madrugada
Nada
forçado, apesar do entrevistado ser um artista, músico, e... crente.
Assim vi
a entrevista do ex-Paquito Alexandre Canhoni, ou Xand, no programa Agora é Tarde do comediante Danilo
Gentili na Band.
O que
podia ser mais do mesmo, aquela do ex-artista fracassado que se converte e nem bem
esquentou já está desfiando uma pregação repleta de chavões e frases-feitas.
Não que seja tarefa fácil tapar a boca de um novo convertido, cheio de gás, de
paixão por Cristo... mas infelizmente não é disso que estou falando.
Geralmente, alguém assim, desfaz qualquer má impressão por um testemunho convincente.
A paixão não é algo bem comportado e com modos.
Infelizmente,
temos visto mais do primeiro exemplo.
O que
temos assistido nas nossas TVs é uma teologia de buteco, pregações rasas e
geralmente imbecís, e pregadores sem modos (entendamos: sem educação, que não
ouve, não respeita o outro), presunçosos e de uma vaidade que beira ao
ridículo.
Fui
premiado ontem ficando até tarde.
O
assunto principal foi a solidariedade (do ax-artista que largou tudo, vive com a
esposa no Níger, segundo país mais pobre do planeta, com 15 filhos adotivos e mais de
um milhar de abrigados no seu projeto humanitário)...
A fonte
desse trabalho, o que o motivou a fazer o que faz e a sua conversão dos valores
e princípios, vieram puxados pelo microfone do entrevistador, abertamente – e sinceramente
– interessado nas obras que sinalizavam algo maior. A raiz estava na fé do
entrevistado, fruto do seu encontro com Jesus.
Nada mal
para quem já começa a acreditar na estúpida mania de perseguição – quase esquizofrênica
dos crentes de hoje. Só têm sido atacados e perseguidos os que teimam em
parecerem-se, em apresentarem-se idiotas (não estou sendo juiz, só digo que
aparentam ser, rsrsrsrs).
Com esse
tipo – idiota – de pregação, de testemunho, ou o que queiramos chamar no alto
do nosso exercício do “evangeliquês” – temos mais é que levar pau. E sermos
perseguidos.
E que
saudade do tempo em que éramos perseguidos pelo nome de Cristo...
Quem desejar conhecer o trabalho, deve acessar: http://guerreirosdedeus.com.br/
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Estive preso... e não se mobilizaram por mim.
Recebi com alegria à libertação dos missionários brasileiros que sofriam desde Outubro no Senegal em condições abaixo da crítica.
Foi uma vitória (ainda que provisória) da oração e da mobilização de cristãos que chegaram a ir até aquela nação africana para interceder junto às autoridades pelo nosso pessoal que fazia um trabalho exemplar, embora tenham tropeçado erradamente em questões burocráticas para o legal funcionamento do orfanato que dirigiam.
Como missionário que fui por mais de 16 anos atuando fora do país, sei das agruras de gente que, obedecendo ao IDE de Jesus, deixou tudo - conforto, família, direitos adquiridos na sua terra natal - para serem nada (muitas vezes sem o reconhecimento das gentes que propuseram a ajudar, a socorrer...).
Que não nos esquecemos desses a quem as lutas normais e corriqueiras na nossa terra, doem muito mais e agudamente por lá onde estão. Estou até hoje cooperando para encorajar e a socorrer a irmãos bem próximos em total sentimento de abandono, de desprezo e fracasso, tal o tamanho do preço.
Enviar não é fácil. Receber quem volta também não. Cooperamos com alguns e quando voltam, imaginamo-los confortáveis na sua terra-mãe, esquecendo-nos que o tempo não parou e tudo rodou, a fila andou e leva tempo até que tomem o bonde que não ficou e não está parado nos trilhos...
Lá, o "vamos ver", o "vamos orar"... são muitas vezes, conforme a demora da resposta, uma seta muito mais feridora do que seria quando temos a quem recorrer e a pedir colo.
Numa época de construção de impérios e memoriais aos nossos nomes aqui, nós como igreja, devemos ficar atentos ao chamado supremo de irmos por toda a terra.
E ir, definitivamente não significa mandarmos alguém no nosso lugar, mas irmos junto.
Louvado seja Deus pelos amados do Senegal!
quinta-feira, 21 de março de 2013
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