quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Evangelho é para doidos



Há algum tempo atrás, recebi um telefonema na nossa rádio em Lisboa, Portugal. Era uma ouvinte do norte do país, e ela estava aflita.

É que lhe fora diagnosticado algum distúrbio mental, uma esquizofrenia, manifestada quando fora abandonada pelo marido (até a data, um cristão-normal, segundo as suas próprias palavras) e, como se não bastasse a humilhação, trocada por outra.

Já não fosse muito a dor da enfermidade, contou-me ainda a jovem senhora, sobre a condenação, direta ou nas entrelinhas, por parte da sua comunidade pelo seu falhanço em "conseguir pela fé a sua cura". Se ela estava doente, por certo, havia algo errado na sua relação com Deus, vaticinavam os evangélicos-kardecistas, na sua melhor teologia - anti-bíblica - da "causa-e-efeito".

Pois bem, ao ouvir por meses o nosso ensino bíblico (bom mesmo, diga-se de passagem), na FM da sua região, encheu-se de coragem e ligou para saber, de alguém em quem aprendeu a confiar, algo mais do que importante: Como poderia ela saber se as visões e vozes que recebia, vinham ou não de Deus, se eram ou não fruto de uma mente necessitada de ajustes, químicos, mecânicos, sei-lá-o-quê.

Abrindo-lhe o meu coração, confessei-lhe o mesmo grande problema, aliás, que tenho há anos (desde que me entendo por gente): Eu precisamente sempre tive problemas em saber se o que os meus olhos vêm são ou não reais.

Acaba que vez por outra, padeço do mesmo mal, o de tomar por verdade as circunstâncias e coisas que vejo, toco, experimento com os meus sentidos todos, e que no fim mostraram-se só serem impressões e miragens.

Confidenciei-lhe, quase em tom de confessionário, das vezes em que amedrontei-me por só ver barreiras irreais, tornadas intransponíveis pelos meus olhos (que apesar de míopes, enxergam quase bem), e que mais tarde, caíram com um simples sopro de Deus.

Ou dos inimigos minúsculos que, aos meus olhos, tornaram-se em gigantes ou em número assustadores inflacionados – tais como os espias que foram até Canaã e só viram os inimigos e “tantos como os grãos de areia do mar”, a fazer-lhes com que os seus joelhos tocassem castanholas.

Ou das vezes em que ouvi vozes que, afinal, não eram do alto, como eu julgara, mas do acusador, ou da minha mente ansiosa e aflita. Ou dos dias em que passei a meditar se o significado dos sonhos que tive, eram ou não revelação de Deus e que mais tarde, provaram vir de uma feijoada mau digerida...

Pouco a pouco, compartilhei com ela que, sem medo de estar a contradizer Jesus, quando corrigiu a Tomé na sua falta de fé, que também são bem-aventurados os que "duvidam do que vêm".

De como todos nós cristãos, temos de ter mais cuidado com aquilo que tudo que se pode ver, ouvir (até o que se ouve nos púlpitos), tocar, sentir...

E tomarmos sempre a cautela de checar, de conferir, examinar e passar as situações, sentimentos, coisas que se ouvem, que se nos dizem, que nos afirmam, pelo crivo de uma baliza mais segura e incapaz de mudar a toda hora como o nosso coração - enganoso, corrupto e corruptível - um corruptor irrecuperável e que deve ser mantido no cabresto curto e firme.

Logo pela manhã, com aquele telefonema, pude abençoar a irmãzinha: Amada amiga, você é normal, sadia, sábia e bem-aventurada! Continue com a sua medicação que o médico lhe prescreveu, e meditando, lendo com zelo e diligência a Palavra de Deus, todo dia, sem pular uma dose sequer!

Com aquele diagnóstico, afinal, de esquizofrenia, ou o que seja, ela estava bem melhor do que muito cristão! Enquanto ela estiver preocupada em saber, com firmeza, em que mato está lenhando, em discernir se algo é real ou imaginário apenas, estará melhor do que muuuuuuita gente.

Disse-lhe com toda a firmeza àquela senhora: “Enquanto houver em você essa sua preocupação em saber se o que vê é real ou não, você é totalmente sadia!”

E acrescentei ainda: “Doidos, querida, somos nós. Doidos somos nós”.

Em 1 Samuel 16:7, lemos...Porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos," Por isso, "Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.", completa-nos Paulo em 2 Coríntios 4:18

Para ouvir o áudio, acesse: https://www.transmundial.com.br/o-evangelho-e-para-doidos/

quinta-feira, 11 de setembro de 2014